Seguindo a mesma ideia e o mesmo objetivo do post publicado há duas semanas sobre a Tradução A do CACD 2012, publico aqui uma compilação, a partir dos espelhos da prova de terceira fase deste ano aos quais tive acesso, de algumas opções de tradução do texto da tarefa “Translation – Part B”.

Faço aqui as mesma ressalvas do post anterior. Em primeiro lugar, o texto abaixo é uma montagem com trechos de textos de candidatos. Os números ao lado de algumas palavras/expressões indicam outras traduções que foram aceitas pela banca examinadora (encontre as outras possibilidades abaixo do texto). As letras (desta vez não estou usando asteriscos), por sua vez, chamam atenção para traduções que alguns candidatos sugeriram porém não foram aceitas. Essa lista de traduções aceitas e recusadas não tem a intenção de ser uma lista exaustiva, mas sim apenas exemplificativa.

Em segundo lugar, se você ainda não viu o texto-fonte, sugiro que tente traduzi-lo antes de verificar as traduções aqui sugeridas. É uma forma de você verificar as dificuldades que teria na hora de traduzir o texto e de testar suas habilidades de tradução.

Primeiramente, seguem o exercício e o texto-fonte:

Translate into English the following excerpt adapted from Maurício Carvalho Lyrio’s study “A ascensão da China como potência”.

Historiadores e sinólogos convergem na avaliação de que a civilização chinesa impressiona não apenas por sua longevidade, mas também e principalmente por sua grandeza econômica e política ao longo de boa parte da história, quando comparada a outras civilizações antigas e modernas.

Francis Bacon observou que o mundo seiscentista se recriava pela pólvora, pela prensa e pelo ímã. Omitiu o fato, no entanto, de que todos os três foram descobertos séculos antes na China. 

Malgrado seu status de economia mais pujante do mundo ao longo de três milênios, em 1829, já se vislumbravam os primeiros indícios da queda abrupta que apequenaria a economia chinesa diante das rivais europeias no século seguinte. Passadas sucessivas décadas de declínio relativo, a produção industrial chinesa era, nos anos 1930, menor do que a da Bélgica. Já sua produção de aparelhos e equipamentos não ultrapassava a de um estado do meio-oeste norte-americano.

M. C. Lyrio. A ascensão da China como potência: fundamentos políticos internos. Brasília: FUNAG, 2010, p. 16-8.

Agora, seguem as sugestões de tradução:

Historians and China specialists (1) agree on (a) the assessment that Chinese civilization is impressive (b) not only for (2) its longevity, but also and mainly for (2) power (c) (3) throughout a large part of (d) (4) history, when compared to other ancient (5) and modern civilizations.

Francis Bacon observed (6) that the world in (e) 7) the 17th century was recreated (8) by (9) gunpowder (f) (10), the press, and the magnet. However, he omitted (11) the fact that all three (12) were discovered centuries earlier(13) in China.

Despite its status as (h) the most powerful (i) (14) economy in the world throughout three millennia, in 1829, the first signs (j) (15) of the sudden (16) fall (17) which (18) would belittle (k) (19) the Chinese economy before (20) its European rivals in the following (21) century were already visible (l) (22). After successive decades (23) of relative decline, China’s industrial production (24) was, in the 1930s, smaller than Belgium’s (m). Yet (n) (25), its production of machines (o) and equipment did not surpass (26) that of (p) a mid-west North-American state (27).

(1) specialists on China, Sinologists (2) by, due to (3) greatness (4) a significant part of (5) old (6) noted (7) of (8) recreated itself (9) with, from (10) powder (11) did not mention (12) all three of them (13) before (14) most striking, largest (15) evidence, traces (16) abrupt, big (17) downfall (18) that (19) dwarf, make smaller before (20) comparatively to (21) next (22) noticed (23) several decades, decades in a row (24) output (25) Meanwhile, (sem tradução) (26) did not overcome, was not superior to (27) Mid-Western North-American state, North-American mid-west state.

(a) não foi aceito “converge in” | (b) não foi aceito “amazes” nem “impresses” | (c) não foi aceito “size” | (d) não foi aceito nem “a huge part of” e nem “most part of” | (e) não foi aceito “from” | (f) não foi aceito “explosive material” | (g) não foi aceito “ago” | (h) não foi aceito “of” | (i) não foi aceito nem “most burgeoning” nem “most boosting” | (j) não foi aceito “signals” | (k) não foi aceito “decrease” | (l) não foi aceito “seen” | (m) não foi aceito “the one of Belgium” | (n) não foi aceito “by its turn” | (o) não foi aceito “devices” | (p) não foi aceito “the one of”.

Cheers!

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A pedido de alguns alunos e leitores do blog, estou compilando, a partir dos espelhos aos quais tive acesso, algumas opções de tradução do texto da tarefa “Translation – Part A” da prova de 2012 aceitas pelo examinador. O objetivo dessa compilação é, de forma específica, verificar quais traduções foram aceitas para algumas palavras e expressões – e quais não foram – e, de forma geral, mostrar que apesar de normalmente haver mais de uma possibilidade de tradução para um item de vocabulário ou mesmo uma estrutura gramatical, o que é esperado pelo examinador é a fidelidade ao texto-fonte (tanto na escolha das palavras quanto no registro) e a naturalidade no idioma-alvo (além, é claro, da gramaticidade).

