Icones-sem-marca_Com-papel-Sombra_TRANSLATION

Em seu livro Escola de Tradutores, Paulo Rónai define o fenômeno da polissemia como uma “enfermidade da linguagem (que lhe enfraquece a lógica, enquanto a torna apta à expressão poética)”. Rónai fala especificamente sobre a dificuldade de lidar com a polissemia na tradução técnica e dá como exemplo o caso do vocábulo “resistência”, no campo da eletrotécnica: ele será traduzido para a língua inglesa como resistance “quando se tratar da propriedade que têm os condutores elétricos de se opor à passagem de corrente elétrica”, mas como resistor “em se tratando de peça má condutora encaixada num circuito”.

Na tarefa de tradução para a língua portuguesa do CACD 2016, alguns dos erros dos candidatos podem ser atribuídos à polissemia (não percebida) de alguns vocábulos usados no texto fonte. Destaco, neste post, dois casos — as traduções de noise e de language — para que possamos iniciar a reflexão sobre esse tema da polissemia nas tarefas de tradução.

1. Noise

No CACD 2016, o texto fonte da tarefa Translation Part A dizia: “Simply by making noises with our mouths, we can reliably cause precise new combinations of ideas to arise in each other’s minds“. Os candidatos que traduziram noise como “barulho” foram apenados. Mas noise não quer dizer “barulho”?

“Barulho” é um dos sentidos de noise, que é uma palavra polissêmica. Mas, naquele contexto, “barulho” não fazia sentido. Na definição do Dicionário Houaiss, “barulho” é “som estrepitoso; rumor; estrondo”; sabemos, pelo contexto, que não é disso que o autor está falando. Após a interposição de recursos, essa foi, justamente, a justificativa do examinador para o indeferimento: “‘barulho’ é um som estrepitoso, o que não se coaduna com o sentido do original.”

O sentido que se depreende do texto é noise como sound; naquele contexto, noise poderia ser traduzido, portanto, como “som” ou “ruído” (no sentido de “som confuso, indistinto”).

2. Language

O mesmo texto fonte também dizia: “That ability is language.” Os candidatos que traduziram language, aqui, como “língua” foram apenados.

É claro que uma das acepções de language é “the particular form of words and speech that is used by the people of a country, area or social group“, e, nesse sentido, o vocábulo pode ser traduzido como “língua, idioma”.

Entretanto, o sentido, nesse trecho do texto, não é esse, mas sim de “the method o human communication using spoken or written words“. Nesse sentido, language não quer dizer “língua”, mas sim “linguagem”. A capacidade (“ability“) é a linguagem, não a língua. Na definição do Houaiss, linguagem é “a capacidade inata da espécie humana de aprender e comunicar-se por meio de uma língua (‘sistema’)”.

Contudo, note que, no fim do texto, quando o autor escreve “but what is truly arresting about our kind is better captured in the story of the Tower of Babel, in which humanity, speaking a single language, came so close to reaching heaven that God himself felt threatened“, o sentido de language, aqui, é de “língua, idioma”.

**********

Pode-se argumentar que, em um sistema semiótico ideal, cada palavra corresponderia a um sentido — ou seja, cada significante corresponderia a apenas um significado. Nos sistemas reais, entretanto, a polissemia é um fenômeno frequentemente observado. Como o próprio Dicionário Houaiss ressalta, “a polissemia é um fenômeno comum nas línguas naturais, são raras as palavras que não a apresentam”.

Alguns autores, inclusive, argumentam que as palavras não têm sentidos mais sim “sentidos em potencial” (meaning potential): as palavras não significam; elas podem significar. E o que tranforma um meaning potential em meaning é o contexto. Assim, é no contexto que o sentido se realiza, se concretiza.

Traduzindo essa discussão mais teórica e abstrata para nossas preocupações mais práticas com a prova: como podemos identificar e desambiguizar as palavras polissêmicas? A chave, aqui, é não traduzir cada palavra isoladamente, mas sempre tendo em mente o texto no qual ela está inserida!

