Até agora, nos posts sobre Reading Comprehension, lidamos com situações quase que ideiais nas quais as ideias e as intenções dos autores estavam claramente expressas no texto. Sabemos, entretanto, que nem sempre isso acontece – especialmente em se tratando de um exame com o nível de exigência do CACD. E então, o que podemos fazer para compreender o que o autor está dizendo em um texto?

Não importa quão críptico um texto possa parecer, o autor sempre deixa pistas para que o leitor consiga compreender o que ele quer dizer. Essas pistas podem ser linguísticas ou estilísticas, ou seja, elas podem estar nas palavras usadas pelo autor, ou no tipo de linguagem que o autor adota. Seguindo a sugestão do já mencionado livro “Reading Comprehension Success”,  há alguns elementos nesse sentido que merecem nossa atenção, exatamente por serem elementos que criam significado para o leitor: ponto de vista, escolha de palavras e tom. Neste post falaremos sobre ponto de vista.

Em primeiríssimo lugar é importante diferenciar o ponto de vista do autor de sua opinião. Já vimos que opinião é aquilo em que o autor acredita; por sua vez, o ponto de vista é uma estratégia que o autor adota para se comunicar com seus leitores. Por exemplo, ele pode adotar um ponto de vista subjetivo ou objetivo, ou ele pode se referir ao leitor diretamente como “você” ou anonimamente como “eles”. Ponto de vista, assim, está diretamente relacionado à ideia de perspectiva. Uma mesma situação pode ser descrita de várias formas, dependendo da perspectiva através da qual você a observa. É essencial identificar através de qual ponto de vista um autor aborda um tema e se o autor menciona em seu texto outras perspectivas, que não a dele mesmo.

Podemos identificar três diferentes abordagens ao falar de ponto de vista: um ponto de vista em primeira pessoa, que é individualizado e pessoal, e através do qual o autor fala de suas próprias experiências e sentimentos sobre algo usando os pronomes I, me, we, us etc.; um ponto de vista de segunda pessoa, também pessoal, por se dirigir diretamente ao leitor usando o pronome you; e o ponto de vista em terceira pessoa, que é impessoal e objetivo, apresentando a perspectiva de alguém que está de fora, ou seja, que não está envolvido na ação – os pronomes usados são he, she, they, it etc. É claro que a adoção de um ou outro ponto de vista depende se ele é apropriado para o tipo de texto que se escreve, mas ela também depende do efeito que se deseja causar no leitor.

A adoção de um ponto de vista em primeira pessoa, por exemplo, pode fazer com que o leitor perceba o autor como mais sincero –  e as ideias do texto como mais confiáveis – por criar uma certa intimidade entre leitor e autor. Já o ponto de vista em terceira pessoa pode ser adotado para passar uma ideia de maior objetividade – como se o autor não estivesse colocando ali nada de subjetivo seu. É claro que nesse tipo de perspectiva o autor ainda assim expressa opiniões, mas elas parecem mais objetivas. Por fim, a adoção de um ponto de vista em segunda pessoa é muito usada para destacar o leitor como um indivíduo – e não tratá-lo como uma categoria. Assim, o leitor pode vir a se sentir como parte das ideias expressadas no texto, pois essa perspectiva coloca o leitor diretamente na situação do texto.

Podemos perceber que, de fato, cada ponto de vista cria um certo efeito. Dependendo das intenções do autor, pode ser mais interessante aproximar o leitor do autor, ou ser mais objetivo, ou ainda envolver o leitor na sua argumentação. Entender qual é ponto de vista adotado pelo autor é entender que tipo de relação ele quer criar entre suas ideias e seus leitores.

Cheers!

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