Aprovado no CACD 2017, Lauro Grott também nos conta um pouco sobre suas estratégias para as provas de língua inglesa. O diplomata respondeu às perguntas sem antes ver as respostas de Maybi Mota; depois de vê-las, ficou surpreso com as semelhanças entre as respostas e destacou que essa série de perguntas e respostas pode, de fato, esclarecer vários pontos a candidatos.

Você já tinha conhecimentos avançados da língua inglesa quando começou a estudar para o concurso?

Eu não tinha conhecimentos avançados de língua inglesa. Na minha adolescência, cursei escolas de inglês de forma esporádica. Retomei os estudos da língua estrangeira completamente enferrujado e tive muito trabalho para alcançar o nível exigido pelo concurso. Acredito, no entanto, que eventuais deficiências sempre podem ser supridas.

Qual foi a melhor maneira que você encontrou para estudar vocabulário novo e fixa-lo?

Revisar e revisar insistentemente flashcards. Há outras formas de fixar vocabulário, como tabelas ou bancos de palavras, mas esse foi o método mais eficiente que consegui encontrar para mim. Acatei às diversas sugestões que a professora Selene dava em seus feedbacks, bem como anotava quaisquer palavras que eu pensava serem relevantes para o concurso e que eu encontrava em textos de língua inglesa em geral, fossem notícias, fossem artigos ou romances.   

Como você estudava collocations, em particular?

De início, utilizei muitos dicionários de collocations, e, posteriormente, dei ênfase aos flashcards, novamente. Em particular, foram-me muito úteis aqueles que criei com base em meus próprios erros, assinalados nos simulados que eu realizava com a Selene.  Para cada erro que eu cometia, inseria um novo cartão para que as lacunas fossem suprimidas. Penso que os erros são mais didáticos que os acertos, por isso que eu dava bastante atenção a eles.

Que tipo de exercícios complementares aos simulados (vocabulário, gramática, tradução etc.) você acha imprescindível fazer?

Algum método de revisão, como flashcards, tabelas ou bancos de palavras. Por experiência, sei que diversos equívocos são difíceis de serem corrigidos, principalmente ao serem levados em conta aqueles que foram cometidos meses atrás. Não só para os estudos de línguas (mas para eles também), a revisão é essencial: não uma ou duas vezes, mas cinco, dez ou vinte – o que for necessário para se assegurar que o mesmo erro não se repita.

Como você se preparou para a primeira fase do exame? Apenas através da resolução de questões de interpretação de texto no formato das questões do CESPE?

Acredito que, em grande medida, o estudo para a segunda fase auxilia na resolução do TPS. Não é possível prever quais palavras, collocations ou expressões serão cobradas na primeira fase. Por esse motivo, cabe ao candidato  aprimorar-se em aspectos gramaticais e de vocabulário mais essenciais, sem a pretensão de adivinhar o que cairá na prova. Eu diria que, para o TPS, seria de fato imprescindível conhecer o modelo da prova, e não necessariamente preparar-se para pontos específicos que serão abordados em um ou outro item – que nós nunca sabemos quais serão.

Você tinha alguma estratégia no que diz respeito a deixar respostas em branco?

Já vi pessoas ficarem entre os 10 primeiros colocad@s no TPS marcando todos os itens ou deixando grande quantidade em branco. Acredito que o candidato deva escolher a opção com a qual se sinta mais confiante. Em inglês, eu assumia maior risco e deixava de marcar apenas os itens sobre os quais eu não tinha qualquer conhecimento, em particular aqueles sobre expressões e vocabulários aleatórios.

Em que ordem você acha aconselhável fazer as tarefas da prova de inglês de segunda fase?

Optei por seguir a ordem tradução, version, summary e composition, mas essa não precisa ser uma regra de forma alguma. Creio que a ordem em que se faz a prova não altera grandemente o resultado. Para alguns, realizar a composition primeiro traz alívio, por ser o exercício de maior peso e que leva mais tempo; para outros, realizar as tarefas menores faz que sobre mais tempo para elaborar a composition. Em suma, não há regra a ser seguida, senão a de que se faça o que deixa o candidato mais confiante.