  • Quando palavras polissêmicas são tiradas do contexto, é normal presumir que seu sentido seja o mais prototípico. Mas isso pode resultar em um erro de interpretação de texto e de tradução. Por exemplo, se eu perguntasse como você traduziria a palavra start, você provavelmente diria “começar, iniciar”. Entretanto, na expressão start the car, o verbo não tem o sentido de “make something begin to happen“, mas sim de “switch on a machine or engine“. Dessa forma, em start the carstart não significa “começar, inciar”.
  • É só no contexto que podemos avaliar a classe da palavra, o que também contribui para a construção do sentido. Por exemplo, se eu perguntasse como você traduziria a palavra but, é bem provável que você diria “mas”, presumindo que eu estivesse fazendo referência a but como conjunção; mas but também pode ser advérbio (“We can but hope that things will improve“) e até preposição (“There’s been nothing but trouble since he came“). Em nenhum desses dois casos but seria traduzido como “mas”.
  • As combinações de palavras no contexto selecionam e reforçam seus sentidos. Quando eu falo de um old man, fica claro que old é uma referência a sua idade; quando eu falo de um old friend, a referência costuma ser não à idade do amigo, mas a uma amizade que conservo há muito tempo.

Dessa forma, é só no contexto que podemos entender o sentido de uma palavra polissêmica. Nas palavras de Goran Schmidt, “If we accept the primacy of construction over its parts, we could avoid polysemy at the level of words”.

Dada a frequência do fenômeno da polissemia, é essencial ter muita atenção ao contexto nas tarefas de tradução. Durante o ato tradutório, procure certificar-se de que você entende o sentido das palavras no texto fonte; se algo soa estranho, não culpe o autor do texto: pode ser que você esteja pensando apenas no sentido mais prototípico de uma palavra que também tem sentidos subsidiários.

Além de atenção durante o ato tradutório, é essencial fazer algumas revisões do texto de chegada. E agora que temos cinco horas de prova discursiva, proofreading ficou mais factível ainda! O que sempre sugiro a meus alunos é um proofreading em duas etapas:

Cheers!

 

Bibliografia

Dicionário Houaiss Eletrônico da Língua Portuguesa (2009)

Macmillan Dictionary

RÓNAI, Paulo. Escola de Tradutores. Rio de Janeiro: José Olympio, 2012.

SCHMIDT, Goran. Polysemy in Translation: selecting the right sense.

Anúncios

Icones-sem-marca_Com-papel-Sombra_TRANSLATION

Dando sequência ao post em que discuti a importância de estudar tradução, não só para as tarefas de tradução da prova de inglês na terceira fase do CACD, mas também como método para incrementar a competência na língua inglesa, hoje escrevo sobre algumas formas de dar início a esses estudos sem a instrução de um professor/tradutor.

Publicações bilíngues

Analise o trabalho de outros tradutores! Isso permite que você reflita sobre as decisões que precisam ser tomadas quando se traduz um texto. Comece por textos curtos, sobre temas que você conhece bem, e vá progredindo para textos mais longos e mais complexos em termos semânticos e sintáticos. No site do Itamaraty, por exemplo, há vários textos em português, como notas e discursos, acompanhados de versões para a língua inglesa.

Para os que já buscam maiores desafios, edições bilíngues de obras literárias são uma ótima opção. Existe uma coleção de livros bilíngues da qual gosto muito, por sua praticidade, publicada pela editora Landmark. A coleção tem títulos clássicos como Dracula, Moby Dick e até nosso querido Orlando, de Virginia Woolf. Essas são boas opções para quem quer estudar o par inglês-português. Para quem deseja estudar o par português-inglês, uma ideia é procurar a versão para o inglês de alguma obra em português que você já leu. Eu gostei de ler, mais recentemente, Barren Lives (versão de Vidas Secas, de Graciliano Ramos), Confession of the Lioness (versão de Confissão da Leoa, de Mia Couto) e The Hour of the Star (versão de A Hora da Estrela, de Clarice Lispector), por exemplo.

