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Conforme tenho feito nos últimos anos, publicarei uma série de posts com comentários sobre a prova de inglês do TPS 2017. É importante lembrar que essas são minhas primeiras impressões sobre a prova e que elas podem mudar caso alunos e/ou leitores me chamem a atenção para informações que podem ter passado despercebidas – por isso, fique à vontade para comentar e contribuir! 🙂 É possível que eu adicione comentários aos posts nos próximos dias, principalmente após a publicação do gabarito preliminar e do gabarito definitivo.

Inicio os comentários sobre a prova de inglês do TPS 2017 pelo Text I.

Questão 35. Decide whether the following statements are right (C) or wrong (E) according to text I.

1. The woman mentioned in the first paragraph didn’t expect the author to reveal his true opinions.

CERTO. Sabemos que o autor expressou “his true opinions” porque o texto fala que “I had actually given straight answers” (l.6) e sabemos que a mulher não esperava isso pelo uso da palavra “astonishment” (l.5).

[O gabarito preliminar deu o item como CERTO.]

2.  It can be correctly inferred from the text that there tends to be presently more female diplomats, as well as diplomats with more diverse social backgrounds, than in 1966.

CERTO. O autor do texto afirma que “Today, the recruitment pool is vastly bigger in every way”. A inferência, portanto, pode ser feita.

[O gabarito preliminar deu o item como CERTO.]

3. It can be correctly concluded from the text that the recruitment methods adopted in the past have fuelled suspicion against diplomats and created a fallacious idea about their work.

O texto não fala exatamente sobre “recruitment methods“, ou seja, não fala sobre como os diplomatas eram recrutados. Ele fala sobre recruitment pools: durante séculos, os diplomatas eram membros da aristocracia e das classes mais altas (l.12-13); em 1966, o recrutamento já era feito de forma mais meritocrática, mas ainda favorecia homens que estudavam em algumas universidades de prestígio (l.14-16). Hoje, há maior variedade no recruitment pool, mas os mitos associados ao antigo pool, mais restrito e elitizado, persistem (l.16-29). Se o recruitment pool puder ser considerado um recruitment method, a resposta está certa; se não, está errada.

Outra observação é que, no segundo parágrafo do texto, o qual trata especificamente do recrutamento, o autor não fala sobre a imagem que se faz do trabalho do diplomata em si, como afirma o item (“their work“), mas mais sobre seu estilo de vida (“a diplomat clad in pinstripes, quaffing champagne, and leading the good life in a magnificent embassy”). Mas se isso for visto como parte de seu trabalho, o item está certo.

Acredito que o CESPE favorecerá uma compreensão mais ampla e dará o item como CERTO.

[O gabarito preliminar deu o item como CERTO.]

4. For the author, the bad reputation diplomacy holds has to do with the frequent international negotiations in which diplomats deal with foreign officials.

ERRADO. O texto fala que, hodiernamente, a diplomacia é vista como bajulação dos governos de outros países (l. 10), mas isso não quer dizer que sua má reputação está relacionada a frequentes negociações internacionais nas quais os diplomatas lidam com representantes de outros países. O problema não é a negociação internacional, mas sim a percepção de que a diplomacia está relacionada a “appeasement” e a “kowtowing“.

[O gabarito preliminar deu o item como ERRADO.]

Questão 36. Considering the grammatical and semantic aspects of text I, decide whether the following items are right (C) or wrong (E).

1. The recruitment policy of the British diplomatic service was designed and planned by elite academics and university intellectuals.

ERRADO. O texto não diz nada sobre quem era responsável pelo planejamento da política de recrutamento britânica. Note que “by elite academics and university intellectuals” introduz o agente da estrutura passiva “was designed and planned”.

[O gabarito preliminar deu o item como ERRADO.]

2. The words “clad” (l.18) and “quaffing” (l. 19) could be correctly replaced by dressed and sipping without this altering the meaning of the sentence, although this substitution would make the text less humorous. 