Quanto tempo você acha aconselhável reservar para cada tarefa da prova de inglês de segunda fase?

Levando-se em conta o prazo de cinco horas da prova de 2017, eu diria, de forma geral, que o candadidato deveria reservar uma hora para a tradução, uma hora para a version, uma hora para o summary e o restante do tempo para a composition. Claro, a tradução para o português pode demorar menos do que isso – e o summary um pouco mais. A questão é saber controlar o tempo para não se perder em uma atividade e comprometer a qualidade dos exercícios que faltam serem feitos.

Como era seu processo para cada tarefa da prova de inglês de segunda fase?  

A tradução para o português era a atividade que realizava no menor período. Traduzia procurando expressões exatas e que soassem naturais.

A version talvez tenha sido a atividade mais desafiadora para mim, pois era necessário preocupar-me com a correção gramatical, com a precisão da tradução e com a fluidez do texto. O que geralmente ocorre é de o candidato focar em um desses aspectos e esquecer-se dos demais. O desafio, assim, seria manter o equilíbrio entre esses três objetivos.

No summary, adotei a estratégia de fazer um pequeno resumo de cada parágrafo que lia. Ao terminar o texto, unia as anotações de forma coesa e simplificava a linguagem, de modo que ela ficasse a mais sucinta possível.

Por fim, elaborava a composition com base no que seriam os parágrafos do texto. Definia em linhas gerais o que seria a minha tese e quais seriam meus argumentos. Iniciava meu rascunho. Policiei-me para não exagerar nas expressões e perder a fluidez do texto. No dia da prova, acabei rasurando meu texto em demasia, razão pela qual recomendo que se tenha muita certeza de que seu texto já está finalizado quando chegar a hora de transpô-lo para o caderno de texto definitivo.

Alguma dica de ouro para os candidatos?

Revisem seus erros metodicamente. Na segunda fase, mais do que engenhosidade, a prova de inglês privilegia precisão, razão pela qual se deve evitar ao máximo o cometimento de erros básicos ou de equívocos que o candidato realiza com frequência. A meta deve ser ganhar o máximo de pontos possíveis, e isso se consegue ao minimizar a margem de erros.

Aprovada no CACD 2017, Maybi Mota comenta como organizou seus estudos de língua inglesa para o concurso. As perguntas foram elaboradas por alunos meus e generosamente respondidas pela diplomata. Espero que suas valiosas dicas de estudos possam ajudar outros candidatos com as provas de língua inglesa do CACD!

 

Você já tinha conhecimentos avançados da língua inglesa quando começou a estudar para o concurso?

Sim. Minha trajetória prévia ao CACD foi 80% baseada em estudos autodidatas. Sempre busquei oportunidades de praticar inglês, mesmo que não tivesse tido acesso a escolas privadas de línguas antes da faculdade. Quando cheguei aos estudos para o CACD, já tinha tido a oportunidade de morar fora (ainda que não em país de língua inglesa) e de ter feito meu mestrado em inglês, além de ter trabalhado como tradutora de notícias por quase dois anos. Em todo caso, quando comecei a estudar para o CACD, percebi que era necessário melhorar muito ainda.

Qual foi a melhor maneira que você encontrou para estudar vocabulário novo e fixa-lo?

Meu vocabulário só aumentou quando comecei a ler de maneira sistematizada, a fazer um banco de palavras e a estudar essas palavras repetidamente. Temos a impressão de que leituras livres aumentam o vocabulário, quando, na verdade, elas são apenas coadjuvantes. Nada substitui um estudo organizado e sistemático. Além disso, as dicas da Selene sobre aplicativos e os feedbacks personalizados sempre me ajudaram bastante a atentar para a polissemia de palavras que eu julgava dominar.

Como você estudava collocations, em particular?