Exercícios de tradução

Practice makes perfect! Além de estudar traduções já prontas, é essencial que você também traduza. Uma obra de referência para translators in training é o Vocabulando Pack, de Isa Mara Lando. O Vocabulando Pack consiste em um dicionário de falsos cognatos e de termos mais complicados de traduzir (por sua polissemia, por exemplo) e um workbook com exercícios de tradução. Recomendo o uso da edição mais nova (capa vermelha), pois está atualizada e mais completa.

Outro exercício recomendado é selecionar um trecho curto de uma publicação bilíngue e, antes de ler a tradução já pronta, tentar, você mesmo, traduzi-lo. Depois, compare seu texto de chegada com o texto do tradutor. É claro que seu texto não precisa ser – e muito provavelmente não será – igual ao do tradutor, até porque, normalmente, há diversas possibilidades de tradução para o mesmo texto. Mas compare os dois textos em termos de precisão semântica e sintática, fidelidade ao texto fonte, naturalidade no idioma de chegada etc. É bem possível que, se você estiver fazendo esse trabalho sem o auxílio de um professor/tradutor, alguns erros ou “pontos a melhorar” passem desapercebidos, mas, ainda assim, há muito a se ganhar com esse exercício! Ele pode ser feito com ou sem apoio externo (dicionários, glossários etc.), dependendo do seu objetivo com esse exercício.

Estudos de Tradução

Estudar teoria da tradução não é um requisito essencial para começar a traduzir. Até historicamente, a prática da tradução precede a teorização em centenas de anos. Mas ter algumas noções teóricas ajuda a tornar o ato tradutório algo mais consciente e crítico – e é claro que isso tem impactos extremamente positivos tanto no processo de aquisição de uma língua estrangeira quanto no próprio produto final do processo de tradução. O que não falta é literatura nessa área de conhecimento. Algumas obras indicadas, para quem se interessar, são Oficina de Tradução, de Rosemary Arrojo, Tradução: Teoria e Prática, de John Milton, Introducing Translation Studies, de Jeremy Munday, e Translation and Translating, de Roger T. Bell.

Cheers!

Icones-sem-marca_Com-papel-Sombra_TRANSLATION

Não é raro ouvir ou ler comentários de CACDistas sobre como as tarefas de tradução da prova de inglês, na terceira fase, se resumem a uma questão de sorte: ou você tem a sorte de abrir a prova e encontrar um texto recheado de palavras que você conhece, ou não. Essa percepção com alguma frequência serve como justificativa para que uma porção muito pequena – quando não inexistente – do planejamento de estudos de língua inglesa para o concurso seja dedicada a essas tarefas.

É claro que contar com a sorte é algo mais que desejável nessas (e em todas outras!) tarefas, visto que os textos selecionados costumam ser bem complexos e que não é permitido o acesso a nenhum apoio externo. Isso, entretanto, não significa que tradução é sorte e que não há nada que se possa fazer em termos de preparação para essas tarefas. Muito pelo contrário. Neste post, discutirei a importância de dedicar tempo à tradução na preparação para o concurso.

Traduz melhor quem conhece mais palavras.