Clad é, de fato, sinônimo de dressed, mas quaff não quer dizer o mesmo que sip. É claro que ambos os verbos estão no mesmo campo semântico do verbo drink, mas note que sip quer dizer “to drink in very small draughts“, enquanto quaff quer dizer “to drink copiously or in a large draught” (Oxford English Dictionary). Existe aqui uma pequena diferença de sentido. Se pensarmos que, de qualquer forma, não existe sinonímia absoluta, a questão estará certa; por outro lado, se pensarmos que, naquele contexto, a imagem que se faz do diplomata é um pouco diferente (no texto, o diplomata dá goladas; no item, ele beberica), ela estará errada.

A substituição parece de fato deixar o texto menos humoroso (clad quaff são palavras usadas em textos mais literários; naquele texto, não literário, dão um tom mais pomposo à passagem — e, dado o contexto, mais irônico com relação ao que o autor se refere como “os antigos mitos”). O problema é se a mudança é apenas no tom, ou também no sentido da passagem. Acredito que o CESPE optará pelo primeiro entendimento.

[O gabarito preliminar deu o item como ERRADO.]

3. There would be no change in the meaning of the passage from “Often” (l.2) to “duplicity” (l. 4) if it were replaced by Even though it is often confused with espionage, which is its illegitimate cousin, diplomacy has been linked with misbehaviour and duplicity for centuries

ERRADO. Clandestine não quer dizer o mesmo que illegitimate, e deviousness não quer dizer o mesmo que misbehaviour.

[O gabarito preliminar deu o item como ERRADO.]

4. The excerpt “that you get from diplomats” (l. 7 and 8) could be correctly replaced by which one gets from diplomats without this changing the meaning of the text.

CERTO. O pronome relativo that pode ser substituído por which, e you, no texto, refere-se a pessoas em geral, assim como one.

[O gabarito preliminar deu o item como CERTO.]

Cheers!

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Há dois dias, foi publicado o edital do CACD 2017, e há diversas mudanças no que diz respeito às provas de inglês se comparado com editais de outros anos. Faço aqui uma breve análise dessas mudanças e de suas implicações para aqueles que se preparam para mais uma bateria de provas!

A. Prova objetiva

A prova continua tendo 73 questões no total, e o formato continua sendo questões de certo ou errado. Contudo, o número de questões de língua inglesa foi reduzido de 13 para 9. Atente para essa mudança quando estiver fazendo simulados de primeira fase de língua inglesa: se o candidato tem, em média, um pouco menos de cinco minutos para resolver cada questão (são 73 questões em 6 horas de prova), tente concluir cada simulado de língua inglesa em até 45 minutos. É claro que o tempo de resolução da prova depende muito da extensão dos textos que serão selecionados e do nível de complexidade desses textos e das questões, mas esse limite de tempo sugerido é uma baliza importante a ser levada em conta para que você não seja prejudicado nas provas das outras disciplinas por falta de tempo para completá-las.

B. Prova escrita

B.1. Tarefas

A prova escrita de língua inglesa continua sendo composta por uma redação (50 pontos), um resumo (15 pontos), uma tradução para o português (20 pontos) e uma versão para o inglês (15 pontos). A boa notícia é que agora os candidatos têm cinco horas (e não mais quatro) para resolvê-la!

Faça uso desse tempo “extra” com sabedoria: se você já conseguia completar os simulados escritos em quatro horas, use esse tempo a mais para fazer mais de um proofreading de cada uma das tarefas. Na redação, por exemplo, se você tem dificuldade com o uso do artigo definido, faça um proofreading só avaliando a necessidade de uso desse artigo em cada noun phrase que você desenvolver; na tradução para o português, faça o proofreading uma primeira vez comparando seu texto ao texto-fonte (para avaliar a fidelidade) e outra vez com enfoque apenas no texto que você produziu (para avaliar a gramaticalidade e a naturalidade no idioma-alvo). Proofreading não é algo para ser feito se der tempo: é parte essencial da realização de cada uma das tarefas.

