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Conforme tenho feito nos últimos anos, publicarei uma série de posts com comentários sobre a prova de inglês do TPS 2017. É importante lembrar que essas são minhas primeiras impressões sobre a prova e que elas podem mudar caso alunos e/ou leitores me chamem a atenção para informações que podem ter passado despercebidas – por isso, fique à vontade para comentar e contribuir! 🙂 É possível que eu adicione comentários aos posts nos próximos dias, principalmente após a publicação do gabarito preliminar e do gabarito definitivo.

Inicio os comentários sobre a prova de inglês do TPS 2017 pelo Text I.

Questão 35. Decide whether the following statements are right (C) or wrong (E) according to text I.

1. The woman mentioned in the first paragraph didn’t expect the author to reveal his true opinions.

CERTO. Sabemos que o autor expressou “his true opinions” porque o texto fala que “I had actually given straight answers” (l.6) e sabemos que a mulher não esperava isso pelo uso da palavra “astonishment” (l.5).

[O gabarito preliminar deu o item como CERTO.]

2.  It can be correctly inferred from the text that there tends to be presently more female diplomats, as well as diplomats with more diverse social backgrounds, than in 1966.

CERTO. O autor do texto afirma que “Today, the recruitment pool is vastly bigger in every way”. A inferência, portanto, pode ser feita.

[O gabarito preliminar deu o item como CERTO.]

3. It can be correctly concluded from the text that the recruitment methods adopted in the past have fuelled suspicion against diplomats and created a fallacious idea about their work.

O texto não fala exatamente sobre “recruitment methods“, ou seja, não fala sobre como os diplomatas eram recrutados. Ele fala sobre recruitment pools: durante séculos, os diplomatas eram membros da aristocracia e das classes mais altas (l.12-13); em 1966, o recrutamento já era feito de forma mais meritocrática, mas ainda favorecia homens que estudavam em algumas universidades de prestígio (l.14-16). Hoje, há maior variedade no recruitment pool, mas os mitos associados ao antigo pool, mais restrito e elitizado, persistem (l.16-29). Se o recruitment pool puder ser considerado um recruitment method, a resposta está certa; se não, está errada.

Outra observação é que, no segundo parágrafo do texto, o qual trata especificamente do recrutamento, o autor não fala sobre a imagem que se faz do trabalho do diplomata em si, como afirma o item (“their work“), mas mais sobre seu estilo de vida (“a diplomat clad in pinstripes, quaffing champagne, and leading the good life in a magnificent embassy”). Mas se isso for visto como parte de seu trabalho, o item está certo.

Acredito que o CESPE favorecerá uma compreensão mais ampla e dará o item como CERTO.

[O gabarito preliminar deu o item como CERTO.]

4. For the author, the bad reputation diplomacy holds has to do with the frequent international negotiations in which diplomats deal with foreign officials.

ERRADO. O texto fala que, hodiernamente, a diplomacia é vista como bajulação dos governos de outros países (l. 10), mas isso não quer dizer que sua má reputação está relacionada a frequentes negociações internacionais nas quais os diplomatas lidam com representantes de outros países. O problema não é a negociação internacional, mas sim a percepção de que a diplomacia está relacionada a “appeasement” e a “kowtowing“.

[O gabarito preliminar deu o item como ERRADO.]

Questão 36. Considering the grammatical and semantic aspects of text I, decide whether the following items are right (C) or wrong (E).

1. The recruitment policy of the British diplomatic service was designed and planned by elite academics and university intellectuals.

ERRADO. O texto não diz nada sobre quem era responsável pelo planejamento da política de recrutamento britânica. Note que “by elite academics and university intellectuals” introduz o agente da estrutura passiva “was designed and planned”.

[O gabarito preliminar deu o item como ERRADO.]

2. The words “clad” (l.18) and “quaffing” (l. 19) could be correctly replaced by dressed and sipping without this altering the meaning of the sentence, although this substitution would make the text less humorous. 

Clad é, de fato, sinônimo de dressed, mas quaff não quer dizer o mesmo que sip. É claro que ambos os verbos estão no mesmo campo semântico do verbo drink, mas note que sip quer dizer “to drink in very small draughts“, enquanto quaff quer dizer “to drink copiously or in a large draught” (Oxford English Dictionary). Existe aqui uma pequena diferença de sentido. Se pensarmos que, de qualquer forma, não existe sinonímia absoluta, a questão estará certa; por outro lado, se pensarmos que, naquele contexto, a imagem que se faz do diplomata é um pouco diferente (no texto, o diplomata dá goladas; no item, ele beberica), ela estará errada.

A substituição parece de fato deixar o texto menos humoroso (clad quaff são palavras usadas em textos mais literários; naquele texto, não literário, dão um tom mais pomposo à passagem — e, dado o contexto, mais irônico com relação ao que o autor se refere como “os antigos mitos”). O problema é se a mudança é apenas no tom, ou também no sentido da passagem. Acredito que o CESPE optará pelo primeiro entendimento.

[O gabarito preliminar deu o item como ERRADO.]

3. There would be no change in the meaning of the passage from “Often” (l.2) to “duplicity” (l. 4) if it were replaced by Even though it is often confused with espionage, which is its illegitimate cousin, diplomacy has been linked with misbehaviour and duplicity for centuries

ERRADO. Clandestine não quer dizer o mesmo que illegitimate, e deviousness não quer dizer o mesmo que misbehaviour.

