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Conforme tenho feito nos últimos anos, publicarei uma série de posts com comentários sobre a prova de inglês do TPS 2016. É importante lembrar que essas são minhas primeiras impressões sobre a prova e que elas podem mudar caso alunos e/ou leitores me chamem a atenção para informações que podem ter passado despercebidas – por isso, fique à vontade para comentar e contribuir! 🙂 É possível que eu adicione comentários aos posts nos próximos dias, principalmente após a publicação do gabarito preliminar e do gabarito definitivo.

Inicio os comentários sobre a prova de inglês do TPS 2016 pelo Text V.

Questão 43. Based on Text V, decide whether the statements below are right (C) or wrong (E).

1. There has never been any conflict between members of WTO.

ERRADO. Consta do texto que “most trade between friendly nations, particularly those who operate within the multilaterally agreed rules of the World Trade Organisation (WTO) and other relevant international agreements, proceeds smoothly. However, disputes do arise […]”. Leia mais sobre o emphatic do.

Note, entretanto, que há um erro na assertiva, na qual deveria estar escrito members of the WTO. Atente para o uso do artigo definido antes de abreviações e acrônimos.

2. Trade disputes can be categorized into at least three facets.

CERTO. O autor do texto diz: “however, disputes do arise, and they fall into three main categories […]”.

3. Friendly nations are those ones which belong to WTO.

ERRADO. O texto diz que “most trade between friendly nations, particularly those who operate within the multilaterally agreed rules of the World Trade Organisation (WTO) and other relevant international agreements, proceeds smoothly”. Particularly quer dizer “especialmente”, o que não restringe o sentido de “friendly nations” (particularly apenas destaca, dentro de um conjunto maior de “friendly nations”, o grupo de países citado após o advérbio). Além disso, o autor do texto não destaca apenas os países da OMC (aliás, mesmo dentre esses países, o autor destaca apenas os que operam de acordo com “the multilaterally agreed rules of the World Trade Organisation”, e pode haver alguma diferença entre esses dois conjuntos de países), mas também aqueles que “operate within […] other relevant international agreements”.

Note que há, novamente, um erro na assertiva, na qual deveria estar escrito belong to the WTO. Atente para o uso do artigo definido antes de abreviações e acrônimos.

4. The majority of international trade is carried out free of difficulties.

ERRADO. Não se trata de “the majority of international trade”: o texto afirma que “most trade between friendly nations, particularly those who operate within the multilaterally agreed rules of the World Trade Organisation (WTO) and other relevant international agreements, proceeds smoothly“. A assertiva generaliza algo que está restrito no texto, já que o texto não diz nada sobre o comércio realizado entre países que não são “friendly nations”.

Alguém poderia questionar se países que não são “friendly nations” têm relações comerciais, pensando em uma interpretação com informações exteriores ao texto. Entretanto, em International Economics, Robert Carbaugh afirma que “a nation may punish unfriendly nations with high import tariffs on their goods and reward friendly nations with low tariffs. […] As of 2014, the United States did not grant normal trade relations status to Cuba and North Korea. U.S. tariffs on imports from these countries are often three or four (or more) times as high as those on comparable imports from nations receiving MFN status […]”.

Questão 44. Decide whether the following statements are right (C) or wrong (E) according to text V.

1. Disputes on international issues neither demand the intervention of diplomats nor of technical experts.

ERRADO. Primeiramente, está errado porque o texto trata, especificamente, de trade disputes, mas a assertiva fala de “disputes on international issues” em geral. Além disso, o texto diz que “all such disputes require diplomatic intervention, sometimes by generalist diplomats, but most often by technical trade specialists”.

Note, entretanto, que há aqui um problema de paralelismo na formulação da assertiva, que poderia ser reescrita da seguinte forma: “disputes on international issues demand the intervention neither of diplomats nor of technical experts“.

William Strunk Jr., no consagrado The Elements of Style, explica que “this principle, that of parallel construction, requires that expressions of similar content and function should be outwardly similar. The likeness of form enables the reader to recognize more readily the likeness of content and function”. Ele chama atenção especial para a necessidade de paralelismo quando correlative conjunctions (como neither… nor…) são usadas: “correlative expressions (both, and; not, but; not only, but also; either, or; first, second, third; and the like) should be followed by the same grammatical construction. Many violations of this rule can be corrected by rearranging the sentence”. Seguem alguns exemplos do livro:

Sem paralelismo

Com paralelismo

It was both a long ceremony and very tedious.

The ceremony was both long and tedious.

A time not for words, but action.