B.2. Segunda Fase

A prova escrita de língua inglesa agora é realizada na segunda fase do concurso, assim como a prova de língua portuguesa, passando a ser uma prova não só classificatória, mas também eliminatória. Para ser aprovado na segunda fase do concurso, o candidato deve obter o mínimo de 60 pontos na prova de língua portuguesa e, agora, o mínimo de 50 pontos na prova de língua inglesa também.

Não há dúvidas de que essa mudança vai deixar de fora da terceira fase muitos dos candidatos que, ainda que tenham bons conhecimentos de língua inglesa, não se prepararam para a prova escrita do idioma, deixando assim de praticar as habilidades específicas cobradas em cada uma das tarefas e, em última instância, de conhecer um pouco mais sobre a “jurisprudência cespeana” (no caso, como a banca de língua inglesa costuma avaliar certas estruturas gramaticais e escolhas lexicais, por exemplo).

Entretanto, se você já vem estudando para a prova escrita de inglês do concurso com disciplina e organização, não se esqueça de que, além de eliminatória, a prova é classificatória: a estratégia de preparar-se apenas para as tarefas de redação e resumo pode ser suficiente para evitar a eliminação, mas deixar as tarefas de tradução e versão a cargo da sorte me parece muito arriscado em um concurso com apenas 22 vagas para a ampla concorrência. (Leia mais sobre isso aqui e aqui.) Você não quer apenas evitar a eliminação: você quer passar no concurso! Assim, não pense apenas no caráter eliminatório da prova.

B.3. Critérios de Correção

Em um primeiro momento, fiquei muito contente quando vi aquele quadro com os critérios de correção detalhados no edital. Mas, analisando o quadro com mais atenção, acredito que é preciso ao menos ter em mente que algumas das formulações não são exatamente claras – e pensar em formas objetivas de lidar com essa falta de clareza.

Redação

Até o ano passado, os 50 pontos da Redação eram distribuídos em 20 de organização, 20 de precisão e 10 de qualidade de linguagem. Agora, temos 25 pontos atribuídos a organização e os outros 25 atribuídos a precisão e linguagem. Imagino que a pontuação de organização continue sendo uma nota global e que a de precisão e linguagem continue sendo descontada ponto a ponto conforme os erros do candidato, mas isso não está declarado no edital.

Acho relevante destacar que a legibilidade agora é declaradamente um critério de avaliação. Cuidado com a aparência final do seu texto devido ao número e à extensão das rasuras. Se julgar pertinente, dedique parte dessa uma hora “extra” de prova para produzir um rascunho mais “limpo” da redação.

Além disso, os critérios “capacidade de argumentação” e “capacidade de análise e reflexão” deixam claro, mais do que nunca, que o gênero textual esperado é argumentativo, não descritivo. Certifique-se de que você tem uma tese clara a respeito do tema proposto e de que ela está claramente declarada na introdução de seu texto, o qual deve ser desenvolvido com o objetivo não de descrever o tema, mas de corroborar sua tese sobre o tema. A esse respeito, faço minhas as palavras de Thomas S. Kane, no The Oxford Essential Guide to Writing:

“Don’t be afraid to express your own opinions and feelings. You are a vital part of the subject. No matter what the topic, you are really writing about how you understand it, how you feel about it. Good writing has personality. Readers enjoy sensing a mind at work, hearing a clear voice, responding to an unusual sensibility. […]. Interest lies not so much in a topic as in what a writer has made of it.”

Tradução e Versão

Minha primeira preocupação é o critério “fidelidade ao estilo do texto original”. Imagino que “estilo”, aqui, tenha o sentido de “escolha de palavras”; ou seja, continua sendo importante que o candidato atente não apenas à mensagem do texto, mas também às palavras escolhidas para passar essa mensagem — mas não confunda fidelidade com literalidade. Minha segunda preocupação é como serão distribuídos esses cinco pontos: até o ano passado, problemas com traduções “infiéis” eram apenados com -1 ponto a cada erro, mas será que agora esses cinco pontos serão uma nota global? Essa é a mesma preocupação que tenho com o critério “correção gramatical”: o candidato já perdia pontos quando, no texto de chegada, cometia erros na língua de chegada, mas agora continua a valer essa prática de -1 ponto para cada erro? Ou estamos falando de notas globais?