Eu só descobri as collocations e melhorei meu domínio das preposições com os simulados da Selene. A partir de então, comecei a estudar as correções repetidamente e a usar dicionários de collocations. Ainda que eu soubesse que os simulados devessem ser feitos no tempo e nas condições de prova para um melhor aproveitamento, as collocations que eu não dominava eu sempre checava para não memorizar errado. Comecei a atentar para collocations ao ler e trabalhar com traduções também: sempre marcava combinações que desconhecia. Por fim, também me ajudaram os “sets” que a Selene criou no Quizlet e o banco de palavras que criei com a ajuda dela, pois havia um campo para collocations.

Que tipo de exercícios complementares aos simulados (vocabulário, gramática, tradução etc.) você acha imprescindível fazer?

Meus estudos giravam em torno dos simulados. Minha meta era sempre melhorar em relação aos simulados anteriores. Assim, eu estudava meticulosamente as correções e fazia os exercícios que a Selene recomendava, particularmente os do Grammar in Use da Cambridge. Além disso, fazia exercícios e práticas nos aplicativos. Por fim, se, feito tudo isso, ainda sobrasse algum tempo, eu lia algo da The Economist com atenção ao vocabulário e às collocations.

Como você se preparou para a primeira fase do exame? Apenas através da resolução de questões de interpretação de texto no formato das questões do CESPE?

Quando fiz uma avaliação dos meus pontos fracos ao começar a estudar para o CACD, percebi que a primeira fase de inglês não era um grande desafio para mim, de forma que sempre dediquei maior tempo à preparação para a prova escrita. Aproveitava parte desses estudos para a primeira fase. No mais, nunca deixei de fazer provas CESPE (de nenhuma matéria) e fiz simulados da Selene para não perder a prática.

Você tinha alguma estratégia no que diz respeito a deixar respostas em branco?

Não. Em vários momentos, cheguei a pensar em estratégias desse tipo, mas, no meu caso, cheguei à conclusão de que isso era uma forma de procrastinar meus estudos.

Em que ordem você acha aconselhável fazer as tarefas da prova de inglês de segunda fase?

Decidi, em algum momento da preparação, não começar pela composition, pois é uma tarefa em que se pode “gastar” muito tempo sem que nos demos conta. Eu sou o tipo de pessoa que quer ficar modificando muito para chegar ao texto perfeito e, começando pela composition, eu tiraria tempo de outras tarefas. Assim, eu começava por qualquer uma das outras tarefas (a que me parecesse mais “fácil”) e deixava a composition para o fim.

Quanto tempo você acha aconselhável reservar para cada tarefa da prova de inglês de segunda fase?

Agora a prova tem 5h de duração, mas, ainda assim, sempre tentava terminar em 4h e ter tempo para revisar. Revisar é extremamente importante. Então eu diria em torno de 40min para a tradução A, 1h para a tradução B, 1h para o summary e 1:20 para a composition. Com essa 1h “extra”, eu sugeriria dar mais tempo à composition e dedicar o tempo restante a alguma das tarefas que seja particularmente difícil no ano em que o candidato realizar a prova.

Como era seu processo para cada tarefa da prova de inglês de segunda fase?

Nas traduções, eu lia com atenção cada período e, rapidamente, o parágrafo. A partir daí, começava a traduzir. Sempre que necessário, voltava a ler o período e o parágrafo, para que a tradução não ficasse muito truncada. Quando eu não conhecia a palavra, fazia uma paráfrase ou adivinhava. Deixar em branco ou errar uma palavra vai levar à perda da mesma quantidade de pontos, então adivinhar ainda te dá a chance de eventualmente ganhar um ponto.

No summary, eu lia extremamente rápido o texto inteiro e anotava palavras-chave. Apenas assim é possível captar qual é o foco do texto. A partir daí, eu resumia parágrafo por parágrafo.

Na composition, eu fazia um brainstorm e buscava formular uma tese e três argumentos principais que a sustentassem. A tese estaria na introdução e os três argumentos resumidos no último período da introdução. Esses três argumentos eram transformados em tópicos frasais de cada parágrafo do corpo de texto. Cada argumento tinha um exemplo ilustrativo. Embora fosse mais seguro fazer um rascunho básico (especialmente agora que há tempo suficiente pra isso), eu não fazia pela razão que já mencionei: eu iria querer mudar muito o tempo todo e não terminaria a prova. Em 2016, eu cheguei até mesmo a riscar a introdução e começar de novo duas vezes na folha de respostas. Imagina se eu fizesse rascunho?