[O gabarito preliminar deu o item como ERRADO.]

4. The excerpt “that you get from diplomats” (l. 7 and 8) could be correctly replaced by which one gets from diplomats without this changing the meaning of the text.

CERTO. O pronome relativo that pode ser substituído por which, e you, no texto, refere-se a pessoas em geral, assim como one.

[O gabarito preliminar deu o item como CERTO.]

Cheers!

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Há dois dias, foi publicado o edital do CACD 2017, e há diversas mudanças no que diz respeito às provas de inglês se comparado com editais de outros anos. Faço aqui uma breve análise dessas mudanças e de suas implicações para aqueles que se preparam para mais uma bateria de provas!

A. Prova objetiva

A prova continua tendo 73 questões no total, e o formato continua sendo questões de certo ou errado. Contudo, o número de questões de língua inglesa foi reduzido de 13 para 9. Atente para essa mudança quando estiver fazendo simulados de primeira fase de língua inglesa: se o candidato tem, em média, um pouco menos de cinco minutos para resolver cada questão (são 73 questões em 6 horas de prova), tente concluir cada simulado de língua inglesa em até 45 minutos. É claro que o tempo de resolução da prova depende muito da extensão dos textos que serão selecionados e do nível de complexidade desses textos e das questões, mas esse limite de tempo sugerido é uma baliza importante a ser levada em conta para que você não seja prejudicado nas provas das outras disciplinas por falta de tempo para completá-las.

B. Prova escrita

B.1. Tarefas

A prova escrita de língua inglesa continua sendo composta por uma redação (50 pontos), um resumo (15 pontos), uma tradução para o português (20 pontos) e uma versão para o inglês (15 pontos). A boa notícia é que agora os candidatos têm cinco horas (e não mais quatro) para resolvê-la!

Faça uso desse tempo “extra” com sabedoria: se você já conseguia completar os simulados escritos em quatro horas, use esse tempo a mais para fazer mais de um proofreading de cada uma das tarefas. Na redação, por exemplo, se você tem dificuldade com o uso do artigo definido, faça um proofreading só avaliando a necessidade de uso desse artigo em cada noun phrase que você desenvolver; na tradução para o português, faça o proofreading uma primeira vez comparando seu texto ao texto-fonte (para avaliar a fidelidade) e outra vez com enfoque apenas no texto que você produziu (para avaliar a gramaticalidade e a naturalidade no idioma-alvo). Proofreading não é algo para ser feito se der tempo: é parte essencial da realização de cada uma das tarefas.

B.2. Segunda Fase

A prova escrita de língua inglesa agora é realizada na segunda fase do concurso, assim como a prova de língua portuguesa, passando a ser uma prova não só classificatória, mas também eliminatória. Para ser aprovado na segunda fase do concurso, o candidato deve obter o mínimo de 60 pontos na prova de língua portuguesa e, agora, o mínimo de 50 pontos na prova de língua inglesa também.

Não há dúvidas de que essa mudança vai deixar de fora da terceira fase muitos dos candidatos que, ainda que tenham bons conhecimentos de língua inglesa, não se prepararam para a prova escrita do idioma, deixando assim de praticar as habilidades específicas cobradas em cada uma das tarefas e, em última instância, de conhecer um pouco mais sobre a “jurisprudência cespeana” (no caso, como a banca de língua inglesa costuma avaliar certas estruturas gramaticais e escolhas lexicais, por exemplo).

Entretanto, se você já vem estudando para a prova escrita de inglês do concurso com disciplina e organização, não se esqueça de que, além de eliminatória, a prova é classificatória: a estratégia de preparar-se apenas para as tarefas de redação e resumo pode ser suficiente para evitar a eliminação, mas deixar as tarefas de tradução e versão a cargo da sorte me parece muito arriscado em um concurso com apenas 22 vagas para a ampla concorrência. (Leia mais sobre isso aqui e aqui.) Você não quer apenas evitar a eliminação: você quer passar no concurso! Assim, não pense apenas no caráter eliminatório da prova.

B.3. Critérios de Correção

Em um primeiro momento, fiquei muito contente quando vi aquele quadro com os critérios de correção detalhados no edital. Mas, analisando o quadro com mais atenção, acredito que é preciso ao menos ter em mente que algumas das formulações não são exatamente claras – e pensar em formas objetivas de lidar com essa falta de clareza.

Redação

Até o ano passado, os 50 pontos da Redação eram distribuídos em 20 de organização, 20 de precisão e 10 de qualidade de linguagem. Agora, temos 25 pontos atribuídos a organização e os outros 25 atribuídos a precisão e linguagem. Imagino que a pontuação de organização continue sendo uma nota global e que a de precisão e linguagem continue sendo descontada ponto a ponto conforme os erros do candidato, mas isso não está declarado no edital.

Acho relevante destacar que a legibilidade agora é declaradamente um critério de avaliação. Cuidado com a aparência final do seu texto devido ao número e à extensão das rasuras. Se julgar pertinente, dedique parte dessa uma hora “extra” de prova para produzir um rascunho mais “limpo” da redação.