Resumo

Até pelo menos o CACD 2015, o resumo, que também valia 15 pontos, era avaliado nos critérios use of English (3 pontos, uma nota global que avaliava gramática e léxico) e summary (12 pontos, outra nota global que avaliava capacidade de concisão, organização do texto etc.) — leia mais aqui. Já no CACD 2017, o peso passa a estar na precisão gramatical e lexical: são 10 pontos atribuídos a “correção gramatical e propriedade da linguagem” e 5 pontos para “capacidade de síntese e concisão”. Assim como nas traduções, a dúvida é se a nota de correção gramatical e propriedade de linguagem será global, como antes, ou se será descontada ponto a ponto conforme o candidato for cometendo erros.

**********

Qualquer que seja sua estratégia de estudos para as próximas semanas, no que diz respeito à língua inglesa, é fundamental que você não se prepare apenas para a primeira fase, já que não há tempo hábil de desenvolver as habilidades testadas na prova escrita de inglês nas poucas semanas que separam a primeira fase da segunda fase. Além disso, ao preparar-se para a segunda fase, certifique-se de que seu cursinho ou professor particular faça as correções de seus simulados com base nos novos critérios. É verdade que só saberemos as respostas para os questionamentos que aqui expus após vermos as correções das provas de segunda fase, mas é crucial que você e seu professor considerem as possíveis interpretações desses novos critérios e busquem desenvolver estratégias que possibilitem que você tenha um bom desempenho qualquer que seja a interpretação correta.

Cheers!

Dear readers,

Primeiramente, happy new year! Que este seja um ano de muitas conquistas para todos!

Retomamos as atividades aqui no blog com um relato escrito por Riane Tarnovski, aprovada no CACD 2015. Espero que suas dicas de estudo sejam úteis e que os motivem para um ano de estudos, foco e determinação!

Cheers!

                “Olá! Foi-me solicitado um relato de minha preparação para passar no CACD, e aqui segue uma breve explanação de meus estudos. Iniciei a jornada no segundo semestre de 2011, um pouco antes de me formar na graduação, o que totaliza 4 anos e meio de estudos. É imprescindível esclarecer que toda a minha preparação foi em Florianópolis/SC, longe dos “grandes centros” de cursinhos (Bsb, RJ e SP), o que traz uma dificuldade adicional em termos de bons cursos e professores direcionados para o concurso. Os primeiros dois anos foram apenas de estudos: curso regular e avançado no Clio, estudo de línguas com professores particulares de espanhol, francês (depois de cursos intensivos na Aliança Francesa) e inglês. Fiz curso de redação de português e inglês no Clio, o que pode ser bom para quem é iniciante, mas deixa muito a desejar para quem quer passar efetivamente. No início (2011-2012), queria abraçar o mundo e fazer absolutamente tudo que o cursinho dizia: estudava de 10-12h por dia e lia absolutamente TUDO que era passado. Erro. Pragmatismo é a alma do negócio. Até vale a pena ler algumas obras completas, mas apenas algumas. Para mim, o mais importante era compilar e sistematizar o que era lido para uma futura revisão; caso contrário, o conteúdo irá esvair-se na miríade de assuntos que temos de estudar para a prova.

Comecei a trabalhar em junho/2013 no Tribunal de Justiça de SC, um concurso que passei graças aos estudos do CACD mesmo. De lá pra cá, o estudo tornou-se muito pragmático e focado. Já estava na fase de aprofundamento e de “aparar arestas”. E que arestas são essas? São os autodiagnósticos que fazemos após o concurso de cada ano: o desempenho deixou a desejar em qual(ais) disciplina(s)? Então essas merecem maior atenção no ano seguinte, tendo em mente que línguas e PI são de estudo constante.

