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A divulgação dos resultados da prova de terceira fase de língua inglesa se aproxima, e muitos me perguntam sobre a interposição de recursos. Após analisar minuciosamente tanto as provas às quais tive acesso ano passado quanto as respostas da banca examinadora a recursos interpostos, escrevo aqui algumas observações e recomendações no que diz respeito à interposição de recursos na tarefa Translation Part A.

  1. Não use qualquer dicionário

Nas tarefas de tradução, a interposição de recursos depende quase que exclusivamente do uso de dicionários: os recursos mais comuns são aqueles em que o candidato tenta demonstrar para a banca examinadora que sua solução de tradução está correta por meio da citação de definições de dicionários monolíngues, de traduções em dicionários bilíngues, de relações de sinonímia etc. Como qualquer outro tipo de recurso, o recurso com base em dicionários precisa ter como respaldo fontes que sejam consideradas authoritative; a autoridade da fonte torna seu argumento no recurso mais irretorquível.

É aconselhável evitar citar como fontes dicionários simplificados dirigidos a um público estrangeiro, pois, nas palavras da própria banca, eles carecem “de sofisticação lexicográfica por ter como público-alvo aprendizes de inglês”. Assim, evitem citar dicionários escolares (ou learner’s dictionaries), versões abridged de grandes dicionários e recursos online como o The Free Dictionary (esse exemplo em particular foi dado pela própria banca em resposta a um recurso).

Para uma lista de dicionários indicados, sugiro dar uma olhada no Guia de Estudos de 2010 aqui.

  1. Não é porque a sua solução de tradução existe em um dicionário que ela está correta

Ao utilizar dicionários bilíngues em seus recursos, cuidado: você pode ter traduzido uma palavra / unidade de tradução do texto fonte exatamente como sugerido por seu dicionário bilíngue, mas isso não significa que aquela tradução esteja correta naquele contexto.

Explico melhor por meio de um exemplo. Na Translation Part A de 2015, o texto começava assim: “It was once the custom for British ambassadors to write a valedictory despatch at the end of their posting”. De todas as provas que analisei, apenas 3% apresentaram soluções de tradução para despatch que foram aceitas pela banca. Em seus recursos, muitos candidatos argumentaram que “a tradução é considerada correta de acordo com o dicionário xxx”. No entanto, despatch não tinha, de fato, o sentido de “despacho” naquele contexto. Copio aqui uma explicação da banca examinadora:

“O contexto apresentado, aqui, é o de um relatório/comunicado de despedida, uma espécie de balanço final de uma carreira diplomática. Não se trata de um despacho ­ carta oficial ou ofício públicos que um ministro envia a outro. O autor, um diplomata, ao se aposentar, relata fatos ­ alguns deles de natureza jocosa, o que seria inadmissível em um despacho, que vivenciou, expressando opiniões pessoais e, por vezes, nada diplomáticas sobre a população dos países onde serviu. Ademais, tal relatório tem livre circulação entre os funcionários do ministério, o que não ocorreria no caso de despachos.”

Portanto, sempre considere se aquela tradução é pertinente para aquele contexto – em termos de sentido, de naturalidade no idioma de chegada, de ser uma série usual, de respeitar o registro do texto fonte etc. É o contexto que define se uma tradução é adequada ou não, não o dicionário. Ainda nas palavras do examinador:

“dicionários simplesmente arrolam algumas possibilidades de significado de um dado vocábulo, independentemente da existência de um determinado contexto. Tal contexto é que definirá se esse ou aquele vocábulo se adéqua à estrutura morfossintática, à precisão semântica, ao uso etc. da frase em questão. Não se trata, portanto, de mero significado mas de significado naquele contexto específico.”

Por isso, no ato tradutório, é importante que você verifique se:

– compreendeu bem o texto: tradução é, antes de qualquer coisa, interpretação de texto. Certifique-se de que você entende o sentido de cada palavra / unidade de tradução naquele contexto. Pense se a palavra é polissêmica. Dentre as provas às quais tive acesso ano passado, 50% dos candidatos traduziram reviews em “capability reviews” como “revisões”. Review é uma palavra polissêmica, e seu sentido não é de “revisão” naquele contexto, mas sim de “avaliação”.

– sua tradução soa natural em português: correção lexical é um critério de avaliação, e fazer uso de séries usuais em português é algo exigido na prova. É preciso ir além do sentido da cada palavra: o produto final é um texto, e o texto deve ser em português, não em “tradutês”. Na prova de 2015, muitos candidatos (46%, na minha amostragem) tiveram dificuldades com a tradução de render em “the ability to render incisive judgment”. A tradução de render para o português dependia muito da tradução do complemento desse verbo (“judgment”). A banca aceitou traduções como “fazer um julgamento” e “elaborar um julgamento”, mas não aceitou formulações como “entregar um julgamento”– ainda que, em outros contextos, render possa ser traduzido como “entregar”.

– seu texto respeita o registro do texto fonte: esse também é um critério de correção. Tenho um aluno que traduziu wit, no texto de 2015, como “esperteza” e foi apenado. Apesar de argumentar que “esperteza” é sinônimo de “perspicácia” e “sagacidade” (outras traduções que foram aceitas para o termo), a banca respondeu que “o registro não se coaduna com a natureza do texto”.