Além disso, os critérios “capacidade de argumentação” e “capacidade de análise e reflexão” deixam claro, mais do que nunca, que o gênero textual esperado é argumentativo, não descritivo. Certifique-se de que você tem uma tese clara a respeito do tema proposto e de que ela está claramente declarada na introdução de seu texto, o qual deve ser desenvolvido com o objetivo não de descrever o tema, mas de corroborar sua tese sobre o tema. A esse respeito, faço minhas as palavras de Thomas S. Kane, no The Oxford Essential Guide to Writing:

“Don’t be afraid to express your own opinions and feelings. You are a vital part of the subject. No matter what the topic, you are really writing about how you understand it, how you feel about it. Good writing has personality. Readers enjoy sensing a mind at work, hearing a clear voice, responding to an unusual sensibility. […]. Interest lies not so much in a topic as in what a writer has made of it.”

Tradução e Versão

Minha primeira preocupação é o critério “fidelidade ao estilo do texto original”. Imagino que “estilo”, aqui, tenha o sentido de “escolha de palavras”; ou seja, continua sendo importante que o candidato atente não apenas à mensagem do texto, mas também às palavras escolhidas para passar essa mensagem — mas não confunda fidelidade com literalidade. Minha segunda preocupação é como serão distribuídos esses cinco pontos: até o ano passado, problemas com traduções “infiéis” eram apenados com -1 ponto a cada erro, mas será que agora esses cinco pontos serão uma nota global? Essa é a mesma preocupação que tenho com o critério “correção gramatical”: o candidato já perdia pontos quando, no texto de chegada, cometia erros na língua de chegada, mas agora continua a valer essa prática de -1 ponto para cada erro? Ou estamos falando de notas globais?

Resumo

Até pelo menos o CACD 2015, o resumo, que também valia 15 pontos, era avaliado nos critérios use of English (3 pontos, uma nota global que avaliava gramática e léxico) e summary (12 pontos, outra nota global que avaliava capacidade de concisão, organização do texto etc.) — leia mais aqui. Já no CACD 2017, o peso passa a estar na precisão gramatical e lexical: são 10 pontos atribuídos a “correção gramatical e propriedade da linguagem” e 5 pontos para “capacidade de síntese e concisão”. Assim como nas traduções, a dúvida é se a nota de correção gramatical e propriedade de linguagem será global, como antes, ou se será descontada ponto a ponto conforme o candidato for cometendo erros.

**********

Qualquer que seja sua estratégia de estudos para as próximas semanas, no que diz respeito à língua inglesa, é fundamental que você não se prepare apenas para a primeira fase, já que não há tempo hábil de desenvolver as habilidades testadas na prova escrita de inglês nas poucas semanas que separam a primeira fase da segunda fase. Além disso, ao preparar-se para a segunda fase, certifique-se de que seu cursinho ou professor particular faça as correções de seus simulados com base nos novos critérios. É verdade que só saberemos as respostas para os questionamentos que aqui expus após vermos as correções das provas de segunda fase, mas é crucial que você e seu professor considerem as possíveis interpretações desses novos critérios e busquem desenvolver estratégias que possibilitem que você tenha um bom desempenho qualquer que seja a interpretação correta.

Cheers!

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A divulgação dos resultados da prova de terceira fase de língua inglesa se aproxima, e muitos me perguntam sobre a interposição de recursos. Após analisar minuciosamente tanto as provas às quais tive acesso ano passado quanto as respostas da banca examinadora a recursos interpostos, escrevo aqui algumas observações e recomendações no que diz respeito à interposição de recursos na tarefa Translation Part A.

  1. Não use qualquer dicionário

Nas tarefas de tradução, a interposição de recursos depende quase que exclusivamente do uso de dicionários: os recursos mais comuns são aqueles em que o candidato tenta demonstrar para a banca examinadora que sua solução de tradução está correta por meio da citação de definições de dicionários monolíngues, de traduções em dicionários bilíngues, de relações de sinonímia etc. Como qualquer outro tipo de recurso, o recurso com base em dicionários precisa ter como respaldo fontes que sejam consideradas authoritative; a autoridade da fonte torna seu argumento no recurso mais irretorquível.

É aconselhável evitar citar como fontes dicionários simplificados dirigidos a um público estrangeiro, pois, nas palavras da própria banca, eles carecem “de sofisticação lexicográfica por ter como público-alvo aprendizes de inglês”. Assim, evitem citar dicionários escolares (ou learner’s dictionaries), versões abridged de grandes dicionários e recursos online como o The Free Dictionary (esse exemplo em particular foi dado pela própria banca em resposta a um recurso).

Para uma lista de dicionários indicados, sugiro dar uma olhada no Guia de Estudos de 2010 aqui.

  1. Não é porque a sua solução de tradução existe em um dicionário que ela está correta

Ao utilizar dicionários bilíngues em seus recursos, cuidado: você pode ter traduzido uma palavra / unidade de tradução do texto fonte exatamente como sugerido por seu dicionário bilíngue, mas isso não significa que aquela tradução esteja correta naquele contexto.

Explico melhor por meio de um exemplo. Na Translation Part A de 2015, o texto começava assim: “It was once the custom for British ambassadors to write a valedictory despatch at the end of their posting”. De todas as provas que analisei, apenas 3% apresentaram soluções de tradução para despatch que foram aceitas pela banca. Em seus recursos, muitos candidatos argumentaram que “a tradução é considerada correta de acordo com o dicionário xxx”. No entanto, despatch não tinha, de fato, o sentido de “despacho” naquele contexto. Copio aqui uma explicação da banca examinadora:

“O contexto apresentado, aqui, é o de um relatório/comunicado de despedida, uma espécie de balanço final de uma carreira diplomática. Não se trata de um despacho ­ carta oficial ou ofício públicos que um ministro envia a outro. O autor, um diplomata, ao se aposentar, relata fatos ­ alguns deles de natureza jocosa, o que seria inadmissível em um despacho, que vivenciou, expressando opiniões pessoais e, por vezes, nada diplomáticas sobre a população dos países onde serviu. Ademais, tal relatório tem livre circulação entre os funcionários do ministério, o que não ocorreria no caso de despachos.”