Montei cadernos digitais (no Word mesmo) de cada uma das disciplinas e fui atualizando ao longo desses 4 anos e meio. Notícias e dados importantes de PI saíam dos jornais e iam direto para o caderno. Lembre-se de que você precisa lembrar daquilo que leu na hora da prova, por isso a revisão é sempre tão importante. Com os anos, foram surgindo cursinhos online MUITO bons, como Sapientia, IDEG, Espaço Zeitgeist e Ciclo EAD. Como em qualquer cursinho, alguns professores se destacam mais que outros. Mas pelo menos era possível escolher a matéria (e o prof.) de cada um. Os cursos de exercícios sempre me foram muito caros, pois me forçavam a fazer revisões periódicas. E, como repetirei mais à frente, REVISÃO É ESSENCIAL.

Em todos os anos de preparação, fui melhorando minha pontuação. Sei que não são todos os candidatos que são assim, mas funcionou comigo, o que me motivava muito. Em 2014, concorria com apenas 17 vagas e, no resultado final, fiquei na 33ª colocação. Analisei minha pontuação com as dos aprovados e percebi que a deficiência estava na prova de Inglês da 3ª fase, assim como eu poderia melhorar em PI-GEO. No interregno entre o CACD 2014 e o CACD 2015, foquei as energias em línguas e PI (sinceramente, pode cair qualquer coisa em GEO!). Esse foi o momento em que meu estudo de 3ª fase para inglês foi revolucionado. Em Florianópolis, simplesmente NÃO EXISTE professor de inglês para a 3ª fase do concurso, então tive de buscar auxílio online. Foi quando me indicaram a profa. Selene Candian. Ela tem uma correção meticulosa e detalhista, e mais: além da correção, ela apresenta sugestões de melhoria e de substituição. Recomendo-a, juntamente com a correção via Skype, que reforça a correção e cria uma espécie de revisão de cada simulado.

Uma última dica valiosa na minha preparação que me ajudou a sempre melhorar as notas ao longo dos anos é TREINO. Com disciplina e treino, é questão de tempo até passar. Treinar e simular TODAS AS FASES é imprescindível! Somente com treino é que se consegue a serenidade e a confiança de que se terminará a prova no tempo aprazado. Claro que o CACD mede conhecimento e inteligência, mas sem treino para a prova não se passa. A parte da manhã da 1ª fase parece uma maratona, assim como a prova de inglês de 3ª fase (que não dá tempo de fazer quase nenhum rascunho) e as de francês e espanhol! Por isso é tão importante simular a situação real de prova: coloque-se em um ambiente silencioso, com uma garrafa de água, canetas pretas com tubos transparentes, lanche saudável e CRONOMETRE. De nada adianta se você não cronometrar.

O meu estudo para a 2ª fase iniciou-se junto com o da 1ª fase. Como tudo na vida, é questão de treino e costume: acostumar-se a escrever de forma bem objetiva e sem metáforas. De repente, existe muita linguagem metafórica da qual não tínhamos nos dado conta! Nada que treino e um bom professor de Língua Portuguesa não resolvam. No meu caso, encontrei a melhor professora pra mim (tanto para a 1ª quanto para a 2ª fase): Claudia Simionato. Eu busquei, busquei, busquei… tive aula com muitos professores (online e presencial), e simplesmente não encontrei ninguém à altura dela. Sei que a sintonia aluno-professor também conta muito, talvez por isso aprecio tanto a aula dela, mas a Simionato tem um diferencial universal: ela realmente conhece a prova e a correção da banca a fundo. Isso transmite confiança para que o candidato escreva sem medo de que será penalizado.

