Agora que já comentei cada item de cada questão da prova de inglês, deixo, aqui, algumas breve impressões mais gerais sobre a prova objetiva de língua inglesa deste ano, pensando, principalmente, no que podemos aprender para as próximas provas.

Por ter um total de seis textos, alguns longos e mais complexos em termos semânticos, a prova deve ter sido mais cansativa que a do ano passado (quando a prova teve cinco textos, mas apenas um deles de maior extensão) e mais difícil de concluir dentro de um tempo que não prejudicasse as outras disciplinas. No entanto, um dos textos longos, o texto VI, nem precisava ser lido na íntegra, já que todos os itens da questão sobre o texto eram sobre vocabulário. Os candidatos que leram a questão antes de ir ao texto podem ter economizado tempo aqui; a leitura da questão antes da leitura do texto correspondente pode ser uma boa estratégia de prova.

A maior parte dos textos estava relacionada a discussões sobre diplomacia, e não é surpreendente que, ao menos com base no que me disseram alguns alunos, os textos considerados mais difíceis são os que não versavam sobre esse tema — em particular, o texto sobre My Fair Lady. Para a prova de primeira fase, é importante estar preparado para qualquer tipo de texto: por exemplo, a prova apresentou, em 2015, um texto literário (quem não se lembra de Orlando, de Virginia Woolf? rs) e, em 2012, um texto sobre astronomia. Toda e qualquer leitura na língua inglesa contribui para o incremento de várias competências no idioma, e ter contato com campos semânticos e campos associativos diversos pode ser uma vantagem na prova.

Assim como em outros anos, as vocabulary-related questions vieram em grande número: mais de 50% dos itens testavam exclusivamente os conhecimentos lexicais dos candidatos. Não me cabe discutir se isso é justo ou se isso de fato avalia quem deve ir para a segunda fase (ou, em última instância, tornar-se um diplomata): o que acho importante destacar é que, para este concurso, não adianta só estudar gramática de forma sistematizada; é preciso dar o mesmo tratamento aos estudos de vocabulário. Até porque a resolução das reading comprehension questions (que somaram quase 40% da prova este ano) também requer boa competência lexical.

Cheers!

Selene Candian

 

 

(Alterações feitas no item 2 em 28/08, às 13h30 e às 20h20.)

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Questão 43. Considering the grammatical and semantic aspects of text VI, decide whether the following items are right (C) or wrong (E).

1. The word “aegis” (l. 36) could be replaced by auspices in this particular context.

O item está CERTO. Under the aegis ofunder the auspices of têm o mesmo sentido.

2. The idiom “Across the pond” (l. 19) could be replaced by Overseas, without altering the meaning of the sentence.

Apesar de across the pond ser uma referência específica ao Oceano Atlântico — na verdade, ao Atlântico Norte (Oxford English Dictionary) — e overseas ter um sentido mais amplo, não há mudança de sentido no período em questão, e o que o item afirma é que a substituição não mudaria o sentido daquele período específico. Assim, o item está CERTO.

*O gabarito preliminar deu o item como errado.

3. The word “simmering” (l. 15) could be replaced by vocal without altering the general meaning of the passage.

O item está ERRADO. No texto, simmering quer dizer “to be in a state of gentle activity; to be on the verge of becoming active or breaking out” (Oxford English Dictionary). Vocal não tem esse sentido.

4. The phrase “obtain more” (l. 10 and 11) could be correctly replaced by accrue, without altering the meaning of the passage.

Esse é um item que eu definitivamente deixaria em branco. Em termos de sentido, a subtituição até seria possível, já que accrue pode querer dizer “to accumulate or be added periodically” (Merriam-Webster’s Online Dictionary). O problema, contudo, é que, nesse sentido, accrue é considerado intransitive, o que impossibilitaria sua complementação por um direct object como “short-term influence” (veja aqui e aqui) Ou seja, gramaticalmente, deveria ser “(…) that short-term influence can accrue”. Inclusive, no CACD 2015, uma candidata escreveu “(…) in order to accrue as many followers as possible” e foi penalizada pelo uso transitivo do verbo nesse sentido.

O item fala apenas que a substituição não deve alterar o sentido da passagem, mas esse é um item de uma questão que pede para considerar os aspectos semânticos e gramaticais do texto VI. Eu acredito que a banca vai dar a questão como certa, considerando apenas a questão semântica, como já o fez em 2010 (comentei o caso aqui).

Cheers!

Selene Candian

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Questão 41. In text V, without altering the general meaning of the sentence, “enthralled” (l. 8) could be replaced by (mark right — C — or wrong — E).

1. colorful

2. bewitched

3. captivated

4. eccentric

Enthrall, em seu sentido figurado, quer dizer “to captivate, hold spellbound, by pleasing qualities” (Oxford English Dictionary). No texto, enthralled poderia ser traduzido como “encantado”, no sentido de “que se deixou arrebatar ou seduzir; deslumbrado, maravilhado” (Dicionário Houaiss).

Captivated, no item 3, tem esse mesmo sentido: “to enthrall with charm or attractiveness; to enslave, fascinate, enamour, enchant, charm” (Oxford English Dictionary). Assim, o item 3 está CERTO.