Portanto, sempre considere se aquela tradução é pertinente para aquele contexto – em termos de sentido, de naturalidade no idioma de chegada, de ser uma série usual, de respeitar o registro do texto fonte etc. É o contexto que define se uma tradução é adequada ou não, não o dicionário. Ainda nas palavras do examinador:

“dicionários simplesmente arrolam algumas possibilidades de significado de um dado vocábulo, independentemente da existência de um determinado contexto. Tal contexto é que definirá se esse ou aquele vocábulo se adéqua à estrutura morfossintática, à precisão semântica, ao uso etc. da frase em questão. Não se trata, portanto, de mero significado mas de significado naquele contexto específico.”

Por isso, no ato tradutório, é importante que você verifique se:

– compreendeu bem o texto: tradução é, antes de qualquer coisa, interpretação de texto. Certifique-se de que você entende o sentido de cada palavra / unidade de tradução naquele contexto. Pense se a palavra é polissêmica. Dentre as provas às quais tive acesso ano passado, 50% dos candidatos traduziram reviews em “capability reviews” como “revisões”. Review é uma palavra polissêmica, e seu sentido não é de “revisão” naquele contexto, mas sim de “avaliação”.

– sua tradução soa natural em português: correção lexical é um critério de avaliação, e fazer uso de séries usuais em português é algo exigido na prova. É preciso ir além do sentido da cada palavra: o produto final é um texto, e o texto deve ser em português, não em “tradutês”. Na prova de 2015, muitos candidatos (46%, na minha amostragem) tiveram dificuldades com a tradução de render em “the ability to render incisive judgment”. A tradução de render para o português dependia muito da tradução do complemento desse verbo (“judgment”). A banca aceitou traduções como “fazer um julgamento” e “elaborar um julgamento”, mas não aceitou formulações como “entregar um julgamento”– ainda que, em outros contextos, render possa ser traduzido como “entregar”.

– seu texto respeita o registro do texto fonte: esse também é um critério de correção. Tenho um aluno que traduziu wit, no texto de 2015, como “esperteza” e foi apenado. Apesar de argumentar que “esperteza” é sinônimo de “perspicácia” e “sagacidade” (outras traduções que foram aceitas para o termo), a banca respondeu que “o registro não se coaduna com a natureza do texto”.

Dessa forma, no seu recurso, não basta alegar que a tradução consta de um bom dicionário: é preciso demonstrar à banca que ela é adequada ao contexto. Isso pode ser feito, por exemplo, por meio do recurso a outros (con)textos. Tenho um aluno que traduziu, na mesma tarefa, “Whether written with quill” como “Fosse escrito com pena”. Ele foi penalizado (-0,5), como outros candidatos, pelo uso do “com”. Em seu recurso, o candidato alegou que a expressão “com pena” é de uso consagrado na língua portuguesa e citou um trecho que localizou na obra de Machado de Assis. A apenação foi revertida, possivelmente porque o candidato conseguiu demonstrar que a expressão é apropriada (note, também, a autoridade a que recorreu para demonstrar isso).

  1. O recurso à sinonímia *pode* funcionar

Não é raro a banca aceitar alguma solução de tradução após a interposição de um recurso que argumente que a solução utilizada no texto de chegada é sinônima a outras soluções que você já sabe, após ver a correção da prova de colegas, que foram aceitas. Em 2015, um aluno que havia traduzido wit como “sagacidade” foi apenado. Em seu recurso, argumentou que “segundo o Dicionário Houaiss de Sinônimos e Antônimos, ‘sagacidade’ é sinônimo tanto de ‘inteligência’ quanto de ‘perspicácia’”. O recurso foi deferido.

Esse tipo de recurso, entretanto, não necessariamente garante a devolução do ponto, já que, como bem ressalta a banca na resposta a um recurso,

“num dado contexto, palavras sinônimas podem não desempenhar a mesma função e uma pode se adequada e, seu sinônimo, não. A criação de um universo textual, geralmente, inviabiliza a sinonímia absoluta.”

Tendo isso em mente, em seu recurso, não basta destacar a sinonímia: procure demonstrar que a sua solução de tradução não só tem o mesmo sentido que outras que foram aceitas, mas também soa natural, respeita o registro do texto fonte etc.

  1. Citar outras provas *pode* funcionar

Em 2015, alguns candidatos, após estudarem as correções de suas provas e das provas de colegas, notaram grandes disparidades nas correções, no sentido de que algumas soluções de tradução foram aceitas em algumas provas e, em outras, não.  Solicitando a permissão dos colegas, ao interpor recursos, alguns candidatos mencionaram que a tradução que na prova deles foi considerada errada fora aceita na “prova de número de máscara xxxxx”. Na maior parte dos casos (na minha amostragem, ao menos) em que esse tipo de argumentação foi usado, o recurso foi deferido. Por exemplo, o único caso em que vi a banca aceitar a tradução “caráter” para character após a interposição de recursos foi justamente em um recurso que citava outras provas nas quais “caráter” havia sido aceito.