Muitas pessoas já iniciam o estudo de 3ª fase antes mesmo de passar na 1ª. Com exceção de línguas (inglês, francês e espanhol), não acho que isso seja imprescindível. Eu só estudei especificamente para a 3ª fase depois de passar na 1ª (com exceção de línguas), até porque a quase totalidade do assunto já havia sido explorada para a 1ª fase. Estou insistindo muito na prova de línguas porque, desde 2011, com número de vagas reduzido, elas têm-se tornado fundamentais para a aprovação. Além disso, uma disciplina em que, normalmente, os candidatos não tiram nota alta na 3ª fase é História do Brasil. E, assim como fiz jus aos trabalhos da Simionato e da Selene Candian, preciso exaltar o trabalho incrivelmente fenomenal do João Daniel. Você, candidato de longe dos “grandes centros”, não deixe de aproximar-se desse professor incrível, nem que seja online. Este foi meu caso, por exemplo. Ainda não o conheço pessoalmente, mas admiro-o como grande mestre que foi e é. Ele acreditou em mim e no meu potencial. Ele leu minhas respostas meticulosamente e chamou-me a atenção – inúmeras vezes – para meus erros mais frequentes. Sem contar que assistir a uma aula dele é tão prazeroso quanto ir ao cinema!

Caros, espero ter ajudado de alguma forma. Boa sorte para quem inicia e para quem está nesse caminho. Ele pode ser longo, mas certamente será cheio de boas surpresas e de pessoas maravilhosas.”

No CACD 2014, um candidato escreveu na composition:

“The history of the twentieth century is fraught with large scale conflicts, namely the two great wars that devastated the world […].”

O CESPE entendeu que esse uso de namely estava incorreto e descontou um ponto de accuracy. Mas por quê?

Namely

Namely é um adverb normalmente usado para fornecer informações mais precisas a respeito de algo que já foi mencionado. Veja alguns exemplos:

Three students were mentioned, namely John, Sarah and Sylvia.

There’s always one person stuck with cleaning up the mess, namely me.

We need to get more teachers into the classrooms where they’re most needed, namely in high poverty areas.

I learned an important lesson when I lost my job, namely that nothing is a hundred percent guaranteed.

Investing overseas also introduces an extra level of risk, namely that of currency risk.

Some groups, namely students and pensioners, will benefit from the new tax.

Most economists these days eschew moral philosophy — namely, the consideration of social justice.

Most of the funds have been spent on humanitarian causes — namely, on housing and support for the over 720,00 registered refugees who have flooded Turkish border cities.

The forces supporting Europe’s status quo, namely the euro-establishment spearheaded by the German government, found an opportunity in the Greek financial crisis to reaffirm their commitment to austerity as the main way to guarantee Europe’s continued economic competitiveness.

Assim, o entedimento do CESPE é que namely não deve ser usado para introduzir exemplos. De fato, no Merriam-Webster’s Online Dictionary, algumas das palavras que são listadas como related words de namely são particularly especially. Para introduzir exemplos, alguns phrases, verbs etc. podem ser usados, como for example, for instance, such as, illustrate, case in point (clique em cada um deles para entender os respectivos usos).

Cheers!

Fontes:

Cambridge Advanced Learner’s Dictionary

Foreign Affairs

Longman Dictionaries Online

Macmillan Dictionary

Merriam-Webster’s Online Dictionary

Oxford Dictionaries

Word of the week é uma publicação semanal de dicas de itens de vocabulário que parecem ter chamado a atenção do examinador em compositions (no quesito Qualidade da Linguagem) de concursos passados. Sempre que possível, ela também traz dicas de usage e de synonyms relacionadas a esses itens.

in the wake of

Se algo acontece in the wake of algum outro evento, isso quer dizer que esse algo aconteceu depois do evento – e, frequentemente, como sua consequência. Veja alguns exemplos:

Airport security was extra tight in the wake of yesterday’s bomb attacks.

An inquiry has been set up in the wake of the crash.

Famine followed in the wake of the drought.

Missionaries arrived in the wake of conquistadors and soldiers.

Cheers!

Fontes:

Cambridge Advanced Learner’s Dictionary

Dicionário Porto

Longman Dictionaries Online

Macmillan Dictionary

Merriam-Webster’s Online Dictionary

Guia do Filhote de GNU é um manual de estudo para a terceira fase do CACD elaborado pela turma de 2013 do Instituto Rio Branco. Ele traz as melhores e as piores respostas do CACD 2013 e busca “oferecer uma visão mais ampla sobre o que é esperado do candidato ao CACD”. Sem dúvida, uma excelente iniciativa! 

Para fazer o download, clique aqui.