Dessa forma, no seu recurso, não basta alegar que a tradução consta de um bom dicionário: é preciso demonstrar à banca que ela é adequada ao contexto. Isso pode ser feito, por exemplo, por meio do recurso a outros (con)textos. Tenho um aluno que traduziu, na mesma tarefa, “Whether written with quill” como “Fosse escrito com pena”. Ele foi penalizado (-0,5), como outros candidatos, pelo uso do “com”. Em seu recurso, o candidato alegou que a expressão “com pena” é de uso consagrado na língua portuguesa e citou um trecho que localizou na obra de Machado de Assis. A apenação foi revertida, possivelmente porque o candidato conseguiu demonstrar que a expressão é apropriada (note, também, a autoridade a que recorreu para demonstrar isso).

  1. O recurso à sinonímia *pode* funcionar

Não é raro a banca aceitar alguma solução de tradução após a interposição de um recurso que argumente que a solução utilizada no texto de chegada é sinônima a outras soluções que você já sabe, após ver a correção da prova de colegas, que foram aceitas. Em 2015, um aluno que havia traduzido wit como “sagacidade” foi apenado. Em seu recurso, argumentou que “segundo o Dicionário Houaiss de Sinônimos e Antônimos, ‘sagacidade’ é sinônimo tanto de ‘inteligência’ quanto de ‘perspicácia’”. O recurso foi deferido.

Esse tipo de recurso, entretanto, não necessariamente garante a devolução do ponto, já que, como bem ressalta a banca na resposta a um recurso,

“num dado contexto, palavras sinônimas podem não desempenhar a mesma função e uma pode se adequada e, seu sinônimo, não. A criação de um universo textual, geralmente, inviabiliza a sinonímia absoluta.”

Tendo isso em mente, em seu recurso, não basta destacar a sinonímia: procure demonstrar que a sua solução de tradução não só tem o mesmo sentido que outras que foram aceitas, mas também soa natural, respeita o registro do texto fonte etc.

  1. Citar outras provas *pode* funcionar

Em 2015, alguns candidatos, após estudarem as correções de suas provas e das provas de colegas, notaram grandes disparidades nas correções, no sentido de que algumas soluções de tradução foram aceitas em algumas provas e, em outras, não.  Solicitando a permissão dos colegas, ao interpor recursos, alguns candidatos mencionaram que a tradução que na prova deles foi considerada errada fora aceita na “prova de número de máscara xxxxx”. Na maior parte dos casos (na minha amostragem, ao menos) em que esse tipo de argumentação foi usado, o recurso foi deferido. Por exemplo, o único caso em que vi a banca aceitar a tradução “caráter” para character após a interposição de recursos foi justamente em um recurso que citava outras provas nas quais “caráter” havia sido aceito.

No entanto, destaco aqui que 1) não é possível determinar se esses recursos foram deferidos por causa da menção dessas disparidades, já que eles não consistiam tão somente nesse argumento e 2) nem todos os recursos que seguiram essa linha argumentativa foram deferidos.

*****

A recomendação mais importante para quem vai receber sua prova corrigida na próxima semana é: interponha recursos. Mesmo que você não tenha nenhuma chance de aprovação este ano. Em primeiro lugar, porque essa é uma oportunidade de aprender a interpor recursos (como redigir seus textos, como funciona a plataforma etc.). Em segundo lugar, porque as respostas aos recursos (quando não consistem apenas em “deferido/indeferido”) nos ensinam muito sobre as visões e as expectativas da banca. Por fim, porque avaliar seu desempenho, aprender com seus erros e com os de outros candidatos e entender as posições da banca são formas muito valiosas de começar a se preparar para o próximo CACD!

Cheers!

 

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Dando sequência ao post em que discuti a importância de estudar tradução, não só para as tarefas de tradução da prova de inglês na terceira fase do CACD, mas também como método para incrementar a competência na língua inglesa, hoje escrevo sobre algumas formas de dar início a esses estudos sem a instrução de um professor/tradutor.

Publicações bilíngues

Analise o trabalho de outros tradutores! Isso permite que você reflita sobre as decisões que precisam ser tomadas quando se traduz um texto. Comece por textos curtos, sobre temas que você conhece bem, e vá progredindo para textos mais longos e mais complexos em termos semânticos e sintáticos. No site do Itamaraty, por exemplo, há vários textos em português, como notas e discursos, acompanhados de versões para a língua inglesa.

Para os que já buscam maiores desafios, edições bilíngues de obras literárias são uma ótima opção. Existe uma coleção de livros bilíngues da qual gosto muito, por sua praticidade, publicada pela editora Landmark. A coleção tem títulos clássicos como Dracula, Moby Dick e até nosso querido Orlando, de Virginia Woolf. Essas são boas opções para quem quer estudar o par inglês-português. Para quem deseja estudar o par português-inglês, uma ideia é procurar a versão para o inglês de alguma obra em português que você já leu. Eu gostei de ler, mais recentemente, Barren Lives (versão de Vidas Secas, de Graciliano Ramos), Confession of the Lioness (versão de Confissão da Leoa, de Mia Couto) e The Hour of the Star (versão de A Hora da Estrela, de Clarice Lispector), por exemplo.