Bewitched, que possivelmente foi o vocábulo que mais causou dúvida, também pode ter esse sentido. É claro que bewitched pode querer dizer “influenced by witchcraft; under, or having, magical influence” (Oxford English Dictionary), mas esse não é seu único sentido. Em seu sentido também figurado, significa “under a fascination; fascinated” (Oxford English Dictionary). Assim, o item 2 também está CERTO.

Os outros dois itens estão ERRADOS já que não há qualquer relação de sentido entre colorful ou eccentric com enthralled.

Questão 42. Considering the grammatical and semantic aspects of text V, decide whether the following items are right (C) or wrong (E).

1. The word “sleuth” (l. 13) is used in a disparaging way.

Em um sentido hoje obsoleto na língua inglesa, sleuth queria dizer “the track or trail of a person or animal” (Oxford English Dictionary). Em outro de seus sentidos, mas relacionado a esse, sleuth quer dizer o mesmo que bloodhound — ou seja, para referir-se a cães farejadores. Um terceiro sentido, também relacionado, é o de “detetive; investigador”, que é o que se aplica ao texto.

Não encontrei nenhum dicionário que classificasse esse sentido como “disparaging / derogatory” (ou seja, pejorativo). O Oxford English Dictionary diz apenas que esse sentido é usado no inglês norte-americano — o mesmo que diz o Merriam-Webster’s Online Dictionary; O Oxford Dictionaries diz apenas que é informal; o Macmillan Dictionary diz apenas que é old-fashioned — assim como o Longman Dictionary of Contemporary English; o Cambridge Advanced Learner’s Dictionary diz que é old-fashionedhumorous.

É claro que palavras não pejorativas podem ser usadas com um sentido pejorativo, mas não creio que seja o caso no texto em questão. Além disso, “linguistic sleuth” é usado em outros textos sem sentido pejorativo, como é o caso aqui. Assim, considero o item ERRADO.

2. The author thinks that the most important point of the plot of My Fair Lady gets lost in translation.

O item está CERTO, já que o autor afirma que, nas traduções, a personagem fala o outro idioma (espanhol, húngaro etc.) como se estivesse falando inglês, só que “unlike most plays or movies where one language is made to pass for another, the linguistic medium here is not just an incidental fact, but the very crux of the entire plot” (l. 24-27). No último período do texto, o autor até afirma que pode ser que o espectador aceite isso como algo verossímil como premissa de entretenimento (veja o sentido de suspension of disbelief), assim como aceita, em musicais, que os diálogos sejam interrompidos por números musicais (o que também não é algo que acontece na “vida real”), mas essa afirmação não muda o fato de que o autor acha essa “desanglicização” algo nutty (l. 16) e truly strange (l. 22).

3. From the author’s account, it can be inferred that the plot of My Fair Lady is an homage to British social class structure.

Primeiramente, há um erro aqui no uso do artigo indefinido an, já que homage começa com um som de consoante, não de vogal — essa letra “h” é aspirated. Ouça aqui ou aqui.

De qualquer forma, a inferência não pode ser feita. O autor resume a trama ao dizer que trata-se da transformação na maneira como Liza Dolittle fala inglês — do dialeto cokney para um “impeccably upper-class Oxbridge way of speaking” (l. 10-11), o que a faz passar por uma dama da sociedade em um baile. O item está ERRADO.

4. The stage performance of My Fair Lady is punctuated by musical numbers. 

O item está CERTO. O autor faz menção a My Fair Lady como “a story that is occasionally interrupted by the actors’ breaking into lyrical song” (l. 29-30).

Cheers!

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Questão 40. Considering the grammatical and semantic aspects of text IV, decide whether the following items are right (C) or wrong (E).

1. It may be inferred from the text that Hutchins posits that the complexity of financial markets calls for analysis based on groupthink, as psychological or cognitive science analysis of the individual is clearly insufficient.

Primeiramente, é importante mencionar que falta, no item, um artigo definido antes de “psychological”, o que pode dificultar a compreensão do item. O artigo é necessário — e inclusive é usado no texto — por causa da of-phrase “of the individual”*.

De qualquer forma, eu não diria que pode-se inferir da citação de Hutchins que é preciso fazer uma análise com base em pensamento de grupo; groupthink quer dizer “a type of thinking engaged in by a group of people deliberating an issue, typically characterized by the making of injudicious decisions through individuals’ unwillingness to challenge group consensus” (Oxford English Dictionary). O item está ERRADO.

2. Using based on instead of “on the basis of” (l. 31) would not alter the general meaning of the sentence.

O item está CERTO. A substituição de on the basis of por based on não causaria mudança no sentido da passagem.

3. The expression “on a par with” (l. 30) means competing.

O item está ERRADO. On a par with não tem esse sentido. Naquele contexto, a expressão poderia ser traduzida como “comparável a”.

4. According to the text, automated trading and other new technologies have made financial economics hegemonic among traders as a tool to interpret the gyrations of the financial market.

O item está ERRADO. O autor afirma que apenas às vezes as formas de pensar, os procedimentos e os algorítimos utilizados estão relacionados a “financial economics” (l. 24-25). O que acontece com maior frequência é o recurso a formas de pensar e de agir que não têm relação direta com a ciência econômica acadêmica (l. 26-31).

(*EASTWOOD, John. The Oxford Guide to English Grammar. Oxford: OUP, 1994.  p. 201)