“So difficult it is to show the various meanings and imperfections of words when we have nothing else but words to do it with.”

~John Locke

 

Por muito tempo, as palavras foram pensadas como a principal unidade gramatical e lexical. Gramaticalmente, conhecemos as palavras como verbos, substantivos, adjetivos, advérbios… Em termos de léxico, os dicionários são normalmente organizados em verbetes, em ordem alfabética, os quais correspondem a palavras.  Nessa forma de ver a linguagem, um texto seria uma sequência de palavras sintaticamente organizadas. Para produzir um texto, portanto, bastaria escolher quaisquer palavras ‘que fazem sentido’ e organizá-las de acordo com as regras gramaticais.

A essa visão da linguagem subjaz a presunção de que a gramática é regular e de que o léxico é irregular, ou seja, de que há padrões gramaticais a ser observados na construção de um texto (concordância, transitividade etc.), mas de que não haveria algo como “padrões lexicais”. No entanto, o desenvolvimento da linguística de corpus, nas últimas décadas, nos abre os olhos para o exato oposto dessa presunção: o léxico não é “irregular”; as palavras em um texto não estão organizadas apenas por relações sintáticas, mas também por relações lexicais; os padrões sintáticos e os padrões lexicais não podem ser separados.

Isso pode parecer uma conversa “muito técnica” para quem está “só” estudando inglês para passar no CACD (muitas aspas por aqui rs), mas assim como a dicotomia entre gramática e léxico tem sido questionada, a dicotomia entre teoria e prática também precisa ser repensada. Afinal, quem está “só” estudando inglês para passar no CACD será avaliado por uma banca que conhece a teoria e que espera que a prática dos candidatos esteja alinhada a ela (como veremos em comentários da própria banca abaixo).

Por isso, para quem está “só” estudando inglês para passar no CACD, é absolutamente fundamental, em seus estudos de vocabulário e de produção de texto em língua inglesa, pensar a questão do sentido para além das palavras isoladas. Neste artigo, discutirei como a escolha de palavras para um texto é limitada tanto por restrições gramaticais quanto por restrições lexicais. Abordarei os conceitos de collocation e colligation, e a relevância dessa discussão “muito técnica” para seus estudos de língua inglesa para o CACD.

Collocation

Se abrirmos um thesaurus (um dicionário de sinônimos) no verbete strong, encontraremos entre seus sinônimos a palavra powerful. Isso significa que seus sentidos são semelhantes. No entanto, é natural dizer, em inglês, I prefer strong tea, mas não I prefer powerful tea. Isso porque, ao escolhermos usar a palavra tea, existe, concomitantemente, uma co-seleção de adjetivos que são, de fato, usados com essa palavra. Essa co-ocorrência frequente de palavras é o que chamamos de collocation. Assim, nas palavras de Mona Baker, “meaning cannot always account for collocational patterning”: muito embora a palavra powerful isoladamente faça “sentido”, ela simplesmente não é usada em combinação com tea.

Isso acontece porque as palavras tendem a ocorrer juntas e a formar sentidos em sua combinação. É a combinação que faz sentido, não a palavra individualmente. Como explica John Sinclair, “the flow in meaning is not from the item [word] to the text but form the text to the item [word]”. Dou um exemplo paradigmático: na collocation “white wine”, white não quer dizer “something that is the same color of milk or snow”. White wine is not “white”! Mas o adjetivo white ganha sentido porque a combinação lhe confere sentido. Existe, portanto, uma interdependência entre a palavra e as outras palavras que a cercam. Quando essa dependência é lexical, ela e chamada de collocation.

Esse fenômeno da collocation não é restrito a uns poucos casos: a maior parte dos sentidos necessita da presença de mais palavras para sua realização. É por isso que John Sinclair afirma que “the word is not the best starting-point for a description of meaning, because meaning arises from words in particular combination”. Não estou aqui discutindo phrasal verbs, idiomatic expressions, set phrases ou provérbios; nesses casos, é bem óbvio que não há independência entre as palavras: ao escolher uma das palavras que formam essas multi-word expressions, já automaticamente co-selecionamos todas as outras. A discussão aqui é sobre a escolha de palavras em geral. Um texto não deve ser pensando como uma série de escolhas de palavras independentes: há padrões de combinações que são responsáveis pelo sentido, pela naturalidade, pela espontaneidade do texto. Nas pesquisas mencionadas por John Sinclair, cerca de 80% da ocorrência de palavras se dá não por escolhas independentes, mas sim por co-seleção. Em suas palavras, “a large proportion of the word occurrence is the result of co-selection—that is to say, more than one word is selected in a single choice”.

Dessa forma, ainda segundo Sinclair, “complete freedom of choice, then, of a single word is rare”. Ao escolhermos uma palavra para usar em um texto, automaticamente já devemos co-selecionar outras, não só com base em seus sentidos, mas sim em com qual frequência elas de fato ocorrem com a palavras que já selecionamos. Afinal, de acordo com Sinclair, “language is characterized by having hundreds of thousands of meanings that are not in fact available”.