Exercícios de tradução

Practice makes perfect! Além de estudar traduções já prontas, é essencial que você também traduza. Uma obra de referência para translators in training é o Vocabulando Pack, de Isa Mara Lando. O Vocabulando Pack consiste em um dicionário de falsos cognatos e de termos mais complicados de traduzir (por sua polissemia, por exemplo) e um workbook com exercícios de tradução. Recomendo o uso da edição mais nova (capa vermelha), pois está atualizada e mais completa.

Outro exercício recomendado é selecionar um trecho curto de uma publicação bilíngue e, antes de ler a tradução já pronta, tentar, você mesmo, traduzi-lo. Depois, compare seu texto de chegada com o texto do tradutor. É claro que seu texto não precisa ser – e muito provavelmente não será – igual ao do tradutor, até porque, normalmente, há diversas possibilidades de tradução para o mesmo texto. Mas compare os dois textos em termos de precisão semântica e sintática, fidelidade ao texto fonte, naturalidade no idioma de chegada etc. É bem possível que, se você estiver fazendo esse trabalho sem o auxílio de um professor/tradutor, alguns erros ou “pontos a melhorar” passem desapercebidos, mas, ainda assim, há muito a se ganhar com esse exercício! Ele pode ser feito com ou sem apoio externo (dicionários, glossários etc.), dependendo do seu objetivo com esse exercício.

Estudos de Tradução

Estudar teoria da tradução não é um requisito essencial para começar a traduzir. Até historicamente, a prática da tradução precede a teorização em centenas de anos. Mas ter algumas noções teóricas ajuda a tornar o ato tradutório algo mais consciente e crítico – e é claro que isso tem impactos extremamente positivos tanto no processo de aquisição de uma língua estrangeira quanto no próprio produto final do processo de tradução. O que não falta é literatura nessa área de conhecimento. Algumas obras indicadas, para quem se interessar, são Oficina de Tradução, de Rosemary Arrojo, Tradução: Teoria e Prática, de John Milton, Introducing Translation Studies, de Jeremy Munday, e Translation and Translating, de Roger T. Bell.

Cheers!

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Finalmente, chego ao último – na verdade, ao primeiro rs – texto da prova de inglês do TPS!

Questão 32. Decide whether the following statements are right (C) or wrong (E) according to text I.

1. The author asserts that the Orient, as Europeans tend to see it, is a culturally ancient creation.

ERRADO. O texto não diz que os europeus tendem a ver o Oriente como uma “culturally ancient creation”. O autor só afirma que 1) o Oriente era quase uma invenção europeia e que 2) o Oriente era um lugar associado ao romance, aos seres exóticos etc. desde a antiguidade.

2. The Portuguese as well as other European peoples share the exact same Orientalist tradition as the British.

ERRADO. Consta do texto que “[…] the French and the Britishless so the Germans, Russians, Spanish, Portuguese, Italians, and Swiss–hav had a long tradition of what I shall be calling Orientalism”. No contexto, less quer dizer “to a smaller degree”, o que indica que não se trata da “exact same tradition”.

3. Even though the Orient neighbours Europe, the peoples of this region are the most likely to appear as Europe’s Other.

O texto afirma que “the Orient is not only adjacent to Europe; it is also […] one of its deepest and most recurring images of the Other”. A relação de alteridade entre a Europa e o Oriente está clara nesse trecho. O problema é que o item afirma que “the peoples of this region are the most likely to appear as Europe’s Other”. The most likely considerando quem? O texto não menciona povos de outras regiões. Veja a explicação do English Grammar Today, da Cambridge University Press, sobre essa estrutura:

We can compare how probable different things are using likely and unlikely with as … as, more, (the) most, less and (the) least:

Steve is as likely to get the job as Dora. They’re both very well qualified.

People are more likely to take climate change seriously if they can understand the economic consequences for their own lives.

Kevin is (the) least likely to want to get married of all his friends.

Como o texto fala em “one of its [Europe’s] deepest and most recurring images of the Other”, sem ressaltar que é a mais recorrente, considero o item ERRADO.

4. It can be said that the French journalist quoted in the text was disappointed not to find the landscape once described by the referred writers.

CERTO. Acredito que é possível inferir isso devido ao uso de regretfully (l.2).

Questão 33. Considering the grammatical and semantic aspects of text I, decide whether the following items are right (C) or wrong (E).

1. The word “Orientalist” (l. 49) could be correctly replaced by Orientalists.

ERRADO. Na linha 49, Orientalist é um adjetivo, e adjetivos não têm flexão de número na língua inglesa.