Alguma dica de ouro para os candidatos?

Repetir, revisar e repetir! É muito comum ver os candidatos reprovados dizendo que precisam “aprofundar”, “melhorar os conhecimentos” e afins. Mas a alma de qualquer concurso é dominar o básico. Isso só se alcança com repetição e revisão.

Também daria uma dica mais “autoajuda”: conheça suas limitações. Eu só comecei a ser mais produtiva e eficiente quando busquei conhecer e aceitar minhas limitações. Um exemplo? Embora estivesse trabalhando apenas esporadicamente desde março de 2017, eu não conseguia mais me forçar a estudar mais de 6-7 horas líquidas por dia. Em algum momento, forcei-me a aceitar isso. Não foi fácil, mas foi necessário. E cá estou no IRBr.

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Em seu livro Escola de Tradutores, Paulo Rónai define o fenômeno da polissemia como uma “enfermidade da linguagem (que lhe enfraquece a lógica, enquanto a torna apta à expressão poética)”. Rónai fala especificamente sobre a dificuldade de lidar com a polissemia na tradução técnica e dá como exemplo o caso do vocábulo “resistência”, no campo da eletrotécnica: ele será traduzido para a língua inglesa como resistance “quando se tratar da propriedade que têm os condutores elétricos de se opor à passagem de corrente elétrica”, mas como resistor “em se tratando de peça má condutora encaixada num circuito”.

Na tarefa de tradução para a língua portuguesa do CACD 2016, alguns dos erros dos candidatos podem ser atribuídos à polissemia (não percebida) de alguns vocábulos usados no texto fonte. Destaco, neste post, dois casos — as traduções de noise e de language — para que possamos iniciar a reflexão sobre esse tema da polissemia nas tarefas de tradução.

1. Noise

No CACD 2016, o texto fonte da tarefa Translation Part A dizia: “Simply by making noises with our mouths, we can reliably cause precise new combinations of ideas to arise in each other’s minds“. Os candidatos que traduziram noise como “barulho” foram apenados. Mas noise não quer dizer “barulho”?

“Barulho” é um dos sentidos de noise, que é uma palavra polissêmica. Mas, naquele contexto, “barulho” não fazia sentido. Na definição do Dicionário Houaiss, “barulho” é “som estrepitoso; rumor; estrondo”; sabemos, pelo contexto, que não é disso que o autor está falando. Após a interposição de recursos, essa foi, justamente, a justificativa do examinador para o indeferimento: “‘barulho’ é um som estrepitoso, o que não se coaduna com o sentido do original.”

O sentido que se depreende do texto é noise como sound; naquele contexto, noise poderia ser traduzido, portanto, como “som” ou “ruído” (no sentido de “som confuso, indistinto”).

2. Language

O mesmo texto fonte também dizia: “That ability is language.” Os candidatos que traduziram language, aqui, como “língua” foram apenados.

É claro que uma das acepções de language é “the particular form of words and speech that is used by the people of a country, area or social group“, e, nesse sentido, o vocábulo pode ser traduzido como “língua, idioma”.

Entretanto, o sentido, nesse trecho do texto, não é esse, mas sim de “the method o human communication using spoken or written words“. Nesse sentido, language não quer dizer “língua”, mas sim “linguagem”. A capacidade (“ability“) é a linguagem, não a língua. Na definição do Houaiss, linguagem é “a capacidade inata da espécie humana de aprender e comunicar-se por meio de uma língua (‘sistema’)”.

Contudo, note que, no fim do texto, quando o autor escreve “but what is truly arresting about our kind is better captured in the story of the Tower of Babel, in which humanity, speaking a single language, came so close to reaching heaven that God himself felt threatened“, o sentido de language, aqui, é de “língua, idioma”.

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Pode-se argumentar que, em um sistema semiótico ideal, cada palavra corresponderia a um sentido — ou seja, cada significante corresponderia a apenas um significado. Nos sistemas reais, entretanto, a polissemia é um fenômeno frequentemente observado. Como o próprio Dicionário Houaiss ressalta, “a polissemia é um fenômeno comum nas línguas naturais, são raras as palavras que não a apresentam”.