O que vimos até agora, ao discutirmos collocation, é que 1) não existe liberdade completa na escolha de palavras, já que são as combinações que conferem sentido às palavras e que 2) por isso mesmo, a palavra como menor unidade lexical é algo muito problemático em termos de sentido. O léxico é, ao contrário do que muitos pensam, altamente “regular”: há tendências fraseológicas, padrões lexicais, que precisam ser observados para que de fato se produza sentido em um texto. Assim, a escolha de palavras é limitada por restrições lexicais.

Colligation

A escolha de palavras, além disso, também é limitada por restrições gramaticais. A escolha de uma só palavra pode determinar um padrão sintático. Por exemplo, se quero usar a palavra able, em uma construção como “capaz de fazer algo”, automaticamente já seleciono o complemento desse adjetivo: able to do something, não “able of doing something”. Já quando seleciono o substantivo possibility, em uma construção como “possibilidade de fazer algo”, automaticamente já seleciono o complemento: possibility of doing something, não “possibility to do something”. Não há uma “regra gramatical” aqui; o que se observa é o fenômeno da colligation, que é a co-ocorrência de palavras com escolhas gramaticais. Ao usar a palavra able naquela construção, é preciso co-selecionar o verbo no infinitivo; ao usar a palavra possibility naquela construção, é preciso co-selecionar o sintagma preposicional. A co-seleção, aqui, afeta a gramaticalidade do texto.

Mais uma vez, vemos como a escolha de palavras não é livre: ao selecionar uma palavra, já selecionamos, inclusive, padrões sintáticos. A gramática, portanto, não é autônoma ou completamente separada do léxico.

Relevância para o CACD

Não há dúvidas de que a banca conhece e reconhece tais padrões lexicais e sintáticos. Copio, aqui, alguns comentários escritos pelo examinador em respostas a recursos interpostos no CACD 2017:

“A colocação correta para o contexto é ‘on’, como no exemplo ‘She’s by far the biggest influence on my writing’.”

“’Surprising for’ mal aparece em corpora em geral e quando o faz, raramente se trata de fonte confiável, que siga os preceitos da norma culta”

“A expressão ‘to create something in aspects’ carece de idiomaticidade, pois as regras de colocação foram violadas aqui.”

“Há, aqui, um erro de colocação. A escolha lexical ‘afffordable dream’ não é uma combinação viável, pois carece de idiomaticidade.”

“Há, aqui, um erro de colocação. A escolha lexical ‘handle negotiations’ não é uma combinação viável, pois carece de idiomaticidade. Verbos que se colocam com ‘negotiations’ são, entre outros, ‘enter into, open, conduct.”

“A combinação lexical ‘unavoidable countries’ carece de idiomaticidade. Ferem-se, aqui, as leis de colocação.”

 

Cito aqui também alguns exemplos de textos de candidatos em que a parte grifada foi considerada errada por causa de colligation:

He also argued that the homogeneous aspects of capital flows are still to capable to impose their global power.

Although one cannot agree with Carl Gustav Jung about the difficulty to disturb the security (…)

Fica mais do que patente, considerando todos os exemplos acima, que collocations e colligation não são preocupações “muito técnicas” para quem “só” estuda inglês para passar no CACD: a banca reconhece, em suas correções e respostas a recursos, que a escolha de palavras não é livre e que há padrões lexicais e sintáticos que devem ser observados. E isso é algo que deve interferir na forma como você estuda vocabulário e produção de texto para o concurso! No próximo post, discutirei algumas estratégias de estudo para candidatos que sabem que é preciso pensar além das palavras isoladas para produzir textos com “correção gramatical e propriedade da linguagem”, um critério de correção que existe para todas as quatro tarefas da prova discursiva de inglês no CACD.

Cheers!

 

Bilbliografia

Mona Baker. In Other Words: a coursebook on translation. Routledge, 2011.

John Sinclair. Trust the Text: language, corpus and discourse. Routledge, 2004.

“The more that you read,

The more things you will know.”

~Dr. Seuss

 

Em seu livro I Can Read With My Eyes Shut, Dr. Seuss, pseudônimo do escritor norte-americano Theodor Seuss Geisel, mostra para o público infantojuvenil como a leitura pode ser algo divertido e também uma fonte de conhecimentos. A leitura pode ter diversos objetivos, usos e resultados, para além da diversão e do conhecimento, sendo que um deles é aprender a ler fluentemente. Sim, one learns to read by reading! Assim, reformulando a epígrafe de autoria de Dr. Seuss, “the more that you read, the better you will become at it”.

Mas como usar a própria leitura como instrumento para aprender a ler com fluência — no nosso caso, para ler fluentemente na língua inglesa? Quando estudamos uma língua estrangeira, as atividades que realizamos em sala de aula normalmente são de intensive reading: o professor seleciona um texto que deve ser estudado pelos alunos praticamente linha a linha, com consultas frequentes a dicionários, para que as palavras e os sentidos do texto sejam devidamente compreendidos. Atividades de intensive reading são importantes para desenvolver algumas habilidades de leitura, mas o fato é que elas não ajudam a desenvolver a leitura fluente.