A time not for words, but for action.

Either you must grant his request or incur his ill will.

You must either grant his request or incur his ill will.

My objections are, first, the injustice of the measure; second, that it is unconstitutional.

My objections are, first, that the measure is unjust; second, that it is unconstitutional.

2. Never before has there been a dispute between the US Government and BP.

ERRADO. O autor diz que “sometime ago, the most visible trade-related dispute was that between the United States Government and BP over the disastrous Macondo oil leak in the Gulf of Mexico”.

Alguém poderia questionar se a assertiva não faz referência a alguma controvérsia anterior à controvérsia relacionada ao Golfo do México. Se esse fosse o caso, o Present Perfect (“Never before has there been“) não deveria ser usado. E, de qualquer forma, não há informações no texto que permitam dizer que não houve outra controvérsia – “this is not a typical case” indica que o caso é atípico, não que o caso não tem precedentes.

3. The main company involved in the Macondo accident is, just by chance, based in UK.

CERTO. O texto afirma que “the principal company involved happens to be UK-based“.

Note que há outro erro aqui: a assertiva deveria ser “based in the UK“. Atente para o uso do artigo definido antes de abreviações e acrônimos.

4. Intergovernmental differences of substance are not involved in the case.

CERTO. O texto diz que “no intergovernmental differences of substance are at stake–the British Government became involved only indirectly […]”.

Cheers!

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Diversas são as palavras, expressões e abreviações da língua latina utilizadas em inglês. Um aluno me perguntou como podem ser usadas algumas dessas abreviações vindas do latim e, como o conhecimento dessas abreviações pode ser importante tanto para o TPS quanto para as tarefas de terceira fase, recorro ao New Hart’s Rules (The Oxford Guide to Style) em minha resposta.

e.g.

e.g. é a abreviação de exempli gratia, do Latim, e equivale ao for example em inglês.

Hand tools, e.g. hammer and screw driver

No texto corrido é preferível usar expressões como for example, such as, ou até o mais informal like. Já quando entre parênteses ou em notas, o e.g. é mais aconselhável.

A abreviação é sempre escrita em minúsculas, com as letras seguidas de um ponto e sem espaçamento entre as letras. Não se pode dar início a um período com e.g.

Não é recomendado o uso da vírgula após e.g. para evitar dupla pontuação – apesar de essa vírgula ser comum no inglês norte-americano. Uma vírgula, dois pontos ou travessão são geralmente usados antes da expressão:

different fruits, e.g. apples, oranges, bananas, and cherries.

i.e.

i.e. é a abreviação de id est, do Latim, e equivale ao that is em inglês.

Hand tools, i.e. those able to be held in the user’s hand

No texto corrido é preferível usar that is. Já quando entre parênteses ou em notas, o i.e. é mais aconselhável.

A abreviação é sempre escrita em minúsculas, com as letras seguidas de um ponto e sem espaçamento entre as letras. Não se pode dar início a um período com i.e.

Não é recomendado o uso da vírgula após i.e. para evitar dupla pontuação – apesar de essa vírgula ser comum no inglês norte-americano. Uma vírgula, dois pontos ou travessão são geralmente usados antes da expressão.

viz.

Bem mais rara do que i.e. é a abreviação viz. (do Latim, videlicet). Ela equivale à expressão namely em inglês. Antigamente, enquanto i.e. era usado para introduzir definições e paráfrases, viz. era usado para introduzir listas de itens. Hoje, entretanto, é preferível usar namely ao invés de viz. – ou usar that is para todos esses casos.

etc.

et cetera é equivalente ao and other things em inglês. Deve ser escrito em minúsculas e com um ponto.

A abreviação pode ser precedida de vírgula em uma lista (robins, sparrows, etc.), mas nunca precedida de and. Pode ser usada em listas de no mínimo dois itens e pode ser seguida de qualquer pontuação – menos de ponto final quando usada no fim de um período.

O uso de etc. só é indicado em contextos técnicos e escolares. Em outros contextos, a  sugestão é usar such as ou for example antes da lista e and so on ou and the like ao final da lista (entretanto, note que os Cambridge Dictionaries Online classificam o and the like como informal). Nenhuma dessas expressões deve ser usada com etc.

Por fim, é desaconselhado usar etc. depois de uma lista com nomes de pessoas – nesse caso, é preferível usar as expressões such as ou for example antes da lista.

 

Assista este vídeo, da série Ask the Editor, do Merriam-Webster Online, sobre algumas abreviações do latim que são usadas em inglês:

Cheers!