Alguns autores, inclusive, argumentam que as palavras não têm sentidos mais sim “sentidos em potencial” (meaning potential): as palavras não significam; elas podem significar. E o que tranforma um meaning potential em meaning é o contexto. Assim, é no contexto que o sentido se realiza, se concretiza.

Traduzindo essa discussão mais teórica e abstrata para nossas preocupações mais práticas com a prova: como podemos identificar e desambiguizar as palavras polissêmicas? A chave, aqui, é não traduzir cada palavra isoladamente, mas sempre tendo em mente o texto no qual ela está inserida!

  • Quando palavras polissêmicas são tiradas do contexto, é normal presumir que seu sentido seja o mais prototípico. Mas isso pode resultar em um erro de interpretação de texto e de tradução. Por exemplo, se eu perguntasse como você traduziria a palavra start, você provavelmente diria “começar, iniciar”. Entretanto, na expressão start the car, o verbo não tem o sentido de “make something begin to happen“, mas sim de “switch on a machine or engine“. Dessa forma, em start the carstart não significa “começar, inciar”.
  • É só no contexto que podemos avaliar a classe da palavra, o que também contribui para a construção do sentido. Por exemplo, se eu perguntasse como você traduziria a palavra but, é bem provável que você diria “mas”, presumindo que eu estivesse fazendo referência a but como conjunção; mas but também pode ser advérbio (“We can but hope that things will improve“) e até preposição (“There’s been nothing but trouble since he came“). Em nenhum desses dois casos but seria traduzido como “mas”.
  • As combinações de palavras no contexto selecionam e reforçam seus sentidos. Quando eu falo de um old man, fica claro que old é uma referência a sua idade; quando eu falo de um old friend, a referência costuma ser não à idade do amigo, mas a uma amizade que conservo há muito tempo.

Dessa forma, é só no contexto que podemos entender o sentido de uma palavra polissêmica. Nas palavras de Goran Schmidt, “If we accept the primacy of construction over its parts, we could avoid polysemy at the level of words”.

Dada a frequência do fenômeno da polissemia, é essencial ter muita atenção ao contexto nas tarefas de tradução. Durante o ato tradutório, procure certificar-se de que você entende o sentido das palavras no texto fonte; se algo soa estranho, não culpe o autor do texto: pode ser que você esteja pensando apenas no sentido mais prototípico de uma palavra que também tem sentidos subsidiários.

Além de atenção durante o ato tradutório, é essencial fazer algumas revisões do texto de chegada. E agora que temos cinco horas de prova discursiva, proofreading ficou mais factível ainda! O que sempre sugiro a meus alunos é um proofreading em duas etapas:

Cheers!

 

Bibliografia

Dicionário Houaiss Eletrônico da Língua Portuguesa (2009)

Macmillan Dictionary

RÓNAI, Paulo. Escola de Tradutores. Rio de Janeiro: José Olympio, 2012.

SCHMIDT, Goran. Polysemy in Translation: selecting the right sense.

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Chego, finalmente, ao último texto. Deixei o texto 4 por último porque me pareceu o mais difícil — aliás, não só o texto, mas a forma como os itens foram elaborados. Na verdade, o fato de o texto ser adaptado dificultou bastante sua compreensão: a versão completa, sem os cortes feitos pela banca, me parece mais clara.

Questão 40. Decide whether the folowing statements are right (C) or wrong (E) according to text IV.

1. The author criticizes Krapp’s argument that exemplars of transplanted languages or dialects such as Acadian French are more archaic than the original ones, which continued evolving in their home countries.

ERRADO. Note que essa não é a teoria de Krapp; na verdade, ele argumenta contra aqueles que argumentam isso. É o que diz a passagem “George Philip Krapp, among others, makes a compelling argment against the theory that a transplanted dialect or language suddenly has its linguistic development arrested”. Note também que o fato de a autora do texto qualificar esse argumento de Krapp como compelling é uma forma de ela mostrar adesão ao discurso de Krapp (e não de oposição a ele, como afirma o item).