O que realmente contribui para o desenvolvimento da leitura fluente é o que chamamos extensive reading. Podemos resumir esse tipo de atividade de leitura em quatro pilares:

  1. É você (não o professor) que escolhe o que vai ler e quanto vai ler (e você pode desistir se, no meio da leitura, perder o interesse);
  2. O propósito da leitura é a compreensão geral do texto (não palavra por palavra) e o prazer de ler;
  3. Os materiais selecionados para a leitura devem estar de acordo com a sua competência linguística;
  4. A leitura é feita individualmente e em silêncio.

Ao ler esses quatro pilares, alguém poderia pensar: “então, extensive reading é simplesmente reading”. Sim! Nas palavras de Day & Bamford, em seu livro Extensive Reading in the Second Language Classroom, extensive reading é “real-world reading but for a pedagogical purpose”. A ideia é tratar o texto não como um objeto de estudos de uma língua estrangeira, mas sim como um objeto de uma experiência literária, um objeto de prazer.

A abordagem pode parecer counterintuitive, mas há décadas de pesquisas e publicações por trás da sua defesa. Uma das teorias que dá suporte à abordagem está relacionada à área da psicologia cognitiva. Segundo essa teoria, a base da leitura fluente é o reconhecimento automático de palavras. As palavras que são reconhecidas automaticamente pelo leitor são chamadas de sight words (e, coletivamente, formam o sight vocabulary). Assim, para ser um leitor fluente, é preciso ter um sight vocabulary bem amplo para que o reconhecimento das palavras seja automático e o leitor não precise pausar em palavras desconhecidas para decodificar seu sentido – o que interrompe a fluência da leitura. E como podemos desenvolver esse tal de sight vocabulary? Através de atividades de extensive reading! Ao lermos um texto qualquer, encontramos uma série de palavras que se repetem ao longo do texto; é o encontro frequente com essas palavras que faz com que elas passem a compor o sight vocabulary do leitor. Assim, a atividade de extensive reading leva à familiaridade com novas palavras e, com isso, à automaticidade e, consequentemente, à leitura fluente. Como explicam Day & Bamford, “the development of a large sight vocabulary can be seen as overlearning words to the point that they are automatically recognized in their printed form. The best and easiest way to accomplish this is to read a great deal”.

Na verdade, atividades de extensive reading não contribuem “apenas” para a leitura fluente: elas consolidam a aprendizagem do idioma estrangeiro e incrementam a proficiência de forma geral. Elas estão associadas a incremento no vocabulário e a melhorias na produção escrita e até na ortografia. Em seu livro The Power of Reading, Stephen Krashen afirma que “reading is the only way, the only way we become good readers, develop a good writing style, an adequate vocabulary, advanced grammar, and the only way we become good spellers.”

Dentre todas as vantagens da realização de atividades de extensive reading, destaco, além do desenvolvimento da fluência na leitura, o ganho de vocabulário. Conforme o leitor progride na leitura do texto selecionado, ele adquire vocabulário incidentalmente. Eu digo “incidentalmente” porque, em atividades de extensive reading, as consultas a dicionários são totalmente desencorajadas – isso quando não proibidas. A aprendizagem de vocabulário novo se dá por inferências de sentido com base no contexto em que o vocabulário é encontrado. Segundo Nagy & Herman, em um capítulo do livro The Nature of Vocabulary Acquisition, de McKeown & Curtis, “incidental learning of words during reading may be the easiest and single most powerful means of promoting large-scale vocabulary growth”.

Para que o leitor possa adquirir vocabulário incidentalmente em atividades de extensive reading, portanto, é essencial que o segundo e o terceiro pilares mencionados, em particular, sejam observados: como o leitor não deve / não pode recorrer a dicionários, é preciso que 1)  ele selecione um material para leitura que não esteja além do seu nível de competência linguística e que 2) ele se satisfaça com menos que a compreensão total do texto (o propósito é compreensão geral, não total). Assim, o material ideal para realizar atividades de extensive reading, caso você ainda não seja proficiente no idioma-alvo, é o que chamamos de language learner literature, ou seja, livros escritos ou adaptados para quem está aprendendo um idioma estrangeiro. Há várias coleções disponíveis no mercado (Macmillan Readers, Oxford Bookworms Library etc.), e há também opções disponíveis gratuitamente na internet, como no site http://english-e-books.net/. Para escolher o material mais adequado para seu nível, faça o seguinte teste: escolha uma página qualquer de um livro que te interessar; se essa página tiver mais de cinco palavras que você desconhece, é preciso escolher um nível inferior a esse (e fazer o mesmo teste). Lembre-se: “building reading fluency is achieved through much practice with easy texts” (Day & Bamford).