No entanto, destaco aqui que 1) não é possível determinar se esses recursos foram deferidos por causa da menção dessas disparidades, já que eles não consistiam tão somente nesse argumento e 2) nem todos os recursos que seguiram essa linha argumentativa foram deferidos.

*****

A recomendação mais importante para quem vai receber sua prova corrigida na próxima semana é: interponha recursos. Mesmo que você não tenha nenhuma chance de aprovação este ano. Em primeiro lugar, porque essa é uma oportunidade de aprender a interpor recursos (como redigir seus textos, como funciona a plataforma etc.). Em segundo lugar, porque as respostas aos recursos (quando não consistem apenas em “deferido/indeferido”) nos ensinam muito sobre as visões e as expectativas da banca. Por fim, porque avaliar seu desempenho, aprender com seus erros e com os de outros candidatos e entender as posições da banca são formas muito valiosas de começar a se preparar para o próximo CACD!

Cheers!

 

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Dando sequência ao post em que discuti a importância de estudar tradução, não só para as tarefas de tradução da prova de inglês na terceira fase do CACD, mas também como método para incrementar a competência na língua inglesa, hoje escrevo sobre algumas formas de dar início a esses estudos sem a instrução de um professor/tradutor.

Publicações bilíngues

Analise o trabalho de outros tradutores! Isso permite que você reflita sobre as decisões que precisam ser tomadas quando se traduz um texto. Comece por textos curtos, sobre temas que você conhece bem, e vá progredindo para textos mais longos e mais complexos em termos semânticos e sintáticos. No site do Itamaraty, por exemplo, há vários textos em português, como notas e discursos, acompanhados de versões para a língua inglesa.

Para os que já buscam maiores desafios, edições bilíngues de obras literárias são uma ótima opção. Existe uma coleção de livros bilíngues da qual gosto muito, por sua praticidade, publicada pela editora Landmark. A coleção tem títulos clássicos como Dracula, Moby Dick e até nosso querido Orlando, de Virginia Woolf. Essas são boas opções para quem quer estudar o par inglês-português. Para quem deseja estudar o par português-inglês, uma ideia é procurar a versão para o inglês de alguma obra em português que você já leu. Eu gostei de ler, mais recentemente, Barren Lives (versão de Vidas Secas, de Graciliano Ramos), Confession of the Lioness (versão de Confissão da Leoa, de Mia Couto) e The Hour of the Star (versão de A Hora da Estrela, de Clarice Lispector), por exemplo.

Exercícios de tradução

Practice makes perfect! Além de estudar traduções já prontas, é essencial que você também traduza. Uma obra de referência para translators in training é o Vocabulando Pack, de Isa Mara Lando. O Vocabulando Pack consiste em um dicionário de falsos cognatos e de termos mais complicados de traduzir (por sua polissemia, por exemplo) e um workbook com exercícios de tradução. Recomendo o uso da edição mais nova (capa vermelha), pois está atualizada e mais completa.

Outro exercício recomendado é selecionar um trecho curto de uma publicação bilíngue e, antes de ler a tradução já pronta, tentar, você mesmo, traduzi-lo. Depois, compare seu texto de chegada com o texto do tradutor. É claro que seu texto não precisa ser – e muito provavelmente não será – igual ao do tradutor, até porque, normalmente, há diversas possibilidades de tradução para o mesmo texto. Mas compare os dois textos em termos de precisão semântica e sintática, fidelidade ao texto fonte, naturalidade no idioma de chegada etc. É bem possível que, se você estiver fazendo esse trabalho sem o auxílio de um professor/tradutor, alguns erros ou “pontos a melhorar” passem desapercebidos, mas, ainda assim, há muito a se ganhar com esse exercício! Ele pode ser feito com ou sem apoio externo (dicionários, glossários etc.), dependendo do seu objetivo com esse exercício.

Estudos de Tradução

Estudar teoria da tradução não é um requisito essencial para começar a traduzir. Até historicamente, a prática da tradução precede a teorização em centenas de anos. Mas ter algumas noções teóricas ajuda a tornar o ato tradutório algo mais consciente e crítico – e é claro que isso tem impactos extremamente positivos tanto no processo de aquisição de uma língua estrangeira quanto no próprio produto final do processo de tradução. O que não falta é literatura nessa área de conhecimento. Algumas obras indicadas, para quem se interessar, são Oficina de Tradução, de Rosemary Arrojo, Tradução: Teoria e Prática, de John Milton, Introducing Translation Studies, de Jeremy Munday, e Translation and Translating, de Roger T. Bell.

Cheers!

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Finalmente, chego ao último – na verdade, ao primeiro rs – texto da prova de inglês do TPS!

Questão 32. Decide whether the following statements are right (C) or wrong (E) according to text I.

1. The author asserts that the Orient, as Europeans tend to see it, is a culturally ancient creation.

ERRADO. O texto não diz que os europeus tendem a ver o Oriente como uma “culturally ancient creation”. O autor só afirma que 1) o Oriente era quase uma invenção europeia e que 2) o Oriente era um lugar associado ao romance, aos seres exóticos etc. desde a antiguidade.

2. The Portuguese as well as other European peoples share the exact same Orientalist tradition as the British.

ERRADO. Consta do texto que “[…] the French and the Britishless so the Germans, Russians, Spanish, Portuguese, Italians, and Swiss–hav had a long tradition of what I shall be calling Orientalism”. No contexto, less quer dizer “to a smaller degree”, o que indica que não se trata da “exact same tradition”.