2. The texts defined by E.W. Said as Orientalist, albeit numerous, always suggest the Occident’s superiority.

Said afirma que “out of that closeness, whose dynamic is enormously productive even if it always demonstrates the comparatively greater strength of the Occident (British, French, American), comes the large body of texts I call Orientalist”. O item só não me parece ser uma paráfrase fiel do texto por causa da escolha do verbo suggest, que tem uma carga semântica bem diferente daquela do verbo demonstrate, especialmente em textos de cunho acadêmico e científico (Cf. Academic Vocabulary in Use, Unit 32, Cambridge University Press). Essa é uma observação que pode ser encontrada nos sites de várias universidades. Veja as recomendações que constam do site da University of Georgia (veja aqui recomendações da University of Leeds e aqui as da University of Toronto):

Choose your inferential words carefully. Experienced scientific writers have a mental toolkit of phrases to characterize how their evidence relates to possible conclusions. For example, we can say that a piece or body of evidence ” is compatible with” or “suggests” or “indicates” or “shows” or “proves” an idea. This list is in rough order of degree of certainty:

“Are compatible with” or “are consistent with” means that our data are compatible with more than one interpretation, but at least they’re compatible with the interpretation at issue.“Suggest” means that our data support the interpretation at issue more than they support other interpretations, but we’re far from certain about that interpretation.

“Indicate”, “show”, and “demonstrate” represent a higher level of certainty, in that hardly any other interpretation could account for the data.

“Prove” means that there is absolutely no possibility that any other interpretation could be correct. Most scientists never use the word “prove” in their writing.

O nível de modalização (ou seja, a forma como enunciador adere a seu enunciado) é bastante diferente se compararmos o texto e o item, então concluo que está ERRADO.

 

3. The adjective “remarkable” (l.8) could be replaced by significant or uncanny in the context of the text.

Para não voltar às discussões da questão 42 e da questão 39.4, se pensarmos apenas no sentido dessas palavras, a questão poderia ser considerada certa, já que remarkable é uma related word de significant, remarkable também é uma related word de uncanny.

4. The expression “coming to terms with” (l.17) could be replaced by assimilating, without altering the meaning of the sentence.

ERRADO. Come to terms não tem o sentido de assimilate.

Questão 34. According to text I, decide whether the following statements are right (C) or wrong (E).

1. The notion of Orientalism, which the author intends to investigate, is built upon a volume of written texts throughout the centuries.

Há vários problemas na formulação nesse item, mas suponho que a resposta esperada seja ERRADO, já que o texto fala que “”to speak of Orientalism therefore is to speak mainly, although not exclusively, of a British and French cultural enterprise, a project whose dimensions take in such disparate reals as the imagination itself, the whole of India and the Levant, the spice trade, colonial armies and a long tradition of colonial administrators, a formidable scholarly corpus, innumerable Oriental ‘experts’ and ‘hands’, an Oriental professorate, many Eastern sects, philosophies and wisdoms domesticated for local European use–the list can be extended more or less indefinitely“.

2. The Orient has taken part in molding the contemporary European experience.

O item não me parece muito claro, mas acredito que a resposta seja CERTO visto que o texto afirma que “the Orient has helped to define Europe (or the West) as its contrasting image, idea, personality, experience“. O uso do Present Perfect indica que isso ainda se aplica à atualidade.

3. The British and French tradition of Orientalism is forged through the colonial experience and academic corpora.

Para mim, o item é muito parecido com o 34.1, até porque pode ser considerado ERRADO pelos mesmos motivos. O autor do texto menciona domínios que compõem esse projeto cultural da França e da Grã-Bretanha que vão muito além de “the colonial experience and academic corpora”, incluindo a imaginação e todo um professorado (além disso, o texto fala de “formidable scholarly corpus”, no singular, e não em “academic corpora”, no plural).

4. Presently, America situates itself in a different position towards the Orient, regarding British and French perspectives.

CERTO. O texto afirma que “since World War II America has dominated the Orient, and approaches it as France and Britain once did“. Na oração sobre os Estados Unidos, o verbo está no Present Perfect, o que indica que, desde a Segunda Guerra Mundial até hoje, os Estados Unidos se posicionam dessa forma com relação ao Oriente; após ler “as France and Britain once did”, que está no Past Simple, vemos que a posição atual dos Estados Unidos é similar à antiga posição dos outros dois países.

35. In text I, without altering the meaning of the sentence, the noun “realms” (l.35) could be replaced by (mark right–C–or wrong–E):

1. spheres.

2. domais.

3. grounds.

4. divisions.

Itens 1 e 2 estão CERTOS; itens 3 e 4 estão ERRADOS.

Cheers!

 

 

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Questão 36. Considering the ideas and the vocabulary of text II, decide whether the statements below are right (C) or wrong (E).

1. The word “ineluctability” (l.13) is synonymous with questionability.

ERRADO. Ineluctabilityquestionability não têm o mesmo sentido.

2. The expression “sleight of hand” (l.14) carries the notion of skilful deception.

CERTO. Veja o sentido de sleight of hand.

3. The author asserts that, even though “space” is an extension to be travelled, it is nowadays intertwined with the notion of time.

O texto afirma que “it is perhaps less often made explicit that one of the crucial manouevres at work within it, to convince us of the ineluctability of of this globalisation, is a sleight of hand in terms of conceptualisation of space and time“. Então, sim, a noção de espaço está relacionada à noção de tempo hoje em dia nessa visão de que a globalização é algo inevitável. Minha única ressalva está relacionada a “‘space’ is an extension to be travelled”, na qual extension parece estar sendo usado no item para parafrasear expanse em “an expanse we travel across”. Extension não tem esse sentido – compare as definições em outros dicionários também, como no OLD (aqui e aqui) – e nem parece fazer sentido na oração (como alguém poderia travel an extension, considerando os sentidos mencionados nos verbetes?). De qualquer forma, imagino que o gabarito preliminar vai dar a questão como certa.