Selecionado o material para leitura,  a atividade de extensive reading já pode ser iniciada!  Já que o objetivo é desenvolver a leitura fluente, o leitor deve ignorar as palavras / expressões desconhecidas ou, se possível, inferir seu sentido pelo contexto. Interromper a leitura para consultar um dicionário atrapalha a leitura fluente, que é o objetivo da atividade! Outra opção é ir lendo o texto extensively, sem interromper a leitura fluente, e sublinhando as palavras desconhecidas; depois de concluída a leitura (ou aquela sessão de leitura), o texto pode ser estudado intensively, ou seja, com consultas a dicionários. Mas lembre-se: se o texto contém mais de cinco palavras desconhecidas por página, você provavelmente não está fazendo uma atividade de extensive reading e nem desenvolvendo a leitura fluente. Seu objetivo com a atividade de extensive reading não é “estudar vocabulário”, mas sim aprender a ler fluentemente, com ganhos incidentais de vocabulário. Segundo Day & Bamford, “learning second language vocabulary is important, but it cannot get in the way of learning to read. Students must realize they are practicing reading, not learning vocabulary. When the two are incompatible in reading class, reading must take priority”.

Cheers!

Bibliografia:

Day, R. & Bamford, J. Extensive Reading in the Second Language Classroom. Cambridge University Press, 1998.

Krashen, S. D. The Power of Reading: insights into the research. Libraries Unlimited, 1993.

Nagy, W. E. & Herman, P. A. Breadth and depth of vocabulary knowledge: implications for acquisition and instruction. IN: McKeown, M. G. & Curtis, M. E. (org.) The Nature of Vocabulary Acquisition. Lawrence Erlbaum, 1987.

 

Aprovado em 4o lugar no CACD 2018, Luiz Carlos Keppe Nogueira nos conta sobre sua preparação para as provas de inglês do CACD!

Você já tinha conhecimentos avançados da língua inglesa quando começou a estudar para o concurso?

Meus conhecimentos eram intermediários. Havia tido a oportunidade de estudar em boas escolas de idiomas por alguns anos e de fazer algumas viagens internacionais breves nas quais aprimorei o uso da língua inglesa. Ao fazer os primeiros simulados, contudo, percebi que havia uma grande distância entre o nível que eu tinha e o que é necessário para a aprovação. Isso me estimulou a dar especial importância aos estudos de língua inglesa nos primeiros anos de preparação.

Qual foi a melhor maneira que você encontrou para estudar vocabulário novo e fixa-lo?

Para mim, o que funcionou melhor foi fazer flashcards em sites como o quizlet. Na frente do cartão, eu colocava a palavra em inglês; atrás, seu significado e uma frase exemplificativa em inglês com um espaço em branco no lugar dessa palavra. Eu, então, estudava repetidamente esses cartões, seja começando com a parte da frente e tentando adivinhar o significado, seja fazendo o inverso. Além disso, li e reli algumas vezes os verbetes que considerei mais importantes do livro “Vocabulando”, de Isa Mara Lando.

Como você estudava collocations, em particular?

Também fiz flashcards para collocations. Procurei separar aquelas mais relacionadas aos temas e ao estilo de escrita do CACD.

Que tipo de exercícios complementares aos simulados (vocabulário, gramática, tradução etc.) você acha imprescindível fazer?

Penso que a melhor estratégia é fazer uma lista de erros cometidos nos simulados, separando-os por temas, e então buscar os exercícios correspondentes. De modo mais geral, eu recomendaria exercícios sobre preposições e conectores.

Como você se preparou para a primeira fase do exame? Apenas através da resolução de questões de interpretação de texto no formato das questões do CESPE?

Procurei ler trechos de obras de diversas áreas do conhecimento (filosofia, literatura etc.), de modo a manter a fluência da leitura e da compreensão de textos mais densos e estruturalmente mais complexos. Acredito que meu foco na fixação de vocabulário também favoreceu meu desempenho nessa fase.

Você tinha alguma estratégia no que diz respeito a deixar respostas em branco?

Eu não deixava nenhuma questão em branco na prova toda, o que é uma estratégia incomum. Depende muito da confiança que se tem em ‘chutar’ as respostas. Com base nas conversas que tive com outros candidatos aprovados, não recomendaria deixar muito mais que 20 itens em branco na prova.

Em que ordem você acha aconselhável fazer as tarefas da prova de inglês de segunda fase?

A ordem que escolhi era resumo, redação, tradução e versão. Meu melhor desempenho relativo era no resumo e meu pior na versão, o que influenciou essa escolha.

Quanto tempo você acha aconselhável reservar para cada tarefa da prova de inglês de segunda fase?

1h15 pro resumo, 2h30 pra redação e as 1h15 restantes para a tradução e versão.

Como era seu processo para cada tarefa da prova de inglês de segunda fase?

No caso do resumo, eu grifava as principais ideias do texto e procurava estruturá-la em 3 parágrafos antes de começar a redigir o texto. Na redação, meu foco era seguir uma estrutura bem organizada, com introdução, 2 ou 3 parágrafos (cada um com um argumento sólido e um exemplo coerente) e conclusão. A primeira coisa que eu fazia era um ‘esquema’ dessa estrutura, com os argumentos e os exemplos que eu desenvolveria no texto.  Quanto à escrita, eu procurava redigir frases diretas e objetivas, evitando o rebuscamento desnecessário, mas sem deixar de reconhecer a importância de palavras e expressões capazes de tornar o texto mais rico. No que diz respeito à tradução e à versão, o esforço era o de buscar sempre um texto idiomático, o que demanda focar mais na estrutura das orações e na relação entre os vocábulos e menos nas palavras “soltas”.