[O gabarito preliminar deu o item como ERRADO.]

2. The author asserts that the early dialect of colonial Americans was not influenced and shaped by large waves of immigrants from many origins.

Se com “early dialect” o item faz referência a “the founding generation of settlers”, o item está certo. O texto afirma que “but in order for linguistic innovation to really take root, you need a bunch of colonial babies. The founding generation of settlers wasn’t immediately followed by a huge influx of immigrants with other dialects and languages until an American koine was already mostly established […]” (l.44-48).

[O gabarito preliminar deu o item como CERTO.]

3. According to the text, the fact that social origin was not as easy to identify based on the koine of eighteenth-century Americans as was the case with contemporary Britons reflected the early American colonies’ egalitarian ethos.

O item parece extrapolar o que diz o texto. A autora até afirma que “in colonial America speakers of all classes and regions might have used these forms, dilluting them as signs of social status” (l.15-17), mas isso não necessariamente significa que o fato de que era difícil de identificar a origem social dos americanos com base em sua língua comum refletia um ethos igualitário. Não me parece que o autor defende que as mudanças linguísticas tinham como objetivo de diluir as diferenças sociais, de tornar a sociedade mais igualitária; as mudanças, conforme descritas no texto, ocorrem independentes de um ethos: “in the context of a linguistic melting pot, a kind of linguistic leveling occurs, and a common mode of speech, or koine, emerges” (l.34-36).

[O gabarito preliminar deu o item como ERRADO.]

4. It can be said from the text that to British ears, contemporary American accents belie declining grammar standards in America as compared to Colonial times.

Difícil entender esse item: estamos falando de accent, um fenômeno fonético, ou de grammar standards?

Quando fala do passado, a autora afirma que muitos descreviam o dialeto americano do início do século 18 como bem próximo daquilo que era considerado a norma culta britânica da sociedade londrina, mesmo com os diferentes acentos/sotaques (l.11-14); ou seja, “early Americans spoke with a standard dialect all their own that was often met with approval by English observers” (l.3-5). Quando fala sobre os dias atuais, a autora apenas afirma que alguns sotaques americanos não têm o mesmo tipo de aprovação dos observadores ingleses que tinham no passado (l.5-6).

O item parece estar falando dos accents, já que menciona “to British ears“, mas não me parece ser possível relacionar isso a “grammar standards” com base no texto.

[O gabarito preliminar deu o item como ERRADO.]

Questão 41. In text IV, without altering the general meaning of the sentence, “pinpoint” (l.10) could be replaced by (mark right — C — or wrong — E)

1. convey

ERRADO. Convey não manteria o sentido geral do período.

[O gabarito preliminar deu o item como ERRADO.]

2. ascertain

CERTO. Não encontrei como sinônimos no Random House Roget’s Thesaurus nem no Merriam-Webster’s Online Dictionary, mas a questão não diz que precisam ser sinônimos, mas sim que não deve ser alterado o sentido geral do período. Ascertain cabe naquele contexto.

[O gabarito preliminar deu o item como CERTO.]

3. determine

CERTO. É inclusive sinônimo de pinpoint.

[O gabarito preliminar deu o item como CERTO.]

4. compare

ERRADO. Compare não manteria o sentido geral do período.

[O gabarito preliminar deu o item como ERRADO.]

Questão 42. Considering the grammatical and semantic aspects of text IV, decide whether the following items are right (C) or wrong (E).

1. The expression “hold their tongue with” (l.54 and 55) could be replaced by uphold their dialect against without altering the meaning of the sentence.

Me parece uma interpretação possível do uso da expressão hold your tongue nesse contexto específico.

[O gabarito preliminar deu o item como ERRADO.]

2. The expression “a bunch of” (l.45) could be replaced by a cluster of without altering the meaning of the passage.

CERTO. Bunchcluster são inclusive considerados sinônimos.

[O gabarito preliminar deu o item como CERTO.]

3. The word “assimilated” (l.52) could be correctly replaced by blended, without altering the meaning of the passage.

CERTO. Os sentidos são bem próximos nessa passagem.