4. The adjective “coeval” (l.19) could be replaced by coetaneous without changing the meaning of the sentence.

CERTO. (Aqueles momentos em que estudar latim ajuda na prova de inglês do TPS rs) Quando li as duas palavras, notei que o prefixo era o mesmo e me questionei se -val-taneous poderiam ter o mesmo valor semântico. Me lembrei de medieval, do latim medium aevume logo lembrei que aevum quer dizer algo como “idade, época” (pensei em “medium aevum” e “Idade Média”). Daí inferi que coeval queria dizer algo como “contemporâneo“. No caso de coetaneous, me lembrei de momentaneous simultaneous, que são vocábulos que remetem a uma noção de tempo, e lembrei que aetas também tem esse sentido de “idade”. Mas só tive certeza de que o raciocínio estava certo quando olhei aqui rs.

Questão 37. Decide whether the statements below, concerning the ideas and the vocabulary of text II, are right (C) or wrong (E).

1. The social and political consequences of the definition of globalisation are that some countries may be regarded as delayed in their historic progression.

Se o item dissesse “in the historical progression”, eu consideraria certo, já que o autor do texto afirma que “and this has social and political effects. It says that Mozambique and Nicaragua are not really different from ‘us’. We are not to imagine them as having their own trajectories, their own particular histories, and the potential for their own, perhaps different, futures. […] They are merely at an earlier stage in the one and only narrative that is possible to tell”.

Mas o item diz “historic progression”, e historical historic não têm o mesmo sentido. Segundo o OLD, “historic is usually used to describe something that is so important that it is likely to be remembered: Today is a historic occasion for our countryHistorical usually describes something that is connected with the past or with the study of history, or something that really happened in the past: I have been doing some historical research. Was Robin Hood a historical figure?“. Veja também aqui e aqui. Por isso, considero o item errado – mas não me espantaria se a questão fosse dada como certa no gabarito preliminar.

2. The phrase “obliterates the multiplicities” (l.22) can be replaced by removes diversities without changing the meaning of the sentence.

CERTO. Obliterate é considerado sinônimo de remove pelo Random House Roget’s Thesaurus, e diversity é considerado sinônimo de multiplicity pelo Merriam-Webster’s Online Thesaurus. O sentido, portanto, é mantido.

3. In the text, the adjective “totemic” (l.26) is the same as emblematic.

CERTO. O Merriam-Webster’s Online Dictionary explica que “totem comes to us from Ojibwa, an Algonquian language spoken by an American Indian people from the regions around Lake Superior. The most basic form of the word in Ojibwa is believed to be ‘ote,’ but 18th-century English speakers encountered it as ‘ototeman’ (‘his totem’), which became our word totem. In its most specific sense, ‘totem’ refers to an emblematic depiction of an animal or plant that gives a family or clan its name and that often serves as a reminder of its ancestry. The term is also used broadly for any thing or person having particular emblematic or symbolic importance. The related adjective ‘totemic’ describes something that serves as a totem, that depicts totems (‘totemic basketry,’ for example), or that has the nature of a totem.”

4. Globalisation, as a project, intends to respect and promote different futures and dynamics for different countries. 

ERRADO. O autor afirma que “that cosmology of ‘only one narrative’ obliterates the multiplicities, the contemporaneous heterogeneities of space. It reduces simultaneous coexistence to place in the historical queue”.

Cheers!

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Questão 38. Decide whether the following statements, concerning the grammatical and semantic aspects of text III, are right (C) or wring (E).

1. Both the author of the book itself and the reviewer agree that African countries should not have had their independence determined by outside forces.

ERRADO. O autor do texto relata o argumento do autor do livro, mas não se posiciona favoravelmente quanto a isso: “here, the argument becomes outright theological: The sovereignty accorded by outside actors represents the ‘original sin’ of African statehood”.

2. Most publications tend to propose explanations for the situation of African and Asian countries in a generalised form.

ERRADO. O autor do texto afirma que “current writing about Africa is characterised, firstly, by a remarkable tendency to generalise about the entire continent, which no author specialising in Asia, for example, would dare contemplate“.

3. If “yardstick” (l.2) is replaced by criterion in the text, it would be necessary to change the preposition following it–“of”–in order to maintain grammatical accuracy.

ERRADO. Yardstick, nesse contexto, quer dizer “a standard for judging how good or successful something is”. Nesse sentido, é sinônimo de criterion. Entretanto, a preposição não precisaria ser alterada se houvesse substituição. Criterion tem collocation com a preposição for quando aquilo que complementa essa preposição diz respeito à finalidade do critério (ou seja, o que o critério pretende avaliar, e não a qual é o critério em si). Por exemplo:

What criteria are used for assessing a student’s ability?

a universal set of criteria for diagnosing patients

the criteria for measuring how good schools are 

No texto, “a single historical factor” não é o que o critério pretende avaliar, mas sim o próprio critério: segundo o autor do texto, Englebert argumenta que haveria um fator histórico único (a descolonização) capaz de explicar a situação dos países africanos em geral. Esse é o critério de Englebert, e a prepositional phrase “of a single historical factor” é utilizada justamente para introduzir qual é o critério.