O texto abaixo é uma montagem com trechos de textos de candidatos. Os números ao lado de algumas palavras/expressões indicam que outras traduções são possíveis (encontre as outras possibilidades abaixo do texto). Os asteriscos, por sua vez, chamam atenção para traduções que muitos candidatos sugeriram porém não foram aceitas. Essa lista de traduções aceitas e recusadas não tem a intenção de ser uma lista exaustiva, mas sim apenas exemplificativa.

Atenção: se você ainda não viu o texto-fonte, sugiro que tente traduzi-lo antes de verificar as traduções aqui sugeridas. É uma forma de você verificar as dificuldades que teria na hora de traduzir o texto e de testar suas habilidades de tradução.

Primeiramente, seguem o exercício e o texto-fonte:

Translate into Portuguese the following excerpt adapted from Isabel Hilton’s review of The Opium Wars by Julia Lovell, published in The Guardian on 11th September 2011.

The Opium Wars were an inglorious episode on both sides. They were triggered by an upstart imperial power being snubbed and rebuffed in its quest for trade: there was nothing, the Chinese loftily told the British emissaries, which China needed or wanted from the West — not their goods, not their ideas, and definitely not their company.

In March 1839, Canton commissioner Lin Zexu, hot from arresting 1,600 opium smokers and confiscating a full 14 tonnes of the narcotic, ordered foreign merchants to hand over their stocks and undertake to bring no more. The British agreed to relinquish over 20,000 chests of premium Bengal-grown opium, assuring merchants all the while that the crown would make good their losses, thus transforming the dispute into an affair of state. Lin reported to Emperor Daoguang that matters had been satisfactorily concluded. Months later, somewhat to his amazement, the British gunboats arrived.

A motley cast of characters played their part in the ensuing tragicomedy: bungling officials, rogue merchants, unscrupulous politicians, muscular military imperialists and the dithering, bewildered emperor.

Internet: <www.guardian.co.uk> (adapted).

Agora, seguem as sugestões de tradução:

As Guerras do Ópio foram um episódio inglório para ambos os lados. Elas foram desencadeadas por uma potência (1) imperial incipiente (2) sendo esnobada (3) e recusada (4) em sua busca por (5) comércio: não havia nada, os chineses disseram arrogantemente aos emissários britânicos, que a China precisasse ou quisesse (6) do Ocidente – nem seus produtos* (7) , nem suas ideias, e definitivamente nem sua companhia.

Em março de 1839, o comissário de Cantão (8) Lin Zexu, que tinha acabado de prender (9) 1600 fumantes** de ópio e de confiscar 14 toneladas inteiras (10) do narcótico, ordenou que os comerciantes (11) estrangeiros entregassem seus estoques e se comprometessem a não trazer mais (12). Os britânicos concordaram em entregar 20.000 baús (13) de ópio cultivado (14) em Bengala*** da melhor qualidade (15), garantindo (16) aos comerciantes o tempo todo (17) que a coroa iria indenizar (18) suas perdas, transformando, então (19), o litígio (20) em um assunto (21) de Estado. Lin relatou (22) ao Imperador Daoguang que os problemas haviam sido**** concluídos***** (23)  satisfatoriamente. Meses depois , um pouco******  para seu espanto (24), os navios de guerra (25) britânicos chegaram.

Um elenco diverso (26) de personagens atuou em seus papeis (27) na tragicomédia que se seguiu (28): os oficiais desajeitados, os comerciantes trapaceiros, os políticos inescrupulosos, militares imperialistas musculosos (29) e o hesitante, atônito imperador.

(1) um poder (2) emergente, nascente (3) contestada (4) contrariada, rejeitada (5) em seu desafio por, em sua demanda por (6) desejasse (7) mercadorias (8) cantonês (9) logo após prender, tendo recém prendido (10) um total de 14 toneladas (11) mercadores (12) garantissem que não trariam mais, se encarregassem de não repô-los (13) carregamentos (14) colhido, plantado (15) de qualidade superior, “premium” (16) assegurando (17) durante todo o tempo (18) cobriria, cuidaria das (19) assim (20) a disputa (21) uma questão, um negócio (22) reportou (23) resolvidos (24) sua surpresa (25) as belonaves, os barcos armados, os barcos de guerra, a Marinha (26) heterogêneo, variado (27) desempenhou seus papeis, fez o seu papel (28) no desenrolar da tragicomédia (29) robustos.

*não foi aceito “bens” | **não foi aceito “fumadores” | ***não foi aceito nem “Bengal” nem “Bengali” | ****não foi aceito “foram” | *****não foi aceito “liquidados” | ******não foram aceitos “de certo modo”, “de alguma forma”, “um tanto para”.

Cheers!