3. Even though the Orient neighbours Europe, the peoples of this region are the most likely to appear as Europe’s Other.

O texto afirma que “the Orient is not only adjacent to Europe; it is also […] one of its deepest and most recurring images of the Other”. A relação de alteridade entre a Europa e o Oriente está clara nesse trecho. O problema é que o item afirma que “the peoples of this region are the most likely to appear as Europe’s Other”. The most likely considerando quem? O texto não menciona povos de outras regiões. Veja a explicação do English Grammar Today, da Cambridge University Press, sobre essa estrutura:

We can compare how probable different things are using likely and unlikely with as … as, more, (the) most, less and (the) least:

Steve is as likely to get the job as Dora. They’re both very well qualified.

People are more likely to take climate change seriously if they can understand the economic consequences for their own lives.

Kevin is (the) least likely to want to get married of all his friends.

Como o texto fala em “one of its [Europe’s] deepest and most recurring images of the Other”, sem ressaltar que é a mais recorrente, considero o item ERRADO.

4. It can be said that the French journalist quoted in the text was disappointed not to find the landscape once described by the referred writers.

CERTO. Acredito que é possível inferir isso devido ao uso de regretfully (l.2).

Questão 33. Considering the grammatical and semantic aspects of text I, decide whether the following items are right (C) or wrong (E).

1. The word “Orientalist” (l. 49) could be correctly replaced by Orientalists.

ERRADO. Na linha 49, Orientalist é um adjetivo, e adjetivos não têm flexão de número na língua inglesa.

2. The texts defined by E.W. Said as Orientalist, albeit numerous, always suggest the Occident’s superiority.

Said afirma que “out of that closeness, whose dynamic is enormously productive even if it always demonstrates the comparatively greater strength of the Occident (British, French, American), comes the large body of texts I call Orientalist”. O item só não me parece ser uma paráfrase fiel do texto por causa da escolha do verbo suggest, que tem uma carga semântica bem diferente daquela do verbo demonstrate, especialmente em textos de cunho acadêmico e científico (Cf. Academic Vocabulary in Use, Unit 32, Cambridge University Press). Essa é uma observação que pode ser encontrada nos sites de várias universidades. Veja as recomendações que constam do site da University of Georgia (veja aqui recomendações da University of Leeds e aqui as da University of Toronto):

Choose your inferential words carefully. Experienced scientific writers have a mental toolkit of phrases to characterize how their evidence relates to possible conclusions. For example, we can say that a piece or body of evidence ” is compatible with” or “suggests” or “indicates” or “shows” or “proves” an idea. This list is in rough order of degree of certainty:

“Are compatible with” or “are consistent with” means that our data are compatible with more than one interpretation, but at least they’re compatible with the interpretation at issue.“Suggest” means that our data support the interpretation at issue more than they support other interpretations, but we’re far from certain about that interpretation.

“Indicate”, “show”, and “demonstrate” represent a higher level of certainty, in that hardly any other interpretation could account for the data.

“Prove” means that there is absolutely no possibility that any other interpretation could be correct. Most scientists never use the word “prove” in their writing.

O nível de modalização (ou seja, a forma como enunciador adere a seu enunciado) é bastante diferente se compararmos o texto e o item, então concluo que está ERRADO.

 

3. The adjective “remarkable” (l.8) could be replaced by significant or uncanny in the context of the text.

Para não voltar às discussões da questão 42 e da questão 39.4, se pensarmos apenas no sentido dessas palavras, a questão poderia ser considerada certa, já que remarkable é uma related word de significant, remarkable também é uma related word de uncanny.

4. The expression “coming to terms with” (l.17) could be replaced by assimilating, without altering the meaning of the sentence.

ERRADO. Come to terms não tem o sentido de assimilate.

Questão 34. According to text I, decide whether the following statements are right (C) or wrong (E).

1. The notion of Orientalism, which the author intends to investigate, is built upon a volume of written texts throughout the centuries.

Há vários problemas na formulação nesse item, mas suponho que a resposta esperada seja ERRADO, já que o texto fala que “”to speak of Orientalism therefore is to speak mainly, although not exclusively, of a British and French cultural enterprise, a project whose dimensions take in such disparate reals as the imagination itself, the whole of India and the Levant, the spice trade, colonial armies and a long tradition of colonial administrators, a formidable scholarly corpus, innumerable Oriental ‘experts’ and ‘hands’, an Oriental professorate, many Eastern sects, philosophies and wisdoms domesticated for local European use–the list can be extended more or less indefinitely“.

2. The Orient has taken part in molding the contemporary European experience.

O item não me parece muito claro, mas acredito que a resposta seja CERTO visto que o texto afirma que “the Orient has helped to define Europe (or the West) as its contrasting image, idea, personality, experience“. O uso do Present Perfect indica que isso ainda se aplica à atualidade.

3. The British and French tradition of Orientalism is forged through the colonial experience and academic corpora.

Para mim, o item é muito parecido com o 34.1, até porque pode ser considerado ERRADO pelos mesmos motivos. O autor do texto menciona domínios que compõem esse projeto cultural da França e da Grã-Bretanha que vão muito além de “the colonial experience and academic corpora”, incluindo a imaginação e todo um professorado (além disso, o texto fala de “formidable scholarly corpus”, no singular, e não em “academic corpora”, no plural).

4. Presently, America situates itself in a different position towards the Orient, regarding British and French perspectives.