4. The author of the review blames the problems of Englebert’s book mostly on his search for a single answer for the issues concerning African countries.

ERRADO. O autor afirma que “Englebert’s book suffers from four tendencies, the first two of which involve a dominant mode in current writing about Africa, and the third and fourth of which reflect the constraints of academic publishing, particularly in the United States of America”. Dessas quatro tendências mencionadas, apenas a segunda corresponde ao que está escrito no item: “this tendency is associated, secondly, with an intensive search for a single factor that would explain the plight of Africa […].”. O fato de que os comentários do autor sobre as outras duas tendências não constam do trecho apresentado para a interpretação não impede a identificação de que, para o autor, o livro de Englebert é marcado por quatro tendências, mas apenas uma delas – a qual em nenhum momento é comparada às outras – corresponde à tentativa de encontrar uma explicação única para explicar os problemas dos países africanos.

Questão 39. The statements below are about the ideas of text III and the vocabulary used in it. Decide whether those statements are right (C) or wrong (E).

1. The author of the review understands the problems of the African continent as a more complex issue.

CERTO. O autor afirma que “he [Englebert] is not concerned with the identification of contingent factors which, through their myriad combinations and mutual (correlated) causal processes, have led to the emergence of the current complex situation on the African continent”.

2. The word “myriad” (l. 21) is synonymous with intricate.

ERRADO. Myriad e intricate não têm o mesmo sentido.

3; Englebert’s experience in the eastern Congo is paradigmatic for the elaboration of his thesis.

CERTO. O autor afirma que “current writing about Africa is characterised, firstly, by a remarkable tendency to generalise about the entire continent […]. This usually involves the extrapolation of a single empirical situation to the entire continent. In Englebert’s case, this clearly relates to his experience in the eastern Congo, which is made to serve as an example for all of sub-Saharan Africa”. Paradigm tem o sentido de “a typical example of pattern of something”. Veja também o sentido e os sinônimos de paradigmatic.

4. The noun “constraints” (l.6) could be correctly replaced by limitations.

Novamente, a dificuldade aqui é determinar o que o examinador pretende avaliar ao perguntar se uma palavra pode substituir a outra (veja a discussão nos comentários sobre a Questão 42). No contexto, constraint quer dizer “something that limits one’s freedom of action or choice”. Nesse sentido, contraint pode ser considerado sinônimo de limitation (mas não encontrei a sinonímia no Random House Roget’s Thesaurus).

Entretanto, para substituir uma palavra por outra, é preciso também levar em conta se o texto ficaria idiomático e se seu sentido seria mantido. Uma simples busca no Google das expressões “constraints of academic publishing” e “limitations of academic publishing” mostra que a primeira expressão é infinitamente mais comum que a segunda. Além disso, me parece que pode haver, sim, alguma diferença de sentido entre as duas expressões. Compare estes dois exemplos:

a. “the perennial constraints of academic publishing, namely space, deadlines and teaching commitments

b. “The book represents a small contribution to knowledge, and as such is nothing to be sneezed at. But it also embodies the limitations of academic publishing and even of academia itself. The high cost, the lack of promotion and the incredibly long production process, all distance the book from anyone but a small number of experts

É claro que esses são apenas dois exemplos, e pode ser que essas expressões sejam usadas com o mesmo sentido, ou ainda com outros sentidos (veja aqui o texto completo de T. Bierschenk), mas só a dificuldade que a formulação do item causa para determinar o que, afinal, está sendo testado (apenas a sinonímia ou também naturalidade e possíveis diferenças de sentido) já me parece motivo suficiente para deixar a questão em branco – e mesmo para solicitar a anulação da questão.

Cheers!

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Sigo comentando as questões!

Questão 40. Considering the content of text IV, decide whether the following statements are right (C) or wrong (E).

1. US educational and cultural exchange programs have been in place for over sixty years.

ERRADO. O texto afirma que “the United States, for example, has conducted educational and cultural exchange programs for almost sixty years”.

2. The US information programs abroad started operating due to an ambassador’s complaint.

CERTO. Consta do texto que “the daily Washington File (formerly the Wireless File) began operation in the State Department in 1935 after an ambassador complained that the slow distribution of official information was ‘about as useful as a Roman ruin in a fast-changing world’”.

Due to passa uma ideia de causalidade, que talvez não seja uma ideia que relacionemos imediatamente aos sentidos de after, mas note que after, nesse contexto, tem o sentido de “because of something that happened earlier” (veja aqui).

3. The basic instruments of public diplomacy have practically remained the same.

CERTO. Consta do texto que “the basic instruments of public diplomacy are hardly new”. Ainda que o texto destaque que há mais integração hoje em dia, isso não contradiz a assertiva.

4. Public diplomacy programs still remain disconnected across government agencies.

ERRADO. O texto não diz que esses programas eram disconnected (atenção para o sentido do termo aqui, aqui e aqui) antes mesmo das mudanças, então “remain disconnected” não está correto. Se a ideia foi contrapor disconnectedintegrated (mas note que não são considerados antônimos nem pelo Merriam-Webster’s Online Thesaurus nem pelo Random House Roget’s Thesaurus), a assertiva continua errada, já que o autor afirma que “in recent months, the biggest internal change, of course, has been integration. Public diplomacy programs, once administered by the US Information Agency, are now integrated into the Department of State under the Under Secretary for Public Diplomacy and Public Affairs“. O texto ainda afirma que “public diplomacy officers serve in each of the Department’s regional and functional bureaus and in public affairs sections of the embassy”.