Um texto não é um aglomerado de palavras meramente justapostas – se fosse, talvez conhecer palavras fosse suficiente para o ato tradutório. Em um texto, as palavras se relacionam de várias formas, em termos tanto semânticos, quanto morfossintáticos, culturais, ideológicos etc. Não traduz melhor quem conhece mais palavras; a tradução depende de vários fatores, como compreender essas relações estabelecidas no texto fonte e ter competência linguística no idioma de chegada. Isso sem contar a discussão sobre o que significa “conhecer uma palavra”, já que uma palavra pode ser polissêmica e ter sentidos que desconheço, ou ela pode ser usada em uma expressão fixa que eu não compreendo, ou, ainda, ela pode ser conhecida apenas “passivamente” (eu entendo seu sentido quando a ouço ou a leio), mas não “ativamente” (eu não sei como usá-la ao falar ou escrever). E daí também a necessidade de se compreender que dicionários bilíngues têm escopo limitado: os verbetes correspondem a palavras e locuções, mas as traduções sugeridas não compreendem todas as possibilidades de contextos nos quais certa palavra ou locução poderia ocorrer (e a tradução depende essencialmente do contexto, já que é nele que estão estabelecidas as relações entre as palavras).

Mas eu falo bem português e inglês…

Ter bons conhecimentos de dois idiomas não significa ser capaz de traduzir de um idioma para o outro. Tenho poucos colegas tradutores que se dedicam a mais de um par linguístico; muitos deles têm excelentes conhecimentos de língua portuguesa e de língua inglesa (e, em alguns casos, de mais idiomas) e, ainda assim, optam por trabalhar ou apenas com tradução de inglês ou apenas com versões para o inglês (sem mencionar que a imensa maioria deles restringe a área de atuação: traduções literárias, área jurídica, tecnologia da informação etc.). Traduzir envolve uma série de conhecimentos, reflexões e decisões que não costumam fazer parte dos processos envolvidos na comunicação em um idioma estrangeiro. Além disso, se pensarmos a tradução como uma habilidade, é preciso praticá-la, e muito, para produzir um resultado satisfatório. Se me permite a comparação, é um pouco como tocar um instrumento musical: eu estudei em conservatório por algum tempo, li algumas obras sobre teoria musical e musicologia e tenho boa percepção musical, mas, como não tive a disciplina de “praticar até a perfeição”, não há muita coisa que eu saiba fazer quando estou na frente de um piano.

Importante mesmo é treinar para a redação!

A redação é, de fato, a tarefa mais importante da prova de inglês da terceira fase, já que só essa tarefa vale 50 pontos em uma prova que vale, no total, 100 pontos. No entanto, isso não quer dizer que os 35 pontos que correspondem às tarefas de tradução possam ser deixados a cargo da sorte. Sabemos que a aprovação no concurso acaba sendo decidida, muitas vezes, por apenas um ponto (quando não por décimos). Além disso, a banca costuma ser composta por professores da área de tradução (como Ofal Fialho e Mark David Ridd, em 2015), o que não garante que não aconteçam problemas nas correções das tarefas, mas ao menos pode ser considerado um indício da importância dessas tarefas na prova – e talvez da importância da tradução de forma mais ampla, como argumentarei a seguir.

Eu quero ser diplomata, não tradutor.

Translation is not the preserve of translators. Há tantas instâncias de nossa vida, pessoal e professional, em que a tradução se faz presente, e muitas vezes de forma inconsciente. E algo que é crucial destacar para os propósitos deste post é que aprender a traduzir de forma consciente e crítica pode ajudar a melhorar a competência em inglês de forma geral.

Vou me deter um pouco nesse argumento, inclusive fazendo referência a um excelente artigo escrito por Mark David Ridd e Maria Carolina Calvo Capilla. Existe algum consenso, entre estudiosos, de que a aprendizagem de uma língua estrangeira (LE) passa pelo filtro de nossa língua materna (L1): com base na L1, elaboramos hipóteses para a aquisição da LE. Nesse processo, podemos identificar transferências e interferências; o conhecimento prévio da L1 pode ser corretamente aplicado na LE, o que auxilia a aquisição da LE (transferência), mas esse conhecimento pode não ser aplicável à LE, o que resulta em erros (interferência).