CERTO. O texto afirma que “since World War II America has dominated the Orient, and approaches it as France and Britain once did“. Na oração sobre os Estados Unidos, o verbo está no Present Perfect, o que indica que, desde a Segunda Guerra Mundial até hoje, os Estados Unidos se posicionam dessa forma com relação ao Oriente; após ler “as France and Britain once did”, que está no Past Simple, vemos que a posição atual dos Estados Unidos é similar à antiga posição dos outros dois países.

35. In text I, without altering the meaning of the sentence, the noun “realms” (l.35) could be replaced by (mark right–C–or wrong–E):

1. spheres.

2. domais.

3. grounds.

4. divisions.

Itens 1 e 2 estão CERTOS; itens 3 e 4 estão ERRADOS.

Cheers!

 

 

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Questão 36. Considering the ideas and the vocabulary of text II, decide whether the statements below are right (C) or wrong (E).

1. The word “ineluctability” (l.13) is synonymous with questionability.

ERRADO. Ineluctabilityquestionability não têm o mesmo sentido.

2. The expression “sleight of hand” (l.14) carries the notion of skilful deception.

CERTO. Veja o sentido de sleight of hand.

3. The author asserts that, even though “space” is an extension to be travelled, it is nowadays intertwined with the notion of time.

O texto afirma que “it is perhaps less often made explicit that one of the crucial manouevres at work within it, to convince us of the ineluctability of of this globalisation, is a sleight of hand in terms of conceptualisation of space and time“. Então, sim, a noção de espaço está relacionada à noção de tempo hoje em dia nessa visão de que a globalização é algo inevitável. Minha única ressalva está relacionada a “‘space’ is an extension to be travelled”, na qual extension parece estar sendo usado no item para parafrasear expanse em “an expanse we travel across”. Extension não tem esse sentido – compare as definições em outros dicionários também, como no OLD (aqui e aqui) – e nem parece fazer sentido na oração (como alguém poderia travel an extension, considerando os sentidos mencionados nos verbetes?). De qualquer forma, imagino que o gabarito preliminar vai dar a questão como certa.

4. The adjective “coeval” (l.19) could be replaced by coetaneous without changing the meaning of the sentence.

CERTO. (Aqueles momentos em que estudar latim ajuda na prova de inglês do TPS rs) Quando li as duas palavras, notei que o prefixo era o mesmo e me questionei se -val-taneous poderiam ter o mesmo valor semântico. Me lembrei de medieval, do latim medium aevume logo lembrei que aevum quer dizer algo como “idade, época” (pensei em “medium aevum” e “Idade Média”). Daí inferi que coeval queria dizer algo como “contemporâneo“. No caso de coetaneous, me lembrei de momentaneous simultaneous, que são vocábulos que remetem a uma noção de tempo, e lembrei que aetas também tem esse sentido de “idade”. Mas só tive certeza de que o raciocínio estava certo quando olhei aqui rs.

Questão 37. Decide whether the statements below, concerning the ideas and the vocabulary of text II, are right (C) or wrong (E).

1. The social and political consequences of the definition of globalisation are that some countries may be regarded as delayed in their historic progression.

Se o item dissesse “in the historical progression”, eu consideraria certo, já que o autor do texto afirma que “and this has social and political effects. It says that Mozambique and Nicaragua are not really different from ‘us’. We are not to imagine them as having their own trajectories, their own particular histories, and the potential for their own, perhaps different, futures. […] They are merely at an earlier stage in the one and only narrative that is possible to tell”.

Mas o item diz “historic progression”, e historical historic não têm o mesmo sentido. Segundo o OLD, “historic is usually used to describe something that is so important that it is likely to be remembered: Today is a historic occasion for our countryHistorical usually describes something that is connected with the past or with the study of history, or something that really happened in the past: I have been doing some historical research. Was Robin Hood a historical figure?“. Veja também aqui e aqui. Por isso, considero o item errado – mas não me espantaria se a questão fosse dada como certa no gabarito preliminar.

2. The phrase “obliterates the multiplicities” (l.22) can be replaced by removes diversities without changing the meaning of the sentence.

CERTO. Obliterate é considerado sinônimo de remove pelo Random House Roget’s Thesaurus, e diversity é considerado sinônimo de multiplicity pelo Merriam-Webster’s Online Thesaurus. O sentido, portanto, é mantido.

3. In the text, the adjective “totemic” (l.26) is the same as emblematic.

CERTO. O Merriam-Webster’s Online Dictionary explica que “totem comes to us from Ojibwa, an Algonquian language spoken by an American Indian people from the regions around Lake Superior. The most basic form of the word in Ojibwa is believed to be ‘ote,’ but 18th-century English speakers encountered it as ‘ototeman’ (‘his totem’), which became our word totem. In its most specific sense, ‘totem’ refers to an emblematic depiction of an animal or plant that gives a family or clan its name and that often serves as a reminder of its ancestry. The term is also used broadly for any thing or person having particular emblematic or symbolic importance. The related adjective ‘totemic’ describes something that serves as a totem, that depicts totems (‘totemic basketry,’ for example), or that has the nature of a totem.”

4. Globalisation, as a project, intends to respect and promote different futures and dynamics for different countries. 

ERRADO. O autor afirma que “that cosmology of ‘only one narrative’ obliterates the multiplicities, the contemporaneous heterogeneities of space. It reduces simultaneous coexistence to place in the historical queue”.

Cheers!