Questão 41. Decide whether the statements below are right (C) or wrong (E) according to the ideas and information of text IV.

1. Integration is bigger than any other internal change.

Difícil determinar se o item está certo ou errado. No texto, o autor afirma que “in recent months, the biggest internal change, of course, has been integration”. O autor destaca que isso é algo recente e com efeitos no presente, tanto pelo uso de “in recent months” quanto pelo uso do Present Perfect. A assertiva parece, ao menos incialmente, ser uma paráfrase do texto, só que sem “in recent months” e no Present Simple. É claro que o Present Perfect é um tempo que fala sobre o presente (no sentido de que, hoje, assim como nos últimos meses, a maior mudança interna é integração), mas é preciso considerar que o Present Simple não é usado só para expressar ações/estados no presente (como em This plant needs water), mas também para expressar verdades universais (como em Plants need water). O que me parece difícil de determinar é se a assertiva está falando de algo que é verdade no presente (o que estaria certo) ou de uma verdade universal (o que estaria errado).

2. Public diplomacy programs have long been integrated into the Department of State.

ERRADO. Consta do texto que “Public diplomacy programs, once administered by the US Information Agency, are now integrated into the Department of State […]”.

3. Public diplomacy officers serve either in the Department’s regional and functional bureaus or in public affairs sections of the embassy.

ERRADO. O texto afirma que “public diplomacy officers serve in each of the Department’s regional and functional bureaus and in public affairs sections of the embassy”.

4. The flow of information has been slowing its pace for years.

ERRADO. O texto afirma que “the flow of information since has neither slowed nor stopped changing”.

Questão 42. In text IV the expression “deferred gratification” (l. 5) could be replaced, without changing of meaning, by (decide whether the items below are right – C – or wrong – E):

1. Expected gratification.

2. Generous expectation.

3. Paid-off expectation.

4. Put-off gratification.

Se pensarmos estritamente nos sentidos de cada palavra, o item 4 parece ser o único correto, já que deferput off são sinônimos – e gratification  não tem o mesmo sentido de expectation. Minha única preocupação é que a questão pede para o candidato identificar se as expressões nos itens poderiam substituir deferred gratification no texto, mas deferred gratification é, mais que uma expressão fixa, um conceito da sociologia (veja aqui e aqui). Encontrei algumas referências ao conceito como delayed gratification, mas nenhuma como “put-off gratification”. Na verdade, “put-off gratification” não parece nem ser uma collocation frequente na língua inglesa (há diversas ocorrências de deferred gratification e de delayed gratification no Corpus of Contemporary American English, mas absolutamente nenhuma de “put-off gratification”). Assim, acredito que substituir “deferred gratification” por “put-off gratification” não manteria o sentido do texto, até porque não seria idiomático. O que é difícil dizer é se isso importa para o TPS como importa para a prova de inglês da terceira fase (digo isso porque é comum, nas respostas aos recursos interpostos depois da terceira fase, o examinador escrever coisas como “a combinação de ‘xxx’ com ‘yyy’ fere as leis de colocação e, portanto, de idiomaticidade na língua inglesa; não é uma possibilidade no repertório da norma culta”).

A pergunta me fez lembrar de uma pergunta do CACD 2010, comentada no Manual do Candidato de 2013.  O texto dizia:

“I went to hear Pik Botha, the foreign minister, a Hitlerian figure with a narrow moustache, an imposing bulk and a posse of security men.”

A assertiva dizia:

“posse” (l.2) and entourage are interchangeable.

Apesar de, gramaticalmente, “a posse” não poder ser substituído por “a entourage”, a resposta que a banca esperava era CERTO. Segue o comentário do Manual do Candidato (p. 47): “despite the structural impossibility of replacing a posse with a entourage, this answer was considered correct. The answer caused surprise, by apparently ignoring a grammatical issue in favour of a purely semantic choice. The answer was maintained against appeal. However, in the ‘x can be replaced by y’ or ‘x is interchangeable with y’ type of question, you would normally be well advised to check that a replacement word fits the grammatical context as well as the meaning of the text. If in doubt, you might leave a dubious option of this kind blank”. Acho o conselho mais que pertinente no nosso caso também.

Cheers!

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Conforme tenho feito nos últimos anos, publicarei uma série de posts com comentários sobre a prova de inglês do TPS 2016. É importante lembrar que essas são minhas primeiras impressões sobre a prova e que elas podem mudar caso alunos e/ou leitores me chamem a atenção para informações que podem ter passado despercebidas – por isso, fique à vontade para comentar e contribuir! 🙂 É possível que eu adicione comentários aos posts nos próximos dias, principalmente após a publicação do gabarito preliminar e do gabarito definitivo.

Inicio os comentários sobre a prova de inglês do TPS 2016 pelo Text V.

Questão 43. Based on Text V, decide whether the statements below are right (C) or wrong (E).

