Entrevista com Victor Born Portella, aprovado no CACD 2018

Aprovado no CACD 2018, Victor Born Portella comenta como organizou seus estudos de língua inglesa para o concurso. As perguntas foram elaboradas por alunos meus e generosamente respondidas pelo Victor. Espero que suas valiosas dicas de estudos possam ajudar outros candidatos com as provas de língua inglesa do CACD!

1.       Você já tinha conhecimentos avançados da língua inglesa quando começou a estudar para o concurso?

Sim, já havia vivido nos EUA por mais de 1 ano. Antes, havia feito curso completo de inglês. Mas faltava uma prática mais rigorosa na escrita.

2.       Qual foi a melhor maneira que você encontrou para estudar vocabulário novo e fixá-lo?

Na realidade, não foquei tanto em vocabulário. Achava que era um trabalho pouco eficiente, em razão das poucas chances de “acertar” palavras tanto na tradução quanto nas provas de primeira fase.

Acho que isso pode ter sido um erro. Vejo que amigos que se dedicaram ao vocabulário – particularmente via flashcards – obtiveram resultados superiores na tradução (não sei se na primeira fase).

No ano de aprovação, tomei ciência disso, mas não consegui fazer muito, porque entendia que já não havia tempo hábil para esse trabalho que é de longo prazo.

Lembre-se que eu já detinha um vocabulário bem razoável. Então, também não era que ficasse usando palavras bobas. Sempre li bastante em inglês.

3.       Como você estudava collocations, em particular?

Tentava utilizá-las nas compositions. A melhor forma de memorização é, sem dúvida, o flashcard. Talvez uma segunda seja tentar associá-las a situações reais, coisas que tenham alguma afinidade com sua vida etc. Às vezes uma palavra pode soar bem, te lembrar alguma coisa, por quê não usar isso a seu favor?

4.       Que tipo de exercícios complementares aos simulados (vocabulário, gramática, tradução etc.) você acha imprescindível fazer?

Acho que a leitura constante é bastante útil. Uma leitura de artigos válidos, por exemplo, para PI, com atenção redobrada para termos interessantes (Foreign Affairs, The Economist). Acho que vale ler com uma lente própria para a prova de inglês, enfatizando menos o conteúdo, mas tomando nota de estrutura e palavras.

5.       Como você se preparou para a primeira fase do exame? Apenas através da resolução de questões de interpretação de texto no formato das questões do CESPE?

Fazia apenas as questões das provas antigas. Não me dedicava muito à primeira fase, porque tinha deficiências mais sérias. Em geral, nos TPSs que fiz, fui bem em inglês na primeira fase. Se me lembro bem, meu desempenho em 2018, na primeira fase, em inglês, fui um pouco inferior ao meu histórico na prova. Não sei se houve mudança no tom da prova de 2018 ou se foi mesmo falta de prática. Talvez um pouco dos dois?

6.       Você tinha alguma estratégia no que diz respeito a deixar respostas em branco?

Em geral, gostava de deixar entre 10 e 25 itens em branco, somando provas da manhã e tarde. Na prática, acabava marcando bastante, porque confiava na minha intuição na prova.

Há histórias de boas notas com mais de 40 itens em branco. Há histórias com ótimas pontuações marcando tudo.

Acho que cada pessoa deve testar, nas provas antigas, o que melhor funciona. Lembrem-se, candidatos experientes, que a sua intuição não é pura,  mas “contaminada” pelas provas antigas e isso é bom (se você não fez os TPS antigos, faça já!). A sua intuição pode apontar para a resposta certa. Por isso, eu acabo marcando muito mais do que deixando em branco.

7.       Em que ordem você acha aconselhável fazer as tarefas da prova de inglês de segunda fase?

Essa é pergunta difícil, novamente pessoal. Recomendo testar.

Uma parte importante é o “mecanismo” que existe dentro de nós para passar de língua para outra. Uma ideia é começar no summary, te leva a uma leitura em inglês, que ativa o inglês. A partir daí, você pode pegar a composition. Daí, pegar uma das traduções. Uma das vantagens é terminar rapidamente a composition, a parte mais importante, difícil e arriscada, na minha opinião.

Outra ideia é fazer o inverso. Começar escrevendo em português, lendo em inglês, com a tradução do inglês para o português. Daí seguir para outras tarefas.

Talvez a melhor estratégia seja começar por onde você se sente mais confiante. Essa confiança pode guiar o restante da prova. No meu caso, era o summary.

Professora Selene tem ótimas soluções para essa questão. Me ajudaram bastante no treinamento.  Mas é sempre algo pessoal, que deve ser bem testado antes.

8.       Quanto tempo você acha aconselhável reservar para cada tarefa da prova de inglês de segunda fase?

O tempo é bem confortável em inglês e deve ser usado ao máximo! Até porque dia seguinte não tem prova. Não acho boa estratégia sair rápido da sala. Use todos os minutos.

Creio que a tarefa mais difícil é a composition (Ver abaixo processo). 2 horas para composition, pelo menos, me parece o ideal. Talvez 2hs e 30min.

Summary requer uma leitura atenta e, também, a partir de 2018, pede número considerável de palavras. Sugiro 1 hora. Talvez 1h e 15min.

Daí, o tempo restante deve/ pode ser dedicado a traduções e o que sobrar com revisões de todas as tarefas, em especial, na minha opinião, da composition.

9.       Como era seu processo para cada tarefa da prova de inglês de segunda fase? 

Composition: leitura atenta da questão (desconstruir os pedidos) / bullet-points esquema / um rascunho muito bem feito com base no esquema / revisão do rascunho / redação cuidadosa / revisão da redação. Se der, revisar de novo! (evite rasuras – a aparência importa. Não fui bem nesse quesito…)

Summary: leitura rápida / leitura atenta anotando os pontos importantes de cada parágrafo / esquema sucinto dos pontos importantes, associando os temas comuns, para fazer summary com menos parágrafos do que o texto original/ redação atenta / revisão cuidadosa.

Traduções leitura geral / reflexão sobre tom da tradução / redação cuidadosa, palavra a palavra. (acatei a sugestão da Selene de perder tempo sublinhando nada. Não vale a pena. Perda de tempo.)

10.   Alguma dica de ouro para os candidatos?

Como as respostas acima dão a entender, acho que vale muito desconstruir a provas nas suas menores partes e pensar como se aprimorar em cada uma delas. Exemplo: o que é uma introdução? Qual é a minha melhor introdução? Como repeti-la sem estar inspirado? Teste alguma solução. Se falhar, tente outra.

Se torne obcecado com seus erros e, mais ainda, com as soluções para esses erros. Teste tudo antes da prova.

Falando em erros, algo que fiz errado – várias vezes – foi tentar “encantar a banca” com palavras/expressões legais que conhecia. Se você não estiver muito seguro, não faça isso! Vai no básico. Vai no conhecido. é difícil resistir a isso, mas recomendo fortemente. Você tem muito pouco a ganhar e um ponto a perder, pelo menos.

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