Alguma dica de ouro para os candidatos?

Além de estudar com comprometimento, cuide do corpo e da saúde mental, preze pela rede de apoio formada pelos familiares e amigos e evite vincular seu valor pessoal e sua autoestima à aprovação nessa ou em qualquer prova. Boa sorte!

Aprovado no CACD 2018, Cauê Rodrigues Pimentel também nos conta um pouco sobre suas estratégias para as provas de língua inglesa!

1.       Você já tinha conhecimentos avançados da língua inglesa quando começou a estudar para o concurso?

Sim.  Estudei durante o colegial em uma escola de idiomas local, em minha cidade natal. Depois disso, fiquei anos a fio sem aulas de inglês, mas, por causa da pós-graduação, meu uso da língua era praticamente diário. Além disso, vivi cinco meses nos EUA, fazendo parte da minha pós-graduação em Washington. É importante ressaltar, contudo, que o CACD exige uma preparação especial, voltada para as características peculiares da prova; assim, o “background” na língua ajuda enormemente, mas ele não basta para garantir um bom desempenho, sobretudo na Terceira Fase.

2.       Qual foi a melhor maneira que você encontrou para estudar vocabulário novo e fixa-lo?

Ler, ler, ler. Lia muitos artigos – acadêmicos e jornalísticos -, além de estudar parte da bibliografia do CACD em inglês (por exemplo, li as “Eras” de Hobsbawm em inglês). Além de ler, é importante anotar: manter um pequeno caderno com vocabulário que pode ser útil na prova e, de tempos em tempos, repassar esse vocabulário, para poder fixá-lo. Confiar apenas na memória, ainda mais em um concurso que possui um volume colossal de informações, é, seguramente, uma estratégia falha.

3.       Como você estudava collocations, em particular?

Da mesma forma que o vocabulário: lendo, anotando e revisando, periodicamente, as collocations. As correções das tarefas de inglês também eram fundamentais nesse aspecto: ajudavam a corrigir imprecisões e a testar collocations que poderiam funcionar em uma situação de prova. Mais do que decorar “fancy collocations” é importante ter segurança em utilizar collocations que favoreçam a clareza e a inteligibilidade do texto, além, é claro, da naturalidade da língua.

4.       Que tipo de exercícios complementares aos simulados (vocabulário, gramática, tradução etc.) você acha imprescindível fazer?

Algo que me ajudou na prova de 2018 foi a leitura de edições bilíngues de clássicos da literatura. Essa dica vale não só para o inglês, mas também para os outros idiomas. As tarefas de tradução/versão tem alcançado níveis muito altos de exigência; assim, ler e estudar por edições bilíngues constitui, ao meu ver, um excelente exercício que abrange diversas competências que serão exigidas na terceira fase. De resto, não há segredo: o mais importante é praticar constantemente cada um dos exercícios e sempre revisar, com calma e paciência, as correções. Uma estratégia que utilizei, em 2018, foi reescrever as redações após receber as correções da Selene; acredito que esse método me ajudava a fixar estruturas, construções frasais e, principalmente, evitar a repetição de erros. Por fim, creio que mesmo que a Terceira fase esteja longe, é sempre importante manter uma rotina de exercícios dissertativos. Jamais deixe para estudar para as línguas apenas após a Primeira fase.

5.       Como você se preparou para a primeira fase do exame? Apenas através da resolução de questões de interpretação de texto no formato das questões do CESPE?

Resolvi, diversas vezes, as provas antigas do TPS. Com o passar do tempo, no entanto, esses exercícios começam a ficar “viciados”, e muitas vezes você acerta itens difíceis por meio da memória passiva dos gabaritos. Por esse motivo, quando foi publicado o edital, acabei realizando alguns simulados de Primeira fase com a Selene, para refrescar a memória. Eles me ajudaram muito, fosse pela qualidade dos textos selecionados, fosse pela semelhança lógica entre os exercícios propostos por ela e os exercícios do TPS. À parte disso, estudava mais pensando na Terceira Fase e isso acabava refletindo, positivamente, na nota de Primeira Fase. Mas ressalto que essa estratégia parece funcionar (ou funcionou, pelo menos, para mim) em inglês, mas pode ser fatal em relação às outras disciplinas, como HB, PI, GEO, etc.

6.       Você tinha alguma estratégia no que diz respeito a deixar respostas em branco?

Sempre reservei os itens em branco para as questões de vocabulário. Se você não conhecer a palavra em questão, o chute é muito arriscado. São poucos os casos em que é possível inferir o significado preciso (um exemplo é quando a banca oferece quatro possíveis traduções – quatro itens – para uma única palavra; nesse caso, é possível, por meio da inferência lógica, eliminar pelo menos um ou dois itens como certo ou errado). Dou um exemplo prático: no TPS de 2018, deixei quatro itens em branco na prova de inglês; todos eram de vocabulário. Há, também, algumas questões de interpretação que são bastante ambíguas; nesses casos, é preciso ponderar se vale a pena ou não chutar (em geral, eu acabava arriscando nesses itens e, caso houvesse possibilidade, enviava extensos recursos pós-prova).