Muitas vezes, os erros ocasionados por interferências não impedem a comunicação (quem nunca perguntou para o professor de inglês se aquele errinho de preposição realmente impediria que o falante nativo compreendesse sua mensagem?). Assim, ou por falta de necessidade comunicativa de melhorar a competência no idioma, ou por simples falta de percepção da existência das interferências e dos erros, muitos estudantes de LE acabam não conseguindo chegar ao nível de proficiência na LE, atingindo um plateau e ali ficando estacionados em seu processo de aprendizagem. O estudante nessa situação fala uma espécie de interlíngua – no nosso caso, um tipo de “portuglês” – que poder dar conta de diversas situações comunicativas, mas certamente não passa perto do que exames de proficiência e a própria prova de inglês do CACD exigem. E o problema fica pior quando, por não serem corrigidos, esses erros de interferência acabam sendo repetidos e finalmente fossilizados.

Se a L1 é o modelo que inicialmente adotamos quando da aquisição de uma LE, faz muito sentido que esses dois idiomas sejam conscientemente e criticamente contrastados, já que isso pode ajudar a incentivar transferências e a evitar interferências. E o que é a tradução se não uma atividade de confrontação explícita e reflexiva de um par linguístico? Hoje em dia, são muitos os estudiosos, como o próprio Mark David Ridd, que acreditam que a tradução deve ser usada, em cursos de idiomas que têm como base métodos comunicativos, como forma de conscientização das relações em L1 e LE no processo de aprendizagem com o objetivo de facilitar a aprendizagem por transferências, diminuir a ocorrência de interferências, evitar a fossilização de erros e, em última instância, possibilitar que um número maior de estudantes atinja a tão almejada proficiência na LE.

Ok, então se eu entendi direito…

Treinar para as tarefas de tradução é essencial para o CACDista porque não basta comunicar-se bem em português e inglês bem para traduzir bem. Em um concurso em que qualquer meio ponto pode significar ou a posse ou pelo menos mais um ano de estudos, todas as tarefas da prova de inglês são importantes. Além disso, ao treinar para as tarefas de tradução, você perceberá que alguns de seus erros em outras tarefas, como na redação, estão relacionados a interferências da língua portuguesa, e essa consciência crítica é essencial para que você aprimore sua competência em inglês em todas as tarefas da prova de inglês – e, possivelmente, isso terá efeitos positivos no processo de aprendizagem de outras línguas estrangeiras e em contextos de uso desses idiomas que vão muito além do CACD.

No próximo post, discutirei algumas formas de estudar tradução.

Cheers!

A manchete de um artigo publicado por The Washington Post diz que “We shouldn’t condone the Baltimore riots, but let’s stop calling them senseless“. Pela própria oração adversativa introduzida por but, já podemos ter uma ideia de que condone não tem um sentido negativo. Condone não quer dizer “condenar”.

Condone

Condone é um verbo que, segundo o livro Vocabulando, quer dizer “tolerar, aceitar; admitir, aprovar, condescender, justificar, permitir, perdoar tacitamente; deixar passar, fechar os olhos”. Veja alguns exemplos:

Violence against women is often condoned by the state. (A violência contra a mulher muitas vezes é tolerada pelo Estado. / O Estado muitas vezes fecha os olhos à violência contra a mulher.)

This newspaper will not condone racism against groups or individuals. (Este jornal não tolera / não aceita / não admite / não permite racismo contra grupos ou indivíduos.)

Merriam-Wesbter’s Online Dictionary traz uma série de sinônimos para condone, como brush aside, gloss over, overlook, whitewash, wink at.

Mas como dizer “condenar”?

Condenar”, no sentido de “declarar (alguém / algo) censurável”, pode ser traduzido como condemn. No sentido de “impor uma pena a alguém”, condemn também pode ser usado, mas também é comum usar o verbo sentence.

Cheers!

Fontes:

Dicionário Houaiss

Dicionário Porto

LANDO, Isa Mara. Vocabulando: vocabulário prático inglês-português: from ability to zest. São Paulo: Disal, 2006.