1. There has never been any conflict between members of WTO.

ERRADO. Consta do texto que “most trade between friendly nations, particularly those who operate within the multilaterally agreed rules of the World Trade Organisation (WTO) and other relevant international agreements, proceeds smoothly. However, disputes do arise […]”. Leia mais sobre o emphatic do.

Note, entretanto, que há um erro na assertiva, na qual deveria estar escrito members of the WTO. Atente para o uso do artigo definido antes de abreviações e acrônimos.

2. Trade disputes can be categorized into at least three facets.

CERTO. O autor do texto diz: “however, disputes do arise, and they fall into three main categories […]”.

3. Friendly nations are those ones which belong to WTO.

ERRADO. O texto diz que “most trade between friendly nations, particularly those who operate within the multilaterally agreed rules of the World Trade Organisation (WTO) and other relevant international agreements, proceeds smoothly”. Particularly quer dizer “especialmente”, o que não restringe o sentido de “friendly nations” (particularly apenas destaca, dentro de um conjunto maior de “friendly nations”, o grupo de países citado após o advérbio). Além disso, o autor do texto não destaca apenas os países da OMC (aliás, mesmo dentre esses países, o autor destaca apenas os que operam de acordo com “the multilaterally agreed rules of the World Trade Organisation”, e pode haver alguma diferença entre esses dois conjuntos de países), mas também aqueles que “operate within […] other relevant international agreements”.

Note que há, novamente, um erro na assertiva, na qual deveria estar escrito belong to the WTO. Atente para o uso do artigo definido antes de abreviações e acrônimos.

4. The majority of international trade is carried out free of difficulties.

ERRADO. Não se trata de “the majority of international trade”: o texto afirma que “most trade between friendly nations, particularly those who operate within the multilaterally agreed rules of the World Trade Organisation (WTO) and other relevant international agreements, proceeds smoothly“. A assertiva generaliza algo que está restrito no texto, já que o texto não diz nada sobre o comércio realizado entre países que não são “friendly nations”.

Alguém poderia questionar se países que não são “friendly nations” têm relações comerciais, pensando em uma interpretação com informações exteriores ao texto. Entretanto, em International Economics, Robert Carbaugh afirma que “a nation may punish unfriendly nations with high import tariffs on their goods and reward friendly nations with low tariffs. […] As of 2014, the United States did not grant normal trade relations status to Cuba and North Korea. U.S. tariffs on imports from these countries are often three or four (or more) times as high as those on comparable imports from nations receiving MFN status […]”.

Questão 44. Decide whether the following statements are right (C) or wrong (E) according to text V.

1. Disputes on international issues neither demand the intervention of diplomats nor of technical experts.

ERRADO. Primeiramente, está errado porque o texto trata, especificamente, de trade disputes, mas a assertiva fala de “disputes on international issues” em geral. Além disso, o texto diz que “all such disputes require diplomatic intervention, sometimes by generalist diplomats, but most often by technical trade specialists”.

Note, entretanto, que há aqui um problema de paralelismo na formulação da assertiva, que poderia ser reescrita da seguinte forma: “disputes on international issues demand the intervention neither of diplomats nor of technical experts“.

William Strunk Jr., no consagrado The Elements of Style, explica que “this principle, that of parallel construction, requires that expressions of similar content and function should be outwardly similar. The likeness of form enables the reader to recognize more readily the likeness of content and function”. Ele chama atenção especial para a necessidade de paralelismo quando correlative conjunctions (como neither… nor…) são usadas: “correlative expressions (both, and; not, but; not only, but also; either, or; first, second, third; and the like) should be followed by the same grammatical construction. Many violations of this rule can be corrected by rearranging the sentence”. Seguem alguns exemplos do livro:

Sem paralelismo

Com paralelismo

It was both a long ceremony and very tedious.

The ceremony was both long and tedious.

A time not for words, but action.

A time not for words, but for action.

Either you must grant his request or incur his ill will.

You must either grant his request or incur his ill will.

My objections are, first, the injustice of the measure; second, that it is unconstitutional.

My objections are, first, that the measure is unjust; second, that it is unconstitutional.

2. Never before has there been a dispute between the US Government and BP.

ERRADO. O autor diz que “sometime ago, the most visible trade-related dispute was that between the United States Government and BP over the disastrous Macondo oil leak in the Gulf of Mexico”.

Alguém poderia questionar se a assertiva não faz referência a alguma controvérsia anterior à controvérsia relacionada ao Golfo do México. Se esse fosse o caso, o Present Perfect (“Never before has there been“) não deveria ser usado. E, de qualquer forma, não há informações no texto que permitam dizer que não houve outra controvérsia – “this is not a typical case” indica que o caso é atípico, não que o caso não tem precedentes.

3. The main company involved in the Macondo accident is, just by chance, based in UK.

CERTO. O texto afirma que “the principal company involved happens to be UK-based“.

Note que há outro erro aqui: a assertiva deveria ser “based in the UK“. Atente para o uso do artigo definido antes de abreviações e acrônimos.

4. Intergovernmental differences of substance are not involved in the case.

CERTO. O texto diz que “no intergovernmental differences of substance are at stake–the British Government became involved only indirectly […]”.

Cheers!