7.       Em que ordem você acha aconselhável fazer as tarefas da prova de inglês de segunda fase?

Sempre fiz na mesma ordem: primeiro, o Summary (que ajuda a por as engrenagens do inglês em movimento); em segundo lugar, composition; depois, a tradução Inglês-Português; por fim, a versão Português-Inglês,

8.       Quanto tempo você acha aconselhável reservar para cada tarefa da prova de inglês de segunda fase?

Summary: em torno de 1 hora. Em 2018, o summary foi um pouco mais longo que o usual. Isso pode atrapalhar (como me atrapalhou) na organização do tempo.

Composition: duas horas e meia. Jamais consegui fazer em menos tempo que isso.

Tradução: 45 minutos

Versão: 45 minutos (ou o tempo que sobrar). A Versão tem se tornado o exercício mais difícil da prova e, aparentemente, aquele no qual a média das notas cai vertiginosamente, mesmo entre os aprovados. Assim, pensando pragmaticamente, se tiver que sacrificar algum tempo, no dia da prova, sacrifique o tempo da versão

9.       Como era seu processo para cada tarefa da prova de inglês de segunda fase?  

Summary: lia o texto, grifando e fazendo anotações laterais nos cantos da prova. Fazia um pequeno resumo da introdução, apenas. Os outros parágrafos escrevia sem rascunho, da maneira mais clara e objetiva possível, sem firulas e sem vocabulário rebuscado

Composition: leitura atenta do enunciado. Depois, montava uma rápida estrutura de cada parágrafo, enumerando duas ou três ideias gerais por parágrafos. Finalmente, fazia o rascunho da composition e passava a limpo (houve casos em que, por falta de tempo, escrevi a conclusão sem rascunho)

Tradução (Inglês-Português): lia o texto e circulava aquelas palavras mais capciosas, já anotando possibilidades de tradução. Nesse exercício não fazia rascunho. Passava direto a limpo e preferia, ao final, reler duas ou três vezes para corrigir erros de morfossintaxe. A maior preocupação, nesse caso, é manter o registro literário do texto original: no caso de 2018, por exemplo, era importante manter a qualidade da prosa, fazer com que a tradução soasse, ao final, como algo esteticamente literário.

Versão (Português-Inglês): lia rapidamente e depois fazia um breve rascunho. Muitas vezes, há palavras ou trechos difíceis de serem traduzidos; nesses casos, saltava essas partes (para não perder tempo demais) e tentava garantir, acima de tudo, que o texto fosse coerente e inteligível na língua inglesa (acredito que, enquanto a tradução deve prezar pela qualidade literária, a versão deve prezar pela inteligibilidade das informações do texto, sem grandes rebuscamentos).

10.   Alguma dica de ouro para os candidatos?

Keep it simple! A prova de inglês (assim como o CACD, em geral) parece, à primeira vista, uma prova hermética de erudição. Com o tempo – e muito treino (como a Selene me demonstrou) – você começa a compreender que, no fim das contas, o que realmente conta é a capacidade de passar informações corretas, de maneira clara, objetiva e que, sobretudo, respeite a estrutura do idioma estrangeiro. A prova exige certo refinamento, mas essa elegância não está no uso de palavras complexas ou construções pretensamente “fancy”, e, sim, na capacidade de apresentar um inglês limpo, com o menor número de erros possíveis e que transmita informações de modo claro. Pense duas vezes antes de usar estruturas ou vocabulários sofisticados e só os use se forem necessários; uma prova cheia desses elementos acaba passando um artificialismo que – garanto – não vai enganar a banca.

A segunda dica é ainda mais corriqueira: treine e leia muito! Familiarize-se com o idioma; tente usá-lo cotidianamente. No CACD, não há outro caminho para o sucesso.

Aprovado no CACD 2018, Victor Born Portella comenta como organizou seus estudos de língua inglesa para o concurso. As perguntas foram elaboradas por alunos meus e generosamente respondidas pelo Victor. Espero que suas valiosas dicas de estudos possam ajudar outros candidatos com as provas de língua inglesa do CACD!

1.       Você já tinha conhecimentos avançados da língua inglesa quando começou a estudar para o concurso?

Sim, já havia vivido nos EUA por mais de 1 ano. Antes, havia feito curso completo de inglês. Mas faltava uma prática mais rigorosa na escrita.

2.       Qual foi a melhor maneira que você encontrou para estudar vocabulário novo e fixá-lo?

Na realidade, não foquei tanto em vocabulário. Achava que era um trabalho pouco eficiente, em razão das poucas chances de “acertar” palavras tanto na tradução quanto nas provas de primeira fase.

Acho que isso pode ter sido um erro. Vejo que amigos que se dedicaram ao vocabulário – particularmente via flashcards – obtiveram resultados superiores na tradução (não sei se na primeira fase).

No ano de aprovação, tomei ciência disso, mas não consegui fazer muito, porque entendia que já não havia tempo hábil para esse trabalho que é de longo prazo.