Macmillan Dictionary

Merriam-Webster’s Online Dictionary

Hackers could commandeer planes using onboard passenger wifi“, informa uma manchete do site ÜbergizmoCommandeer, entretanto, não quer dizer “comandar”, pois é um falso cognato.

Commandeer

Commandeer é um verbo que, segundo o livro Vocabulando, quer dizer “confiscar, apropriar-se, tomar; requisitar para uso militar ou próprio”. Veja exemplos abaixo:

City officials themselves commandeered communication equipment from a looted Office Depot. (As prórprias autoridades confiscaram / tomaram equipamentos de comunicação de uma loja saqueada.)

A brave young man commandeered a bus and drove fleeing residents to Houston. (Um rapaz corajoso se apropriou de um ônibus e levou moradores em fuga até Houston.)

No Merriam-Webster’s Online Dictionarycommandeer é sinônimo de hijack.

Mas como dizer “comandar”?

Comandar”, no sentido de “dirigir como superior”, pode ser traduzido, segundo o Dicionário Porto, como command, be in charge of, lead.

Note-se, entretanto, que “comandar” é um verbo polissêmico. No sentido de “comandar um mecanismo de controle”, uma tradução possível seria control.

Cheers!

Fontes:

Dicionário Houaiss

LANDO, Isa Mara. Vocabulando: vocabulário prático inglês-português: from ability to zest. São Paulo: Disal, 2006.

Longman Online Dictionary

Macmillan Dictionary

Merriam-Webster’s Online Dictionary

Ler que alguém teve uma “cavalier attitude” com relação a algo poderia, em um primeiro momento, nos levar a pensar que a atitude tivesse sido algo como cavalheiresca, mas… trata-se do contrário!

“Cavalier” (adj.) quer dizer:

– “arrogante, desdenhoso”: He displayed a cavalier attitude towards his reports (“Ele tinha uma atitude arrogante para com seus subordinados”)

– “displicente, negligente”: The doctor is troubled by the cavalier way his patients are handled at public hospitals (“O médico está abalado com a maneira negligente com que seus pacientes são tratados nos hospitais públicos”)

Como dizer “cavalheiresco”?

Você pode dizer “gentlemanly” (adj.): He is too gentlemanly to accept that sort of thing (“Ele é muito cavalheiresco para aceitar esse tipo de coisa”). Outras opções são “chivalrous” e “gallant”.

Outras palavras que poderiam ser confundidas são “cavaleiro” (s.) (horseman) e “cavalheiro” (s.) (gentleman).

Cheers!

Fontes:

LANDO, Isa Mara. Vocabulando: vocabulário prático inglês-português: from ability to zest. São Paulo: Disal, 2006.

SANTOS, Agenor Soares dos. Guia Prático de Tradução Inglesa: como evitar as armadilhas das falsas semelhanças. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.

Dicionário Porto

O título de um artigo recente da revista Foreign Affairs é Nigeria’s countless casualties (February 9th 2015). “Casualty” (s.) não quer dizer “casualidade”, mas sim:

– “vítima, baixa, perda”: The factory was a casualty of recession (“A fábrica foi uma vítima da recessão”)

Esse substantivo é geralmente usado no plural, com o sentido de:

– “perdas, mortos e feridos”: Battlefield casualties were high (“Houve muitos mortos e feridos no campo de batalha”)

Outra acepção do termo é:

– “pronto-socorro”: He was taken to casualty (“Ele foi levado ao pronto-socorro”)

Como dizer “casualidade”?

Você pode dizer “chance” ou “accident”: I met him by chance (“Eu o conheci por casualidade / por acaso”)

Cheers!

Fontes:

LANDO, Isa Mara. Vocabulando: vocabulário prático inglês-português: from ability to zest. São Paulo: Disal, 2006.

SANTOS, Agenor Soares dos. Guia Prático de Tradução Inglesa: como evitar as armadilhas das falsas semelhanças. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.

Macmillan Dictionary

Dicionário Porto