[O gabarito preliminar deu o item como CERTO.]

4. The adjective “compelling” (l.25) could be replaced by thorough in this particular context.

O sentido de compelling remete a persuasão, enquanto o sentido de thorough remete a completude; um argumento pode ser thorough sem ser compelling e vice versa. Quando a autora descreve o argumento como compelling, ela está dizendo que está convencida por esse argumento — esse sentido não seria mantido se o adjetivo fosse substituído por thorough.

[O gabarito preliminar deu o item como ERRADO.]

Cheers!

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Questão 43. Considering the grammatical and semantic aspects of text V, decide whether the following items are right (C) or wrong (E).

1. The word “enjoined” (l.27) cannot be replaced by endorsed in that particular context.

Inicialmente, é preciso ter muita atenção, pois o item está na negativa (“cannot“). Além disso, é preciso avaliar bem o sentido de enjoin no texto, já que esse verbo é um contrônimo, ou seja, em sua polissemia, engloba sentidos antagônicos: enjoin pode querer dizer “to prescribe authoritatively and with emphasis”, mas também “to prohibit, forbid” (Oxford English Dictionary).

No texto, o sentido é o primeiro. Sabemos disso tanto porque o autor está discutindo as causas da credibilidade de uma crença (ou seja, pelo contexto) quanto pela estrutura sintática que completa o sentido do verbo — enjoin com o segundo sentido teria como complemento someone from (doing) something, o que não é o caso.

Qualquer que seja o sentido de enjoin aqui, endorse não é usualmente considerado seu sinônimo (Cf. Random House Roget’s Thesaurus Merriam-Webster’s Online Thesaurus). Minha única preocupação, entretanto, é que o item fala “in this particular context” e não diz nada sobre a necessidade de serem sinônimos ou de o sentido exato ser mantido. Endorsed faz sentido no texto, mas não é sinônimo de enjoin. Acredito que o CESPE vai considerar o item errado.

[O gabarito preliminar deu o item como CERTO.]

2. The expression “on a par” (l.20 and 21) means competing.

ERRADO. On a par with quer dizer “em pé de igualdade com” (Dicionário Porto de Inglês – Português).

[O gabarito preliminar deu o item como ERRADO.]

3. The text asserts that facts should be judged to be the sole standard against which to define beliefs.

ERRADO. O texto afirma justamente o contrário (l.31-37).

[O gabarito preliminar deu o item como ERRADO.]

4. The word “contingent” (l.34) is synonymoys with necessary.

ERRADO. Veja aqui o sentido de contingent.

[O gabarito preliminar deu o item como ERRADO.]

Cheers!

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Questão 39. Decide whether the statements below, concerning the ideas and the vocabulary of text III, are right (C) or wrong (E).

1. The contrast between the images created by the expressions “monochrome, middle-aged and male” and “silk scarves and coloured jackets” functions as a rhetorical resource which reinforces the idea that French diplomacy is becoming a more feminine realm.

CERTO. O que afirma o item é confirmado inclusive por aquilo que está escrito após os dois pontos no texto: “in that year, nearly a third of the ambassadorial corps was made up of women”. A figura retórica utilizada é a metonímia.

[O gabarito preliminar deu o item como CERTO.]

2. In spite of some passages which might be taken as ironic, it is correct to conclude that the text considers the changes in French diplomacy to be positive.

CERTO. Apesar de o autor afirmar que não é muita coisa que muda com uma embaixadora, ele também afirma, na sequência, que “perhaps most importantly, a less male representation projects a less fusty national image at a time when soft power counts for ever more”. Assim, a mudança parece ser considerada de forma positiva.

[O gabarito preliminar deu o item como CERTO.]

3. According to the text, the foreign minister Laurent Fabius was appointed immediately after Mrs. Alliot-Marie’s term.

ERRADO. O autor fala de “Laurent Fabius, the foreign minister, whose predecessor but one was a woman, Michèle Alliot-Marie”.

[O gabarito preliminar deu o item como ERRADO.]

4. The mentioning of “fine cuisine” (l.3) suggests that the French ambassadors were in Paris also to learn about French gastronomy, due to its relevance in French culture.