Lembre-se que eu já detinha um vocabulário bem razoável. Então, também não era que ficasse usando palavras bobas. Sempre li bastante em inglês.

3.       Como você estudava collocations, em particular?

Tentava utilizá-las nas compositions. A melhor forma de memorização é, sem dúvida, o flashcard. Talvez uma segunda seja tentar associá-las a situações reais, coisas que tenham alguma afinidade com sua vida etc. Às vezes uma palavra pode soar bem, te lembrar alguma coisa, por quê não usar isso a seu favor?

4.       Que tipo de exercícios complementares aos simulados (vocabulário, gramática, tradução etc.) você acha imprescindível fazer?

Acho que a leitura constante é bastante útil. Uma leitura de artigos válidos, por exemplo, para PI, com atenção redobrada para termos interessantes (Foreign Affairs, The Economist). Acho que vale ler com uma lente própria para a prova de inglês, enfatizando menos o conteúdo, mas tomando nota de estrutura e palavras.

5.       Como você se preparou para a primeira fase do exame? Apenas através da resolução de questões de interpretação de texto no formato das questões do CESPE?

Fazia apenas as questões das provas antigas. Não me dedicava muito à primeira fase, porque tinha deficiências mais sérias. Em geral, nos TPSs que fiz, fui bem em inglês na primeira fase. Se me lembro bem, meu desempenho em 2018, na primeira fase, em inglês, fui um pouco inferior ao meu histórico na prova. Não sei se houve mudança no tom da prova de 2018 ou se foi mesmo falta de prática. Talvez um pouco dos dois?

6.       Você tinha alguma estratégia no que diz respeito a deixar respostas em branco?

Em geral, gostava de deixar entre 10 e 25 itens em branco, somando provas da manhã e tarde. Na prática, acabava marcando bastante, porque confiava na minha intuição na prova.

Há histórias de boas notas com mais de 40 itens em branco. Há histórias com ótimas pontuações marcando tudo.

Acho que cada pessoa deve testar, nas provas antigas, o que melhor funciona. Lembrem-se, candidatos experientes, que a sua intuição não é pura,  mas “contaminada” pelas provas antigas e isso é bom (se você não fez os TPS antigos, faça já!). A sua intuição pode apontar para a resposta certa. Por isso, eu acabo marcando muito mais do que deixando em branco.

7.       Em que ordem você acha aconselhável fazer as tarefas da prova de inglês de segunda fase?

Essa é pergunta difícil, novamente pessoal. Recomendo testar.

Uma parte importante é o “mecanismo” que existe dentro de nós para passar de língua para outra. Uma ideia é começar no summary, te leva a uma leitura em inglês, que ativa o inglês. A partir daí, você pode pegar a composition. Daí, pegar uma das traduções. Uma das vantagens é terminar rapidamente a composition, a parte mais importante, difícil e arriscada, na minha opinião.

Outra ideia é fazer o inverso. Começar escrevendo em português, lendo em inglês, com a tradução do inglês para o português. Daí seguir para outras tarefas.

Talvez a melhor estratégia seja começar por onde você se sente mais confiante. Essa confiança pode guiar o restante da prova. No meu caso, era o summary.

Professora Selene tem ótimas soluções para essa questão. Me ajudaram bastante no treinamento.  Mas é sempre algo pessoal, que deve ser bem testado antes.

8.       Quanto tempo você acha aconselhável reservar para cada tarefa da prova de inglês de segunda fase?

O tempo é bem confortável em inglês e deve ser usado ao máximo! Até porque dia seguinte não tem prova. Não acho boa estratégia sair rápido da sala. Use todos os minutos.

Creio que a tarefa mais difícil é a composition (Ver abaixo processo). 2 horas para composition, pelo menos, me parece o ideal. Talvez 2hs e 30min.

Summary requer uma leitura atenta e, também, a partir de 2018, pede número considerável de palavras. Sugiro 1 hora. Talvez 1h e 15min.

Daí, o tempo restante deve/ pode ser dedicado a traduções e o que sobrar com revisões de todas as tarefas, em especial, na minha opinião, da composition.

9.       Como era seu processo para cada tarefa da prova de inglês de segunda fase? 

Composition: leitura atenta da questão (desconstruir os pedidos) / bullet-points esquema / um rascunho muito bem feito com base no esquema / revisão do rascunho / redação cuidadosa / revisão da redação. Se der, revisar de novo! (evite rasuras – a aparência importa. Não fui bem nesse quesito…)

Summary: leitura rápida / leitura atenta anotando os pontos importantes de cada parágrafo / esquema sucinto dos pontos importantes, associando os temas comuns, para fazer summary com menos parágrafos do que o texto original/ redação atenta / revisão cuidadosa.

Traduções leitura geral / reflexão sobre tom da tradução / redação cuidadosa, palavra a palavra. (acatei a sugestão da Selene de perder tempo sublinhando nada. Não vale a pena. Perda de tempo.)