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Questão 38. Decide whether the following statements, concerning the grammatical and semantic aspects of text III, are right (C) or wring (E).

1. Both the author of the book itself and the reviewer agree that African countries should not have had their independence determined by outside forces.

ERRADO. O autor do texto relata o argumento do autor do livro, mas não se posiciona favoravelmente quanto a isso: “here, the argument becomes outright theological: The sovereignty accorded by outside actors represents the ‘original sin’ of African statehood”.

2. Most publications tend to propose explanations for the situation of African and Asian countries in a generalised form.

ERRADO. O autor do texto afirma que “current writing about Africa is characterised, firstly, by a remarkable tendency to generalise about the entire continent, which no author specialising in Asia, for example, would dare contemplate“.

3. If “yardstick” (l.2) is replaced by criterion in the text, it would be necessary to change the preposition following it–“of”–in order to maintain grammatical accuracy.

ERRADO. Yardstick, nesse contexto, quer dizer “a standard for judging how good or successful something is”. Nesse sentido, é sinônimo de criterion. Entretanto, a preposição não precisaria ser alterada se houvesse substituição. Criterion tem collocation com a preposição for quando aquilo que complementa essa preposição diz respeito à finalidade do critério (ou seja, o que o critério pretende avaliar, e não a qual é o critério em si). Por exemplo:

What criteria are used for assessing a student’s ability?

a universal set of criteria for diagnosing patients

the criteria for measuring how good schools are 

No texto, “a single historical factor” não é o que o critério pretende avaliar, mas sim o próprio critério: segundo o autor do texto, Englebert argumenta que haveria um fator histórico único (a descolonização) capaz de explicar a situação dos países africanos em geral. Esse é o critério de Englebert, e a prepositional phrase “of a single historical factor” é utilizada justamente para introduzir qual é o critério.

4. The author of the review blames the problems of Englebert’s book mostly on his search for a single answer for the issues concerning African countries.

ERRADO. O autor afirma que “Englebert’s book suffers from four tendencies, the first two of which involve a dominant mode in current writing about Africa, and the third and fourth of which reflect the constraints of academic publishing, particularly in the United States of America”. Dessas quatro tendências mencionadas, apenas a segunda corresponde ao que está escrito no item: “this tendency is associated, secondly, with an intensive search for a single factor that would explain the plight of Africa […].”. O fato de que os comentários do autor sobre as outras duas tendências não constam do trecho apresentado para a interpretação não impede a identificação de que, para o autor, o livro de Englebert é marcado por quatro tendências, mas apenas uma delas – a qual em nenhum momento é comparada às outras – corresponde à tentativa de encontrar uma explicação única para explicar os problemas dos países africanos.

Questão 39. The statements below are about the ideas of text III and the vocabulary used in it. Decide whether those statements are right (C) or wrong (E).

1. The author of the review understands the problems of the African continent as a more complex issue.

CERTO. O autor afirma que “he [Englebert] is not concerned with the identification of contingent factors which, through their myriad combinations and mutual (correlated) causal processes, have led to the emergence of the current complex situation on the African continent”.

2. The word “myriad” (l. 21) is synonymous with intricate.

ERRADO. Myriad e intricate não têm o mesmo sentido.

3; Englebert’s experience in the eastern Congo is paradigmatic for the elaboration of his thesis.

CERTO. O autor afirma que “current writing about Africa is characterised, firstly, by a remarkable tendency to generalise about the entire continent […]. This usually involves the extrapolation of a single empirical situation to the entire continent. In Englebert’s case, this clearly relates to his experience in the eastern Congo, which is made to serve as an example for all of sub-Saharan Africa”. Paradigm tem o sentido de “a typical example of pattern of something”. Veja também o sentido e os sinônimos de paradigmatic.

4. The noun “constraints” (l.6) could be correctly replaced by limitations.

Novamente, a dificuldade aqui é determinar o que o examinador pretende avaliar ao perguntar se uma palavra pode substituir a outra (veja a discussão nos comentários sobre a Questão 42). No contexto, constraint quer dizer “something that limits one’s freedom of action or choice”. Nesse sentido, contraint pode ser considerado sinônimo de limitation (mas não encontrei a sinonímia no Random House Roget’s Thesaurus).

Entretanto, para substituir uma palavra por outra, é preciso também levar em conta se o texto ficaria idiomático e se seu sentido seria mantido. Uma simples busca no Google das expressões “constraints of academic publishing” e “limitations of academic publishing” mostra que a primeira expressão é infinitamente mais comum que a segunda. Além disso, me parece que pode haver, sim, alguma diferença de sentido entre as duas expressões. Compare estes dois exemplos:

a. “the perennial constraints of academic publishing, namely space, deadlines and teaching commitments

b. “The book represents a small contribution to knowledge, and as such is nothing to be sneezed at. But it also embodies the limitations of academic publishing and even of academia itself. The high cost, the lack of promotion and the incredibly long production process, all distance the book from anyone but a small number of experts

É claro que esses são apenas dois exemplos, e pode ser que essas expressões sejam usadas com o mesmo sentido, ou ainda com outros sentidos (veja aqui o texto completo de T. Bierschenk), mas só a dificuldade que a formulação do item causa para determinar o que, afinal, está sendo testado (apenas a sinonímia ou também naturalidade e possíveis diferenças de sentido) já me parece motivo suficiente para deixar a questão em branco – e mesmo para solicitar a anulação da questão.

Cheers!