No item, “to learn about French gastronomy” passa uma ideia de propósito: um dos propósitos da ida dos embaixadores a Paris seria esse de aprender sobre a gastronomia francesa. Contudo, o texto não afirma que esse seria um dos propósitos da convocação dos embaixadores; “fine cuisine” pode ser simplesmente a experiência de comer em restaurantes requintados, sem o propósito de aprender algo. Não acredito que essa inferência sugerida pelo item possa ser feita com base no texto, nem em termos lógicos, nem em termos semânticos, nem em termos pragmáticos (Cf. FIORIN, José Luiz. São Paulo: Contexto, 2017, p. 31-45).

[O gabarito preliminar deu o item como ERRADO.]

Cheers!

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Questão 37. Considering the ideas and the vocabulary of text II, decide whether the statements below are right (C) or wrong (E).

1. It can be correctly inferred that, when it came to hiring, the Foreign Office had a clear preference for bright young people.

ERRADO. O texto não afirma nada que pudesse levar a essa inferência. É claro que o autor do texto, por ter iniciado sua carreira aos 22 anos de idade, pode ser considerado young, mas isso não permite a inferência de que a preferência era por jovens em geral. Além disso, nada é dito sobre como as três etapas do processo de seleção eram conduzidas e se isso permitia que o Foreign Office contratasse como preferia.

[O gabarito preliminar deu o item como ERRADO.]

2. After all stages of the Civil and Diplomatic Service entrance exams, the number of candidates admitted was around 20.

CERTO. O texto afirma que “Only a score or so survived the final stage to be admitted to the Foreign Office”.

[O gabarito preliminar deu o item como CERTO.]

3. With the expression “And that was that” (l. 10 and 11), the author reinforces the idea indicated by “the lack of formal preparation for the job” (l.2).

CERTO. Esse é o sentido da expressão no contexto: o autor passou por treinamento durante cerca de um mês e, logo depois, passou a ser responsável pelos países africanos francófonos e pela Libéria. Essa foi toda a preparação formal que recebeu para suas funções.

[O gabarito preliminar deu o item como CERTO.]

4. The word “genial” (l.15) means unusually intelligent.

ERRADO. De acordo com o Guia Prático de Tradução Inglesa, de Agenor Soares dos Santos, genial não é “genial”, mas sim “agradável, jovial, alegre, bondoso, simpático”. Não confundir com o adjetivo genius.

[O gabarito preliminar deu o item como ERRADO.]

Questão 38. Decide whether the statements below, which concern the ideas of text II and the vocabulary used in it, are right (C) or wrong (E).

1. From the author’s account, it can be correctly inferred that he was expected to translate from French to English and vice versa, as part of his job as a diplomat.

CERTO. O autor afirma que “I was there to interpret between English and French”.

[O gabarito preliminar deu o item como CERTO.]

2. The word “unsparingly” (l.13) can be correctly replaced by unmercifully, without this changing the meaning of the text.

CERTO. O sentido de unsparing é o mesmo de unmerciful no contexto.

[O gabarito preliminar deu o item como CERTO.]

3. The fact that the author didn’t know the meaning of the word “roselle” and translated it as “jute” was prejudicial to British Minister.

ERRADO. Depois da reunião, o autor entrou em contato com um amigo francês para perguntar sobre o sentido da palavra “roselle“. O amigo, no dia seguinte, disse ao autor que a palavra podia ser usada para fazer referência à fibra da juta. Assim, a tradução feita pelo autor não prejudicou o ministro britânico.

[O gabarito preliminar deu o item como ERRADO.]

4. The passage “a wet-behind-the-ears but fully functioning British diplomat” (l.12) indicates that the author’s inexperience didn’t prevent him from getting a position of responsibility in the Foreign Office. 

CERTO. “Wet behind the ears” passa essa ideia mesmo de inexperiência, e “fully functioning” de fato faz referência, naquele contexto, a sua responsabilidade, como diplomata, pelos países africanos francófonos e pela Libéria.

[O gabarito preliminar deu o item como CERTO.]

Cheers!