10.   Alguma dica de ouro para os candidatos?

Como as respostas acima dão a entender, acho que vale muito desconstruir a provas nas suas menores partes e pensar como se aprimorar em cada uma delas. Exemplo: o que é uma introdução? Qual é a minha melhor introdução? Como repeti-la sem estar inspirado? Teste alguma solução. Se falhar, tente outra.

Se torne obcecado com seus erros e, mais ainda, com as soluções para esses erros. Teste tudo antes da prova.

Falando em erros, algo que fiz errado – várias vezes – foi tentar “encantar a banca” com palavras/expressões legais que conhecia. Se você não estiver muito seguro, não faça isso! Vai no básico. Vai no conhecido. é difícil resistir a isso, mas recomendo fortemente. Você tem muito pouco a ganhar e um ponto a perder, pelo menos.

Agora que já comentei cada item de cada questão da prova de inglês, deixo, aqui, algumas breve impressões mais gerais sobre a prova objetiva de língua inglesa deste ano, pensando, principalmente, no que podemos aprender para as próximas provas.

Por ter um total de seis textos, alguns longos e mais complexos em termos semânticos, a prova deve ter sido mais cansativa que a do ano passado (quando a prova teve cinco textos, mas apenas um deles de maior extensão) e mais difícil de concluir dentro de um tempo que não prejudicasse as outras disciplinas. No entanto, um dos textos longos, o texto VI, nem precisava ser lido na íntegra, já que todos os itens da questão sobre o texto eram sobre vocabulário. Os candidatos que leram a questão antes de ir ao texto podem ter economizado tempo aqui; a leitura da questão antes da leitura do texto correspondente pode ser uma boa estratégia de prova.

A maior parte dos textos estava relacionada a discussões sobre diplomacia, e não é surpreendente que, ao menos com base no que me disseram alguns alunos, os textos considerados mais difíceis são os que não versavam sobre esse tema — em particular, o texto sobre My Fair Lady. Para a prova de primeira fase, é importante estar preparado para qualquer tipo de texto: por exemplo, a prova apresentou, em 2015, um texto literário (quem não se lembra de Orlando, de Virginia Woolf? rs) e, em 2012, um texto sobre astronomia. Toda e qualquer leitura na língua inglesa contribui para o incremento de várias competências no idioma, e ter contato com campos semânticos e campos associativos diversos pode ser uma vantagem na prova.

Assim como em outros anos, as vocabulary-related questions vieram em grande número: mais de 50% dos itens testavam exclusivamente os conhecimentos lexicais dos candidatos. Não me cabe discutir se isso é justo ou se isso de fato avalia quem deve ir para a segunda fase (ou, em última instância, tornar-se um diplomata): o que acho importante destacar é que, para este concurso, não adianta só estudar gramática de forma sistematizada; é preciso dar o mesmo tratamento aos estudos de vocabulário. Até porque a resolução das reading comprehension questions (que somaram quase 40% da prova este ano) também requer boa competência lexical.

Cheers!

Selene Candian

 

 

(Alterações feitas no item 2 em 28/08, às 13h30 e às 20h20.)

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Questão 43. Considering the grammatical and semantic aspects of text VI, decide whether the following items are right (C) or wrong (E).

1. The word “aegis” (l. 36) could be replaced by auspices in this particular context.

O item está CERTO. Under the aegis ofunder the auspices of têm o mesmo sentido.

2. The idiom “Across the pond” (l. 19) could be replaced by Overseas, without altering the meaning of the sentence.

Apesar de across the pond ser uma referência específica ao Oceano Atlântico — na verdade, ao Atlântico Norte (Oxford English Dictionary) — e overseas ter um sentido mais amplo, não há mudança de sentido no período em questão, e o que o item afirma é que a substituição não mudaria o sentido daquele período específico. Assim, o item está CERTO.

*O gabarito preliminar deu o item como errado.

3. The word “simmering” (l. 15) could be replaced by vocal without altering the general meaning of the passage.

O item está ERRADO. No texto, simmering quer dizer “to be in a state of gentle activity; to be on the verge of becoming active or breaking out” (Oxford English Dictionary). Vocal não tem esse sentido.

4. The phrase “obtain more” (l. 10 and 11) could be correctly replaced by accrue, without altering the meaning of the passage.

Esse é um item que eu definitivamente deixaria em branco. Em termos de sentido, a subtituição até seria possível, já que accrue pode querer dizer “to accumulate or be added periodically” (Merriam-Webster’s Online Dictionary). O problema, contudo, é que, nesse sentido, accrue é considerado intransitive, o que impossibilitaria sua complementação por um direct object como “short-term influence” (veja aqui e aqui) Ou seja, gramaticalmente, deveria ser “(…) that short-term influence can accrue”. Inclusive, no CACD 2015, uma candidata escreveu “(…) in order to accrue as many followers as possible” e foi penalizada pelo uso transitivo do verbo nesse sentido.

O item fala apenas que a substituição não deve alterar o sentido da passagem, mas esse é um item de uma questão que pede para considerar os aspectos semânticos e gramaticais do texto VI. Eu acredito que a banca vai dar a questão como certa, considerando apenas a questão semântica, como já o fez em 2010 (comentei o caso aqui).

Cheers!

Selene Candian